Ebrahim Azizi, ex-comandante da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC), é o atual presidente do comité de Segurança Nacional do parlamento iraniano - Foto: Ebrahim Azizi / X

O Irã não pretende abrir mão do controle sobre o Estreito de Ormuz e quer transformar esse poder em lei, afirmou Ebrahim Azizi, parlamentar e ex-comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, em entrevista à BBC News.

Azizi disse que Teerã vai definir quem pode atravessar a hidrovia e em quais condições. “É nosso direito inalienável. O Irã decidirá sobre o direito de passagem, incluindo as permissões para que embarcações atravessem o Estreito.”

Parlamentar afirmou que a proposta deve ser formalizada no Legislativo e executada pelas Forças Armadas do país. “Estamos apresentando um projeto de lei no parlamento, baseado no artigo 110 da Constituição, que abrange meio ambiente, segurança marítima e segurança nacional. E as forças armadas implementarão a lei”, disse.

Declarações ocorrem em meio à preocupação internacional com a possibilidade de restrições no corredor marítimo. Azizi descreveu o estreito como um ativo estratégico do país após o conflito recente com os EUA e Israel, e indicou que o tema não deve ser tratado como uma crise de curta duração.

Azizi reagiu a críticas de países do Golfo e atacou a presença militar americana na região. “Eles são os piratas que venderam nossa região aos americanos”, declarou, ao comentar bases e estruturas dos EUA no Oriente Médio, que permitiram ofensiva americana na região.

Ele também afirmou que a segurança regional deveria ser tratada em coordenação entre os países do entorno. “Sempre dissemos que precisamos trabalhar juntos para garantir a segurança de nossa região”, declarou.

O parlamentar negou ainda qualquer impressão de desavenças dentro do regime. “Quando se trata de segurança nacional, não existem abordagens moderadas ou radicais.”, afirmou.

Negociações e pressão dos EUA

O futuro do Estreito de Ormuz aparece como um dos pontos centrais de negociações, que podem ser retomadas amanhã. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que enviaria uma delegação chefiada novamente pelo vice-presidente JD Vance, mas o Irã ainda não confirmou sua presença.

Azizi ironizou Trump e rejeitou a acusação de que Teerã tenta chantagear Washington. “Não espero muito de um homem que distorce a verdade. Estamos apenas defendendo nossos direitos diante da chantagem americana.”, disse.

Internet e repressão interna

Azizi também comentou o apagão digital imposto no país nas últimas semanas, sem indicar prazo para o fim da medida. “Quando for seguro, suspenderemos para que o inimigo não se aproveite”, afirmou à BBC.

Questionado sobre prisões e sentenças de morte após protestos nacionais de janeiro, Azizi repetiu a versão do governo de que houve interferência externa. Ele atribuiu os distúrbios à atuação de agências de espionagem dos EUA e de Israel, citadas no texto como CIA e Mossad.

*Com informações de Uol