Estudo mostra que extração de madeira pode ser sustentável, rentável e frear o desmatamento na Amazônia (Foto: Pexels)
Apontada como um dos vetores do desmatamento na Amazônia, a extração de madeira cresceu à sombra da ilegalidade, o que acabou limitando o próprio setor. Com um mercado dominado por madeira de origem duvidosa, o manejo florestal sempre foi visto como uma alternativa cara e pouco viável. Como resultado, o setor madeireiro, que já foi um dos pilares da economia regional, enfrenta um impasse histórico.
Desde a década de 1990, a produção de madeira em tora despencou, enquanto a exploração ilegal segue predominando, comprometendo tanto a credibilidade quanto a sustentabilidade da atividade. No entanto, o estudo “O manejo de florestas naturais e o setor madeireiro da Amazônia brasileira: situação atual e perspectivas”, do projeto Amazônia 2030, em parceria com o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e o Instituto Floresta Tropical (IFT), mostra que esse cenário pode ser revertido. Com medidas estratégicas, é possível transformar o setor madeireiro em um modelo de desenvolvimento sustentável, aliando conservação ambiental e crescimento econômico.
A partir da década de 1980, a Amazônia se tornou a principal região produtora de madeira nacional, representando mais de 80% do total extraído no país. Mas, quatro décadas depois, a grande maioria da madeira extraída da região ainda tem origem predatória. A produção de madeira em tora despencou de 28 milhões de m³ para apenas 12 milhões de m³ nos últimos anos. Cerca de 92% dessa madeira é destinada ao mercado interno, sobretudo à construção civil, enquanto apenas 8% é exportada.
Atualmente, somente cerca de 10% do total dos 12 milhões de metros cúbicos de madeira extraídos por ano (o equivalente a 3 milhões de árvores) provém de manejo florestal, o que significa que grande parte da madeira que circula no mercado tem origem predatória, agravando o desmatamento e dificultando a rastreabilidade. Esse modelo arcaico e insustentável torna-se cada vez mais incompatível com as demandas da bioeconomia e do mercado global, que priorizam produtos com certificação e origem comprovada.
O estudo aponta que a extração de madeira nativa, se feita de forma manejada e sustentável, pode ser uma das soluções para manter a floresta em pé na Amazônia.
A madeira em tora ainda é o principal produto extrativo da região norte, com cerca de R$3,2 bilhões por ano e aproximadamente 70 mil empregos e representa uma opção real de geração de renda a partir da floresta em pé. No manejo florestal apenas 3 a 5 árvores por hectare (de um total de mais de 400 árvores existentes em um único hectare) são extraídas. É uma operação de baixo impacto ambiental que permite que a floresta seja capaz de se regenerar. Além disso, o manejo é capaz de manter a floresta conservada em relação aos níveis de carbono, de biodiversidade e de serviços ecossistêmicos.
Para garantir o suprimento de madeira de forma sustentável é necessário alocar cerca de 25 milhões de hectares (equivale apenas a 7% das florestas existentes na Amazônia). Atualmente só temos 3 milhões de hectares manejados de modo responsável no bioma. O mecanismo mais promissor para atingir essa meta é por meio das concessões à iniciativa privada nas florestas nacionais e estaduais já existentes, seguindo as regras da Lei de Gestão de Florestas Públicas. Para isso, entretanto, será necessário ampliar o ritmo de implementação destas concessões.
Além disso, a exploração concentra-se em poucas espécies, como ipê e cumaru, enquanto centenas de outras madeiras com alto potencial comercial permanecem subutilizadas. O setor precisa urgentemente investir na diversificação da produção, criando incentivos econômicos e estruturais para o aproveitamento de novas espécies, reduzindo a pressão sobre as mais exploradas.
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