O cachorro sem raça definida, popularmente conhecido como vira-lata, é uma presença comum nos lares brasileiros. Entre os cães que têm tutor no país, 32% são SRDs, segundo pesquisa do Instituto Quaest realizada em 2024.
O Brasil tem cerca de 62,5 milhões de cães, de acordo com dados do setor pet. Em meio a animais de diferentes portes, características e origens, os vira-latas formam uma parcela significativa dessa população e carregam uma história marcada pela mistura genética.
De onde vem tanta mistura?
A formação dos cães sem raça definida está ligada, entre outros fatores, à reprodução entre animais de diferentes origens ao longo das gerações. Sem um controle reprodutivo, essa mistura deu origem a cães com características físicas e genéticas variadas.
Um estudo de DNA que analisou 305 vira-latas de diferentes regiões do Brasil identificou influência de 296 raças na composição genética dos animais avaliados. Entre as raças mais frequentes estavam pastor-alemão, american pit bull terrier, pequinês, spitz alemão e galgo espanhol.
A conhecida pelagem caramelo também apareceu com frequência entre os animais analisados. A coloração esteve presente em até 90% dos cães do levantamento, resultado da combinação de genes relacionados à pigmentação.
A diversidade genética pode, ainda, influenciar a saúde dos animais. A veterinária Haltiane Alves explica que a mistura pode reduzir as chances de algumas doenças hereditárias associadas à transmissão de genes específicos.
“Uma genética variada reduz a chance de o animal herdar duas cópias do mesmo gene alterado, o que é mais comum em raças puras. Isso não elimina o risco de doenças, mas costuma jogar a favor do vira-lata”, explica a especialista.
Isso não significa, porém, que os cães sem raça definida estejam livres de problemas de saúde. Acompanhamento veterinário, vacinação, alimentação adequada e outros cuidados continuam sendo importantes para qualquer animal.













