Vista aérea da ilha de Minamitorishima, no Japão - Foto: Reprodução Wikimedia Commons / By Chief Master Sergeant Don Sutherland, U.S. Air Force - (Public Domain)

O Japão descobriu uma ilha que abrigaria mais de 16 milhões de toneladas de terras raras e marcou para fevereiro de 2027 o primeiro teste de mineração em larga escala no fundo do oceano. Toda a região ao redor da ilha de Minamitorishima, 1.900 quilômetros a sudeste de Tóquio, será explorada.

A decisão do governo japonês veio após uma missão que recuperou amostras a cerca de 6 mil metros de profundidade, feito inédito até então. Segundo informações do jornal local Nikkei, as projeções estimam a área como terceira maior reserva de terras raras do planeta.

Em termos de abastecimento, o volume seria suficiente para 780 anos de fornecimento global de ítrio e 730 anos de disprósio. O navio de perfuração Chikyu foi o responsável pela coleta, que extraiu dezenas de toneladas de lama do fundo do mar. Para se ter ideia, cada tonelada dos sedimentos contém cerca de dois quilos de minerais estratégicos.

A primeira-ministra Sanae Takaichi confirmou a presença de ítrio nas amostras, elemento usado em equipamentos de fabricação de semicondutores, em catalisadores e na indústria automotiva. As análises da Jamstec, agência japonesa de ciência marinha, detectaram ainda gadolínio e disprósio.

A corrida por minerais raros vem crescendo entre as superpotências e a China lidera a vanguarda. Segundo a Agência Internacional de Energia, o país asiático é dono de quase dois terços da produção mundial de minerais raros e de 92% do refino global.

Tal dependência virou problema concreto para o Japão em novembro do ano passado, quando declarações de Takaichi sobre Taiwan abriram uma crise com Pequim e o governo chinês impôs restrições pesadas ao fornecimento dos minerais.

Primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi – Foto: Reprodução / Instagram / @takaichi_sanae

Ao confirmar os testes, a primeira-ministra disse que governo e o setor privado atuarão juntos para reduzir a dependência de países específicos. A expectativa da gestão japonesa é validar a produção industrial até março de 2028.

*Com informações de IG