Transporte inadequado pode causar problemas no trânsito - Foto: Imagem criada por IA

O transporte inadequado de animais de estimação segue como um problema frequente no trânsito brasileiro e ganhou novo alerta durante a campanha do Maio Amarelo 2026. Práticas comuns, como levar cães e gatos soltos dentro do carro, no colo do motorista ou com a cabeça para fora da janela, aumentam o risco de acidentes e colocam em perigo tanto os ocupantes do veículo quanto os próprios animais.

Dados do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) mostram que, apenas na capital paulista, foram registradas 610 multas em 2024 relacionadas ao transporte irregular de animais. Já nas rodovias estaduais, houve 145 autuações entre janeiro e abril de 2025.

Segundo o médico-veterinário e diretor da Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas, Francis Flosi, o principal problema ainda é a falta de percepção sobre os riscos envolvidos.

“Transportar um animal solto dentro do carro pode parecer algo inofensivo, mas é uma situação de alto risco. Em uma freada brusca, esse animal pode ser arremessado, causar distração ao motorista e contribuir diretamente para um acidente”, afirma.

Embora o Código de Trânsito Brasileiro não tenha uma legislação específica voltada exclusivamente ao transporte de pets, os artigos 235 e 252 preveem penalidades para motoristas que transportam animais na parte externa do veículo ou entre os braços e pernas do condutor.

As infrações podem gerar multas entre R$ 130,16 e R$ 195,23, além da perda de pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Atenção aos sinais de desconforto durante viagens

Mesmo em trajetos curtos, cães e gatos podem apresentar sinais de estresse, ansiedade ou enjoo durante o transporte. Entre os sintomas mais comuns estão choro excessivo, agitação, salivação intensa, vômitos e apatia.

De acordo com Flosi, a observação constante do comportamento do animal é fundamental para evitar situações mais graves ao longo do percurso.

“Todo sinal de desconforto deve ser levado a sério. O responsável pelo animal precisa observar mudanças de comportamento e, sempre que necessário, fazer pausas e garantir o bem-estar durante o transporte. Em alguns casos, a orientação veterinária prévia pode ser fundamental para evitar sofrimento”, orienta.

Nos gatos, o estresse costuma se manifestar de maneira ainda mais intensa e silenciosa. Tremores, vocalização excessiva, respiração ofegante, tentativa de fuga e eliminação involuntária de urina ou fezes podem indicar que o animal não está reagindo bem ao trajeto.

Especialistas recomendam o uso de equipamentos apropriados, como caixas de transporte, cintos de segurança adaptados e assentos específicos para pets.

Além disso, pausas para hidratação e descanso são indicadas em viagens mais longas.

Transporte de animais de produção também exige regras

O transporte de animais de produção, como bovinos, equinos e suínos, segue normas específicas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), por meio da Resolução nº 791/2020.

Entre as exigências previstas estão veículos compatíveis com o porte e peso dos animais, piso antiderrapante, ventilação adequada e identificação com telefone de emergência na parte traseira.

A responsabilidade pelo cumprimento das regras é compartilhada entre motorista, proprietário do veículo e responsável pela carga viva, podendo resultar em penalidades em caso de irregularidades.

Maio Amarelo reforça conscientização no trânsito

Criado a partir de uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2011, o Maio Amarelo é um movimento internacional voltado à redução de acidentes e mortes no trânsito.

No Brasil, a campanha passou a ser realizada em 2014, coordenada pelo Observatório Nacional de Segurança Viária.

A proposta da mobilização é ampliar a conscientização sobre comportamentos de risco e incentivar atitudes preventivas capazes de preservar vidas.

Para Francis Flosi, a discussão sobre segurança viária também precisa incluir os animais de estimação.

“O transporte correto não é apenas uma questão de conforto, mas de segurança. Ele protege o animal, o responsável pelo animal e todos que estão no trânsito. Pequenas atitudes fazem grande diferença e podem salvar vidas”, conclui.

*Com informações de IG