O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30 - Foto: Isabela Castilho / COP30 Brasil / Divulgação
Em carta divulgada hoje, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, afirma que o combate às mudanças climáticas já não pode mais seguir o ritmo lento da diplomacia tradicional. No documento, a 12ª carta da presidência brasileira, o diplomata sustenta que, após a conferência realizada em Belém, em novembro do ano passado, a Cúpula do Clima da ONU passou a operar sob um novo modelo de negociação.
Segundo Corrêa do Lago, as negociações climáticas agora funcionam em dois níveis. O primeiro segue os protocolos formais da COP, baseados no consenso entre os países. O segundo ocorre fora da agenda oficial, em coalizões de países dispostos a avançar na construção de bases comuns voltadas à implementação de soluções, como o mapa do caminho para a transição energética sem combustíveis fósseis.
O documento foi apresentado em coletiva concedida pelo presidente da COP30 e pela diretora-executiva da conferência, Ana Toni, na manhã de hoje. “Começamos uma nova década de COPs”, afirmou Ana Toni. Segundo ela, a COP30 conseguiu fortalecer o consenso entre os países ao mesmo tempo em que impulsionou iniciativas mais próximas da execução, como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês).
O mapa do caminho para a transição energética longe dos combustíveis fósseis está com “estrutura adiantada”, segundo Corrêa do Lago. Trata-se de um conjunto de informações e algumas recomendações para que cada país possa planejar como irá fazer a transição energética. “Estamos muito adiantados na estrutura e estamos contactando os principais interlocutores”, disse o presidente da COP30. “Estamos muito conscientes de vão julgar a COP30 com o [resultado do] mapa do caminho, ainda que não seja um mandato [da conferência]”.
A proposta foi apresentada inicialmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e chegou a ser discutida para inclusão na pauta oficial da COP, mas não avançou em Belém.
Em sua carta, o presidente menciona o orixá Ogum para apontar que é tempo de forjar um novo multilateralismo. “Para acompanhar o ritmo do aquecimento global, o multilateralismo precisa aprender a operar em mais de uma velocidade institucional — tornando-se um multilateralismo de dois níveis. Como evocam a tradição afro-brasileira e a sabedoria iorubá por meio da figura de Ogum, o ferreiro, os momentos de transição não são aqueles em que o ferro se quebra, mas quando é colocado na forja. O multilateralismo climático chegou a esse momento.” Segundo a tradição afro-brasileira, é um dos orixás que regem o ano de 2026.
Segundo a tradição afro-brasileira, Ogum é um dos orixás regentes de 2026. A carta reconhece a crise do multilateralismo, mas reforça que abandoná-lo não é uma opção. O termo refere-se ao modelo de cooperação internacional entre países com interesses distintos, base das negociações no âmbito da ONU. Um dos fatos que têm levado a essa crise é o movimento expansionista dos EUA, com ações como a captura de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, e a tentativa de controlar a Groenlândia.
A carta mostra ainda que Corrêa do Lago segue articulando avanços nos temas mais espinhosos da COP30, como a transição energética e o combate ao desmatamento. O “mapa do caminho” busca justamente orientar os países na implementação dessas duas frentes consideradas centrais para a agenda climática global.
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