Reynaldo Gianecchini - Foto: Reprodução / Instagram / Reynaldo Gianecchini

O ator Reynaldo Gianecchini , de 53 anos, completa 28 anos de carreira em 2026, 20 deles ele passou sob contrato fixo e de exclusividade com a Globo. Ao Terra, ele relembrou sua passagem pelo canal, agradeceu ao dramaturgo Manoel Carlos (1933-2026) por ter lhe dado a oportunidade de poder trabalhar na televisão e refletiu sobre o conjunto de fatores que levaram ao fim da parceria.

De acordo com Reynaldo Gianecchini, quando foi convidado para interpretar Eduardo Albuquerque em Laços de Família (2001), não tinha experiência nenhuma em televisão e o autor Manoel Carlos teve que ‘bater o pé’ para que ele fosse encarregado de figurar no triângulo amoroso entre Helena (Vera Fischer) e Camila (Carolina Dieckmann), que na trama representavam mãe e filha.

“Eu tinha acabado de estrear no teatro, então eu não sabia o que era nada. Tinha pouco conhecimento do que era o teatro e nada sobre o audiovisual, daquele esquema maluco que é fazer uma novela dentro de uma emissora tão gigante como a Globo. Tudo isso me deu possibilidade de ter uma estrutura para eu me desenvolver como ator e como ser humano. Então eu vou ser sempre grato, ele foi um grande pai, não só artístico”, disse.

“Ele me acolheu de verdade na casa dele, com a família dele, virei muito amigo, a filha dele fazia minha irmã na novela, e virou uma irmã de verdade. Olho para trás e passa uma historinha na minha cabeça, são tempos mágicos pra mim, intensos e mágicos”, seguiu.

O ator soube da morte de Manoel Carlos (1933-2026), no sábado 10, quando terminou a sessão de estreia de Um Dia Muito Especial, peça na qual interpreta um radialista homossexual no registe fascista e que está em cartaz em São Paulo, no Teatro Bradesco.

“Eu tinha acabado de sair do palco e me falaram [sobre a morte dele]. Não tem como a gente não ficar sensibilizado [com a partida]. Mas no caso do Maneco, eu não posso falar dele nunca com tristeza. Apesar da perda, que é gigante, eu só vou falar dele com sorriso porque eu tenho muita gratidão por ele e por tudo que ele fez para mim profissionalmente. Ele que me colocou lá [na Globo], ele bateu o pé, ele me queria naquele papel, ele abriu as portas da televisão e me deu possibilidade de continuar nessa carreira, enfim, é gigante a minha gratidão por ele, ele foi um ser humano incrível”.

Depois de Laços de Família (2001), Gianecchini passou 20 anos na Globo, integrando diversos diversos projetos, com destaque para Da Cor do Pecado, na qual interpretou os gêmeos Paco e Apolo (2004), trabalho este que considera um dos mais desafiadores de sua carreira; Belíssima (2005), novela em que viveu Pascoal da Silva; Sete Pecados (2007), na qual encarnou Dante; e Passione (2010), obra em que deu vida a Frederico Lobato Filho.

Em 2021, seu contrato com a emissora foi encerrado. De acordo com ele, tudo aconteceu no momento certo, de forma transparente e consensual. Giane estava em uma fase de ‘virada’ da carreira e a empresa seguia no movimento de enxugar custos após a pandemia.

“Foi muito natural esse desligamento, foi assim foi um ciclo que foi fechado. Eu trabalhei lá durante 20 anos e tive excelentes oportunidades, acho que a maior parte do meu material de trabalho foi lá, claro, no teatro também. Nunca deixei de fazer teatro. Mas o teatro, junto com a experiência da novela, [me deu muita bagagem]. A experiência de fazer novela é bastante prática, você faz 30 cenas, essa loucura dá uma musculatura valiosa ao ator”.

O motivo da saída da Globo

A pandemia de coronavírus transformou a humanidade e com Reynaldo Gianecchini não foi diferente. Durante o período de isolamento ele aproveitou para reavaliar as direções de sua carreira. Neste mesmo momento, a Globo passava por um processo de corte de gastos, artistas não eram mais contratos em regime fixo, agora todos trabalhavam por obra.

“Na pandemia, muita coisa começou a mudar, foi um momento de repensar tudo o que eu queria como artista. E aí eu comecei a falar: ‘Eu acho que já deu para mim de fazer novela’, não foi algo de uma hora para outra, eu já não tava querendo não fazer mais novela, eu tava querendo experimentar outras coisas e com reformulação financeira da emissora os contratos começaram a acabar. Então assim, ao mesmo tempo que acabou, também era uma vontade minha. Considero que foi um fluxo tão perfeito e minha relação terminou bem”.

Após saída da Globo, Reynaldo Gianecchini fez trabalhos de destaque como o missionário Matias de Bom Dia, Verônica (Netflix); e a drag Mitzi, de Priscilla, a Rainha do Deserto – O Musical. Ele não descarta um retorno à emissora, mas reconhece a vontade de continuar explorando formatos diferentes, como tem feito.

“Depois que saí de lá eu fui experimentar outras linguagens, personagens, outro jeito de contar história, fui para o streaming, fui fazer umas peças que foram grandes sucesso, como Priscila e Brilho Eterno”, disse. “Eu continuo achando [a Globo] fantástica, gostaria muito de continuar sempre trabalhando lá. Mas realmente não sinto muita vontade de fazer novela.”

*Com informações de Terra