
O governo federal lançou hoje um novo programa contra o crime organizado, com foco em combate às estruturas financeiras das organizações e reforço de presídios, em mais uma tentativa de melhorar a segurança pública, um dos calcanhares de Aquiles da gestão do presidente Lula (PT).
O programa Brasil Contra o Crime Organizado terá diferentes frentes. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, atuará na “asfixia financeira” e maior controle prisional para “desarticular as estruturas econômicas, operacionais e territoriais que sustentam as organizações criminosas”.
O investimento do governo será de R$ 1,06 bilhão em 2026. O montante será distribuído em quatro eixos:
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R$ 388,9 milhões para ações de asfixia financeira de organizações
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R$ 330,6 milhões para o sistema prisional
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R$ 201 milhões para esclarecimento de homicídios
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R$ 145,2 milhões para enfrentamento ao tráfico de armas
O principal eixo do projeto é o financeiro. Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, o investimento seguirá os moldes da operação Carbono Oculto. Realizada em agosto do ano passado em uma parceria do ministério com a Receita Federal, a Polícia Federal, o Ministério Público e órgãos estaduais, a operação é considerada a maior do país contra organizações criminosas na economia formal. “Essa experiência é exitosa, serve de modelo e de matriz para esse eixo e nos dá a segurança de êxito dessa iniciativa”, disse.
“Hoje, [o crime organizado] não é uma coisa mais de uma favela —aliás, nunca foi da favela”, disse Lula, no evento no Palácio do Planalto. “Muitas vezes, a polícia olha para a favela, mas ele [o crime] está no 15º andar de um apartamento de cobertura, olhando a ação da polícia. Muitas vezes, ele está no meio empresarial, no Poder Judiciário, no Congresso Nacional, no futebol… Ou seja, ele está espalhado por todas as categorias existentes e, hoje, a nível internacional.”
O programa prevê instalar “padrão segurança máxima” nas 138 unidades prisionais “mais sensíveis” nos estados e no Distrito Federal. “O reaparelhamento dessas 138 unidades, com equipamentos de última geração e padronização, seguirá protocolos de segurança semelhantes aos aplicados no sistema penitenciário federal” explicou Lima e Silva. Os presídios, porém, são de administração dos estados.
Também haverá varreduras periódicas para tentar cortar o contato de presos com o lado externo. “Serão realizadas várias operações policiais penais em diversos presídios de todos os estados. Em média, duas a cada mês, com o objetivo de retirar celulares e outros materiais ilícitos.”
Com as ameaças de intervenção dos Estados Unidos no combate às facções criminosas, os presídios entraram ainda mais no radar. “Diferentemente do passado, quando as unidades prisionais eram apenas a ponta do iceberg, hoje elas são o centro, o local onde tudo é formulado e gestado, de onde todas as ordens saem”, afirmou o ministro.













