Javier Milei concede entrevista durante o Fórum Econômico Mundial - Foto: Reprodução / Bloomberg

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a criticar o presidente Lula (PT) e o chamou de “ladrão” e “corrupto”. As falas do mandatário da Casa Rosada ocorreram em entrevista ao jornal argentino La Nación neste domingo.

Javier Milei voltou a atacar o líder brasileiro ampliando a tensão diplomática entre Argentina e Brasil. Em entrevista, o presidente argentino afirmou que Lula “não é inocente” das condenações na Operação Lava Jato. “Ele foi solto por causa de uma falha processual. Ele não é inocente.”

Em 2021, as condenações foram anuladas pelo STF, e Lula voltou à condição de inocente. A anulação se baseou em dois entendimentos da corte: de que o juiz Sérgio Moro foi parcial, o que comprometeu o direito da defesa a um julgamento justo, e de que os casos tramitaram fora da jurisdição correta. Lula não foi absolvido, do ponto de vista jurídico, porque as condenações contra o líder petista foram cassadas por motivos técnicos e não porque a análise das provas concluiu que elas seriam insuficientes ou provaram sua inocência. O petista ficou preso por 580 dias e teve sua candidatura barrada nas eleições de 2018.

O presidente argentino defendeu suas declarações feitas na convenção do PL e rejeitou as críticas de Brasília. “É muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar”, argumentou Milei, ao comentar sobre a reação do governo brasileiro aos seus ataques.

Milei ainda acusou Lula de interferir politicamente nos países da América Latina. Para o argentino, “se há alguém que interfere politicamente na região, é Lula, contaminando por completo com as ideias imundas do socialismo”. Ele não apresentou provas nem deu exemplos sobre quais seriam essas interferências.

Javier Milei também se queixou de uma suposta assimetria no tratamento dado às ofensas feitas por líderes de esquerda. “Ele fica bravo porque eu disse algo verdadeiro para o Lula. Mas eles omitem os insultos do Lula e dos ministros dele, do Petro, do Evo Morales, do Correa, do Pedro Sánchez e da turma dele. Quando me insultam, tudo bem”, afirmou, citando líderes de esquerda da América Latina.

“O pior é que me acusam com mentiras, e eu respondo com verdades. Eu não menti. Quando respondo com verdades, o Sr. Lula se sente atacado? Ele é um vigarista e um ladrão. É um condenado. Saiu por meio de um recurso administrativo.”

“Eu fui ao Brasil e não ataquei os brasileiros; falei em favor dos brasileiros. Falei sobre Lula, o corrupto, o condenado, e sobre o juiz Alexandre de Moraes, que negou a visita de Bolsonaro” afirmou Javier Milei, presidente da Argentina.

Presidente Lula participa de encontro na ONU que discute a criação do Estado palestino – Foto: Stephani Spindel / EPA-EFE / REX / Shutterstock / BBC News Brasil

Acusações de campanha coordenada

O presidente argentino acusou o governo brasileiro de financiar ações contra seu país. Milei alegou que o Brasil usou dinheiro e influenciadores para impulsionar uma campanha digital contra a Argentina desde a Copa do Mundo.

A suposta articulação contaria com o apoio de governos estrangeiros e da oposição argentina. Conforme a acusação sem provas do mandatário da Casa Rosada, o grupo contava com a ajuda do México, da ala progressista dos EUA, da Espanha e de kirchneristas.

Relembre as falas de Milei e a reação do Planalto

Javier Milei afirmou em São Paulo que confia em Flávio Bolsonaro (PL) para “deter o lixo socialista”. Fala aconteceu na convenção que oficializou o senador como candidato à presidência pelo partido.

Argentino chamou ministro do Supremo Tribunal Federal de “lixo careca”. Ofensa foi dirigida a Alexandre de Moraes, que proibiu uma visita dele ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Sei que Lula se cansou de receber dirigentes do exterior quando estava preso. Entre eles, o nefasto ex-presidente argentino Alberto Fernandez”, afirmou Milei.

“Quem é esse cara?”, declarou Lula. O presidente brasileiro respondeu de forma irônica a jornalistas que lhe questionaram sobre as declarações feitas por Javier Milei.

Geraldo Alckmin classificou os ataques do presidente argentino Javier Milei ao Brasil como “lamentáveis”. O vice-presidente afirmou que Milei presta um desserviço ao próprio país ao se envolver de forma grosseira em assuntos internos brasileiros.

Episódio detonou crise diplomática inédita entre os dois países. Após o episódio, o Itamaraty convocou o embaixador argentino no Brasil para prestar esclarecimentos.

Flávio Bolsonaro elogia Milei

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) elogiou o discurso do presidente argentino, Javier Milei, na convenção do partido em São Paulo. “Milei, parabéns”, afirmou ele durante entrevista ao programa Canal Livre, da Band.

O candidato do PL afirmou que o presidente argentino disse o que “muito brasileiro queria falar”. “Você falou tudo o que muito brasileiro queria falar ali: que o comunismo é esse mal mesmo”, declarou durante entrevista ao programa Canal Livre, da Band. “Ele fez um discurso que não atacou o Brasil. Atacou o comunismo.”

Flávio ainda criticou a diplomacia do governo Lula e afirmou que o Brasil “lambe as botas da China”. Segundo o candidato, a postura do presidente levou os Estados Unidos a impor tarifas ao país. “O Brasil está sendo sancionado por causa dessa falta de habilidade do atual governo e por causa das provocações dele. O Lula trabalhou para que o Brasil fosse tarifado e ele conseguiu.”

*Com informações de Uol