César Tralli lê editorial da Globo sobre cancelamento de debate - Foto: Reprodução / Globo

A TV Globo cancelou o debate presidencial que seria realizado nesta quinta-feira (1º).

O anúncio do cancelamento ocorreu após uma série de eventos: uma decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral que proibiu a emissora de exibir o púlpito vazio do presidente Lula (PT); uma determinação do STF (Supremo Tribunal Federal) garantindo a presença de Renan Santos (Missão); e, por fim, o cancelamento da participação do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Decisão foi anunciada pouco antes do início do debate

Este seria o último debate entre os candidatos à Presidência antes do primeiro turno, marcado para o domingo (4). Até o início da noite de hoje, as presenças de Flávio Bolsonaro, Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) estavam confirmadas no evento —o senador desistiu horas antes do embate.

Lula já havia confirmado ontem (30) à emissora que não compareceria. Embora a TV Globo tenha convidado o atual presidente —que concorre à reeleição—, sua equipe de campanha recusou o convite. Nos bastidores, conforme mostrou o UOL, cogitava-se uma participação de última hora de Lula, sob a condição de que houvesse um confronto direto com Flávio Bolsonaro (PL).

No comunicado oficial em que anunciou o cancelamento, a emissora destacou seu histórico na realização de debates e criticou as recentes determinações do TSE sobre o evento:

“A Globo tem longa tradição na organização de debates eleitorais. Nosso propósito é promover a discussão de ideias para o Brasil. Oferecer aos eleitores a oportunidade de comparar projetos. Nosso dever é o de promover a democracia.

Mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais.

Por essa razão, a Globo decidiu cancelar o debate desta noite.

A Globo agradece aos demais candidatos e faz esses esclarecimentos em respeito aos eleitores e ao público que esperavam ter a oportunidade de ouvir propostas para o futuro do país.”

Globo cancelou debate presidencial na noite desta quinta-feira, 1º – Foto: Manoella Mello / Globo

Flávio Bolsonaro desistiu da participação na última hora

O senador Flávio Bolsonaro cancelou sua presença na noite de hoje. O parlamentar e candidato publicou sua decisão em seu perfil no X (antigo Twitter) logo após a divulgação da decisão da ministra Estela Aranha, do TSE. A magistrada proibiu a TV Globo de exibir um púlpito vazio para marcar a ausência de Lula.

No mesmo momento, corria a expectativa de que o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinasse a inclusão de Renan Santos no debate — medida que se confirmou logo após o pronunciamento de Flávio.

“Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE. A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas. Em breve mais detalhes.” afirma a Declaração de Flávio Bolsonaro no X.

Paralelamente, Lula concede nesta noite uma entrevista ao Flow Podcast no mesmo horário em que o debate seria transmitido. A participação no programa de entrevistas foi confirmada logo após a campanha do petista recusar o convite para o debate da TV Globo.

‘Debates são infrutíferos’, afirma Lula

“Eu, sinceramente, acho que esses debates são infrutíferos, não produzem nada, não dá sequência. E aí o pessoal começa a fazer gracinha, sabe? Quando você está numa disputa para a presidente da República, é uma coisa mais séria. Você está discutindo o país, está discutindo o povo brasileiro, a soberania brasileira. Você não está discutindo quem vai lacrar”, disse em entrevista ao Flow.

‘Há desespero na campanha de Lula’, diz Flávio

Após cancelar a ida ao debate, Flávio afirmou que a democracia “perde muito” com o cancelamento do debate e criticou Lula.

“Todos podem perceber que há um desespero na campanha de lula, o povo vai dar as respostas no domingo, dê seu voto de intimidação”, disse ele. “Essa insegurança jurídica todos percebem e não é de agora, chegou no seu ápice”, afirmou o senador.

*Com informações de Uol