Grupos paramilitares pró-regime, os chamados “coletivos”, voltaram a patrulhar as ruas de Caracas. Comandadas pelo ministro do Interior, Diosdado Cabello, essas forças paralelas são usadas para intimidar opositores e sufocar a dissidência.
Segundo relatos de venezuelanos, esses homens andam armados em caravanas de motocicletas e têm se concentrado no oeste de Caracas e na região central, onde estão localizadas as sedes das principais organizações da sociedade civil e de direitos humanos.
Os coletivos também integram postos de controle que foram instalados em diversos pontos da capital, as chamadas “alcabalas”. Segundo relatos, ao passar por esses locais, alguns cidadãos são obrigados a desbloquear seus celulares, e carros são revistados, mesmo em vias de grande circulação.
Uma ativista de direitos humanos, que assim como outros venezuelanos ouvidos pela reportagem pediu anonimato por motivos de segurança, descreve que a capital vive atualmente uma espécie de tensão silenciosa.
Há o que ela chama de “consciência coletiva” da população de que é preciso se resguardar e ter cautela, especialmente após a experiência da dura repressão aos protestos de 2024 que questionaram as eleições presidenciais que reconduziram o ditador Nicolás Maduro ao poder e foram denunciadas por fraude.
Cinco dias após o ataque americano e ainda com muitas pontas soltas sobre o futuro do país, parte do comércio já voltou a funcionar, dando um certo clima de normalidade, ao mesmo tempo em que as pessoas evitam se expor, tomam cuidado com publicações nas redes sociais e procuram ter cautela ao cruzarem com os coletivos.
Esses grupos paramilitares tiveram origem ainda no governo de Hugo Chávez, nos anos 2000. No início, funcionavam como organizações para apoiar paralelamente os governos em diferentes áreas sociais.
Com o tempo, os coletivos passaram a assumir uma função mais repressiva, funcionando como força de vigilância auxiliar, especialmente em momentos de crise. Há denúncias, inclusive em tribunais internacionais, de que os coletivos participaram da repressão dos protestos que eclodiram na Venezuela em 2017 e mataram mais de 50 pessoas.
Noche de terror, de secuestros, la intervenciones en la calle, de detenciones arbitrarias. Perpetradas por los infames colectivos y por los sicarios de Diosdado.
Venezuela necesita que lo difundas
Hasta el final#VenezuelaLibre@cristiancrespoj pic.twitter.com/RupRTVwDV2— Lucia Etxebarria (@LaEtxebarria) January 6, 2026













