
A Amazônia Legal acaba de registrar uma virada histórica na cadeia de financiamento do esporte e da inclusão social. Em 2025, a região atingiu a cifra recorde de R$ 321,08 milhões em projetos autorizados à captação pela Lei Federal de Incentivo ao Esporte, um salto de 62,4% em comparação ao ano anterior. Desse ecossistema em expansão, mais de 20% deste recurso são de organizações esportivas diretamente fomentadas e aceleradas pela Rede CT – Capacitação e Transformação, que entre 2024, ano de seu surgimento, à março de 2026 já facilitou a aprovação de mais de 106 projetos que somam mais de R$ 90 milhões em recursos que podem ser captados e transformarem a realidade da região.
Apesar do recorde recente, os dados históricos revelam um cenário de desigualdades, onde a captação de recursos ainda é um desafio para a Amazônia. De cada R$ 100,00 efetivamente captados em toda a história da lei de incentivo ao esporte (desde 2007) R$ 63,80 ficaram concentrados na região Sudeste. Em contrapartida, mesmo representando 14% da população do país e mais da metade do território nacional, a Amazônia conseguiu reter apenas 3,57% do dinheiro real destinado para organizações esportivas.
A dificuldade de transformar projetos aprovados em patrocínios efetivos produz impactos que ultrapassam o campo esportivo. Em territórios marcados pela vulnerabilidade social e pela oferta limitada de políticas públicas, a falta de acesso a esses recursos impede a continuidade de iniciativas que oferecem a crianças e jovens espaços de convivência, educação, promoção da saúde e fortalecimento da cidadania. Com isso, comunidades inteiras deixam de contar com o esporte como instrumento de proteção social, inclusão e desenvolvimento humano.
O cenário também afeta diretamente as organizações locais. Muitas instituições investem tempo, conhecimento e esforço na elaboração de projetos, conseguem a aprovação pela Lei de Incentivo ao Esporte, mas não encontram patrocinadores para viabilizar as atividades. A dificuldade recorrente de converter autorização para captação em recursos efetivos gera desmotivação, enfraquece as equipes e pode comprometer a continuidade de iniciativas com grande potencial de transformação social.
Formação fortalece organizações e amplia acesso aos recursos do esporte
Criada em 2024 por meio de uma realização conjunta da Rede Igapó e do Instituto Futebol de Rua, com patrocínio master do Itaú e patrocínio da B3 e do Instituto Aegea, a Rede CT – Capacitação e Transformação investe na formação e no fortalecimento institucional de organizações sociais. Por meio de capacitações, mentorias e acompanhamento técnico, a iniciativa prepara essas instituições para elaborar projetos mais consistentes, ampliar sua capacidade de gestão e se tornarem agentes competitivos no cenário nacional de financiamento do esporte.
A atuação contempla a Amazônia Legal, território que se estende por estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, historicamente menos contempladas por essa política pública. Além de facilitar o acesso à Lei de Incentivo ao Esporte, a Rede CT contribui para o amadurecimento das organizações, apoiando desde a estruturação dos projetos até a construção de estratégias de captação e relacionamento com potenciais patrocinadores.
“Quando falamos em democratizar o acesso à Lei de Incentivo ao Esporte, estamos falando também de corrigir desigualdades históricas. A Amazônia Legal tem organizações com enorme potência de transformação social, mas que muitas vezes não acessavam esses mecanismos por falta de apoio técnico, redes de conexão e oportunidades. A Rede CT nasce justamente para aproximar essas instituições dos caminhos de financiamento, fortalecer suas capacidades e garantir que mais projetos da região tenham condições reais de sair do papel”, explica Fernando Salum, diretor da Rede Igapó.
Desde a criação da Rede CT, em 2024, mais de 300 organizações da sociedade civil participaram dos ciclos formativos realizados nos nove estados da Amazônia Legal. Ao todo, a iniciativa alcançou 316 OSCs distribuídas em 75 municípios da região, fortalecendo a capacidade técnica das instituições para elaborar, aprovar e captar recursos para projetos esportivos e educacionais.












