Após os Estados Unidos recomendarem a taxação de produtos brasileiros, o presidente Lula (PT) afirmou hoje aos ministros para não aceitarem o tratamento que o governo de Donald Trump está impondo ao Brasil e que eles devem procurar alternativas no mercado internacional.
Lula voltou a criticar o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, chamando-o de “latino-americano frustrado” e lembrando o envolvimento de embaixadores norte-americanos no golpe militar de 1964.
O presidente falou que o Brasil não deve ficar restrito às propostas norte-americanas. “Se ele [o presidente Donald Trump] não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. A gente não vai ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro”, declarou Lula, em reunião ministerial no Palácio do Planalto.
Os EUA propõem taxar alguns produtos brasileiros em até 37,5%, citando práticas comerciais “irrazoáveis” do Brasil como justificativa. Como mostrou o UOL, o governo brasileiro vê, no entanto, foco principal no Pix, citado mais de 20 vezes pelo relatório do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), que sugeriu a nova taxação.
Lula disse que cobrará uma resposta do norte-americano sobre os anúncios. “Não podemos aceitar o tratamento que os EUA deram ao Brasil”, reclamou aos ministros. “Vou mandar outra carta para o Trump para mostrar que eles estão errados, equivocados, estão induzindo o mundo a uma violência desnecessária.”
O presidente reclamou da forma como o governo norte-americano tem feito os anúncios. “Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos. Desde o primeiro tuíte do presidente Trump, que é um comunicado avesso àquilo que a democracia e a civilidade exigem, que um presidente comunique o outro ou mande uma carta oficial para o outro”, criticou, referindo-se também ao anúncio do tarifaço no ano passado.
O principal incômodo de Lula é o timing da proposta. O anúncio se deu após quase um mês do encontro entre o presidente Lula e Trump na Casa Branca, quando foi prometido um grupo bilateral de trabalho para tentar chegar à resolução dos entraves em 30 dias. Desde então, só houve uma reunião e, para desgosto do governo brasileiro, foi anunciada uma proposta de um aumento, não de diminuição.
Pela primeira vez, Lula admitiu surpresa. “Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento com os Estados Unidos”, lamentou.














