Richarlison marca golaço na estreia na Copa do Mundo de 2022 contra a Sérvia, com bola na rede considerada a mais bonita do Mundial (Foto: Divulgação / FIFA)
A Copa do Mundo de 2026 marca o início de uma nova era no futebol. Pela primeira vez, o torneio contará com 48 seleções — uma mudança que transforma a dinâmica da competição e projeta números inéditos. Com o salto de 64 para 104 partidas, o recorde absoluto de gols em uma única edição é praticamente uma certeza, repetindo o fenômeno que sempre ocorre após a expansão de participantes. No entanto, o volume total de bolas na rede não garante, necessariamente, um futebol mais vistoso ou uma média de gols mais alta.
Atualmente, o recorde geral pertence à Copa do Mundo do Catar, em 2022, quando as redes balançaram 172 vezes. Já em relação à média, há um teto recente difícil de romper. Os últimos três Mundiais estacionaram no patamar de 2,6 gols por partida: foram 2,68 no Catar; 2,64 na Rússia (2018); e 2,67 no Brasil (2014) — ainda assim, os melhores índices do século 21.
Disparidade técnica
O fator que poderia impulsionar a média de gols em 2026 é a disparidade técnica. O novo formato abre espaço para quatro estreantes e 11 equipes fora do top-50 do ranking da Fifa. Seleções como Cabo Verde, Jordânia, Uzbequistão, Curaçau, Haiti e Nova Zelândia integram esse grupo, por exemplo.
Apesar da chance de placares elásticos, superar a maior média da história das Copas é uma missão difícil. A marca pertence ao Mundial de 1954, na Suíça, que registrou uma média de 5,38 gols por jogo, algo insustentável para a atualidade.
“A média de gols reflete mais os diferentes períodos do futebol. O Mundial de 1954 foi explosivo porque se jogava muito no ataque no pós-guerra. Já 1990 foi muito ruim e 1994 subiu porque refletiu a mudança da regra do recuo para os goleiros”, explicou o colunista e comentarista do UOL, Paulo Vinícius Coelho, o PVC, que não crê em um alto número de “massacres” na primeira fase. “Acho que vamos ter times surpreendendo sendo competitivos, mesmo seleções que não achamos competitivas, como Curaçao e Uzbequistão”, completou.
O espelho do Mundial de Clubes
O termômetro do que pode acontecer na América do Norte veio do Mundial de Clubes da Fifa de 2025. O torneio escancarou como o abismo técnico pune os times de menor tradição: o Auckland City, da Nova Zelândia, sofreu 16 gols diante de rivais europeus, incluindo um sonoro 10 a 0 do Bayern de Munique. Já o Al Ain, dos Emirados Árabes, foi atropelado por Juventus (5 a 0) e Manchester City (6 a 0). A competição terminou com média de 3,1 gols por jogo, bem acima dos padrões das Copas recentes.
Além da fragilidade dos novos concorrentes, o momento dos principais artilheiros do mundo alimenta a esperança de uma Copa ofensiva. Os atletas que atuam na Europa vêm de uma temporada com apetite. A Champions League, principal termômetro do futebol de elite, viu sua média subir de 3,1 para 3,4 gols por partida na última edição.
Recordes intocáveis?
Se a média geral é um desafio, quebrar as maiores goleadas da história do torneio exige uma dedicação ainda maior dos artilheiros. Até hoje, a Hungria domina o topo dos principais massacres: aplicou 10 a 1 em El Salvador (1982) e 9 a 0 na Coreia do Sul (1954). A antiga Iugoslávia completa o pódio histórico com os 9 a 0 impostos ao Zaire, em 1974.
Os húngaros também ostentam o ataque mais avassalador de uma única edição, com 27 gols em 1954. Curiosamente, foi naquela mesma Copa na Suíça que os torcedores testemunharam o jogo com mais gols em todos os tempos: a vitória da Áustria sobre os donos da casa por 7 a 5.
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