
Com o aumento dos investimentos em tecnologia, as profissões ligadas ao uso de recursos digitais devem liderar o crescimento do emprego no Brasil nos próximos anos, ampliando a demanda por profissionais capacitados e movimentando o setor educacional. Essa tendência estimula a procura por cursos e formações em áreas como inteligência artificial, ciência de dados e engenharia, e se reflete em eventos como a Feira Norte do Estudante, que em 2026 terá programação voltada às profissões do futuro.
O movimento é sustentado pelo avanço dos investimentos em Tecnologia da Informação (TI), que atingiram US$ 67,8 bilhões em 2025, impulsionados pela inteligência artificial, pela computação em nuvem e pela digitalização dos negócios. Na Região Norte, esses investimentos corresponderam a cerca de 4% do total nacional em 2024, aproximadamente US$ 2 bilhões, segundo o estudo Mercado Brasileiro de Software 2026, realizado pela Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) em parceria com a International Data Corporation (IDC).
Esse cenário de expansão explica a necessidade crescente por profissionais especializados, confirmada pela pesquisa “Empregos em Alta” do LinkedIn, divulgada em 2026. O levantamento aponta forte demanda por especialistas em tecnologia, engenharia, ciência de dados e uso intensivo de ferramentas digitais, áreas diretamente ligadas ao desenvolvimento do setor.
O cargo que lidera o ranking é o de engenheiro(a) de inteligência artificial, responsável por criar e implementar sistemas baseados em IA, como modelos de linguagem, que se popularizaram nos últimos anos. Além disso, ganham espaço funções voltadas à análise de dados, confiabilidade, segurança de processos e eficiência energética, que ajudam empresas a reduzir riscos, otimizar operações e tomar decisões mais precisas.
Educação
A demanda no mercado de trabalho já se reflete na educação com o aumento da procura por cursos de inteligência artificial, que cresceram 95% em janeiro de 2026 em relação ao ano anterior, segundo dados da plataforma Quero Bolsa. Além das graduações, MBAs e especializações em IA generativa, os cursos técnicos e livres também registraram alta, mostrando que os estudantes estão atentos às transformações digitais e buscando competências alinhadas às necessidades das empresas.
Para Roneuane Grazielle da Gama Araújo, coordenadora dos cursos de tecnologia do Centro Universitário do Norte (Uninorte) e atuante nas áreas de inovação e soluções tecnológicas, a inteligência artificial deixou de ser apenas uma tendência e se consolidou como realidade presente em praticamente todos os setores da economia.
“Esse avanço tem aberto novas oportunidades de emprego, sobretudo para profissionais que conseguem unir conhecimento técnico com capacidade de análise e resolução de problemas. As empresas buscam cada vez mais pessoas capazes de transformar a tecnologia em ferramenta estratégica para aumentar produtividade, estimular a inovação e fortalecer a competitividade”, explica.
De acordo com a especialista, a área de IA exige uma base sólida em matemática, lógica, programação e análise de dados. Ela ressalta que muitos estudantes acreditam precisar dominar tudo antes de começar, mas o essencial é dar o primeiro passo e aproveitar as diversas oportunidades de aprendizado disponíveis, como cursos gratuitos, projetos práticos, hackathons, eventos tecnológicos e programas de estágio.












