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O 9º Encontro de Estudos sobre Mulheres da Floresta (Emflor) começa nesta quarta-feira, 3 de junho, e segue até sexta-feira, 5 de junho, das 8h às 17h, na sede do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM), em Parintins (a 370 quilômetros de Manaus). O evento reunirá pesquisadoras, lideranças e movimentos sociais para debater os desafios enfrentados pelas mulheres diante das mudanças climáticas, das desigualdades de gênero e das transformações sociais na Amazônia.

Com o tema “As Mulheres, os Feminismos e a Questão Climática”, o congresso nacional promoverá debates sobre os impactos das mudanças climáticas na vida das mulheres amazônicas e os desafios relacionados à justiça social, aos direitos e à equidade de gênero. As inscrições para os minicursos e demais atividades da programação poderão ser feitas no local, mediante o pagamento de uma taxa de R$ 15.

A iniciativa é promovida pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e organizada pelo Grupo de Estudos, Pesquisa e Observatório Social: Gênero, Política e Poder (Gepos), vinculado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“Esta é a primeira vez que o Emflor deixa a capital, Manaus, para ser realizado no interior do Amazonas. A escolha de Parintins ocorreu porque o Gepos identificou a necessidade de ampliar esse debate no município, que apresenta índices preocupantes de violência contra a mulher e feminicídio. A realidade enfrentada por muitas mulheres em Parintins é alarmante e reforça a importância de a universidade voltar seu olhar para o interior do estado, promovendo espaços de diálogo, informação e conscientização sobre direitos. O acesso ao conhecimento é um passo fundamental para que as mulheres possam romper o ciclo da violência”, afirma a professora doutora da UFAM e coordenadora do evento, Iraildes Caldas.

Segundo ela, a programação também dialoga com os debates da COP30 e com as pautas apresentadas pelos movimentos de mulheres nos fóruns preparatórios da conferência climática. Entre os temas em discussão estão justiça climática, racismo ambiental, violência territorial, impactos dos grandes empreendimentos sobre populações tradicionais e os desafios enfrentados por mulheres indígenas, ribeirinhas, quilombolas e agricultoras familiares.

“Esses temas ultrapassam a questão ambiental. Eles envolvem direitos humanos, justiça social e a defesa dos territórios amazônicos. Muitas comunidades enfrentam o racismo ambiental e são expulsas de seus lugares de vida pela pressão de grandes projetos econômicos, pela mineração ilegal, pela grilagem de terras e pela violência contra lideranças locais”, destaca.

Legado para a ciência e para as políticas públicas

Ao longo de suas nove edições, o Emflor consolidou-se como um dos principais espaços de produção e difusão de conhecimento sobre mulheres e gênero na Amazônia. O encontro contribuiu para ampliar pesquisas acadêmicas, fortalecer a presença da temática de gênero nos programas de pós-graduação e ampliar o reconhecimento social e institucional das mulheres amazônidas.

“O Emflor ajudou a retirar as mulheres da Amazônia da invisibilidade. Hoje, elas são reconhecidas por seus saberes, práticas sociais e atividades fundamentais para a vida na região, como agricultoras, pescadoras, parteiras, benzedeiras, quebradeiras de coco, ceramistas, entre tantas outras”, ressalta Iraildes.

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De acordo com a coordenadora, os debates promovidos pelo encontro também contribuíram para influenciar políticas públicas voltadas ao empoderamento econômico e à autonomia das mulheres, além de estimular editais de pesquisa e programas governamentais focados na equidade de gênero.

“O evento tem mostrado ao Estado brasileiro a realidade vivida pelas mulheres da floresta e reforçado a necessidade de políticas públicas capazes de enfrentar desigualdades históricas. Ainda há muitos desafios, mas seguimos construindo caminhos para ampliar direitos, fortalecer a participação social e promover a emancipação das mulheres”, conclui.

O 9º Emflor conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e tem como instituições parceiras o IFAM, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a UFAM, campus Parintins.