Mensagens, fotos e documentos guardados por Alexandre Santini, ex-sócio e antigo amigo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), indicam que pessoas próximas ao senador pagaram despesas pessoais e presentes de alto valor para ele. O material foi revelado hoje pelo site PlatôBR.
Entre os registros está a compra de um Rolex Submariner Date de ouro branco por R$ 305 mil. A nota fiscal, de fevereiro de 2022, está em nome do advogado Alan Belaciano.
Segundo o PlatôBR, mensagens obtidas pela reportagem indicam que o relógio foi comprado para Flávio. Belaciano também havia pago mais de R$ 90 mil em equipamentos de academia instalados na casa do senador em Brasília.
À época em que o caso veio a público, Flávio afirmou que a compra havia sido feita por um amigo como um “empréstimo pessoal” que estava sendo quitado. O PlatôBR afirma que pessoas próximas também arcaram com reparos na casa, uma televisão de 75 polegadas e mensalidades de academia.
Mensagem cita Kassio Nunes Marques
Outro trecho do material envolve o ministro Kassio Nunes Marques, do STF. No fim de 2023, durante uma disputa financeira entre Flávio e Santini, o ex-sócio enviou uma mensagem ao senador afirmando saber que ele havia falado diretamente com Kassio para tratar do interesse de um cliente que tinha um processo no gabinete do ministro.
Segundo Santini, o caso era acompanhado por Belaciano e teria havido ainda a marcação de um jantar com participação do chefe de gabinete de Kassio. A reportagem não identifica o cliente ou o processo nem apresenta comprovação independente de que a alegada intermediação ocorreu.
Depois da mensagem, Flávio respondeu no mesmo dia e marcou uma reunião com Santini em seu gabinete. Não há informação sobre o que foi discutido.
Posteriormente, Santini comunicou a interlocutores que a disputa estava encerrada.
Em nota, o gabinete do ministro Kassio Nunes Marques afirmou que o magistrado “atende parlamentares de todos os partidos, que defendem interesses distintos, e isso é praxe entre todos os gabinetes do Supremo, não representando prejuízo para a isenção dos magistrados”.
Disputa por R$ 1,47 milhão
Santini e Flávio foram sócios em uma franquia da Kopenhagen na Barra da Tijuca, no Rio.
Em 2023, Santini recorreu à Justiça para cobrar R$ 1,47 milhão do senador. Alegava divisão desigual dos lucros e despesas da empresa pagas por ele e não reembolsadas. Flávio negou dever dinheiro ao ex-sócio.
Durante a disputa, Santini também guardou mensagens e fotos relativas a encontros privados com garotas de programa. Segundo o PlatôBR, ele mostrou parte do material a Fernanda Bolsonaro, mulher do senador. Depois, Flávio escreveu ao ex-sócio dizendo ter se arrependido de “muitas escolhas erradas” e que não voltaria a errar com sua família. A mensagem não especifica a que episódios ele se referia.
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