Aliados de Tarcísio de Freitas (Republicanos) atribuem a um mal-estar com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a decisão do governador de adiar a visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha, marcada para amanhã.
Para aliados, declaração de Flávio causou desconforto a Tarcísio. Após confirmar a jornalistas que encontraria Bolsonaro, o governador recuou depois de o senador dizer ao jornal O Globo que Tarcísio ouviria do ex-presidente que “eleições presidenciais estão descartadas para ele” e que a reeleição do ex-ministro em São Paulo é “fundamental” para a estratégia de derrotar o PT.
Atitude de Flávio foi uma “deselegância” com Tarcísio, disse líder do centrão próximo ao governador. Esta liderança afirmou também que Tarcísio adiou a visita por “cautela” e teria recomendado a ele que esperasse um outro momento para encontrar o ex-presidente.
Lideranças do centrão recomendam que governador “não entre de cabeça” agora na campanha de Flávio. Eles dizem que o Tarcísio deve esperar até abril para decidir em que termos se dará este apoio. O adiamento da visita a Bolsonaro seria também uma forma de postergar o compromisso de apoio ao senador. Ainda não há nova data para o encontro com o ex-presidente na Papudinha.
Desconforto tem a ver com cenário eleitoral deste ano. Embora diga que vai concorrer à reeleição em São Paulo, o governador fez movimentações de quem busca ser candidato. Além disso, ele é pressionado por parte do centrão e do mercado financeiro a disputar a corrida presidencial.
A ausência de um apoio enfático à pré-candidatura de Flávio é outro sinal. Até o momento, Tarcísio não demonstrou um apoio ativo ao senador e este movimento também é visto como uma sinal de que o governador não desistiu de concorrer ao Planalto. A omissão ainda alimenta os movimentos do centrão e do mercado financeiro.
Aliados viram declaração de Flávio como tentativa de “enquadrar” o governador. Seria um recado do senador para que Tarcísio recue de movimentações visando a corrida presidencial e foque na reeleição em São Paulo para dar palanque forte à candidatura de Flávio no estado, o maior colégio eleitoral do país. Na visão de um aliado de Bolsonaro, houve “inabilidade política” do filho do ex-presidente.
Fala de senador teria como pano de fundo disputa entre filhos e Michelle Bolsonaro (PL). A ex-primeira-dama repostou um vídeo do governador com críticas ao presidente Lula (PT) e o ato foi visto como indicativo de que ela rejeita a candidatura de Flávio e se movimenta para ser vice de Tarcísio em uma possível disputa presidencial.
Nas imagens, o governador usou tom eleitoral. Michelle também curtiu comentário da esposa de Tarcísio, Cristiane, que dizia e o Brasil precisa de um “novo CEO, meu marido” —para alguns, a frase remetia a uma indicação de Tarcísio como candidato à Presidência, para outros, o termo foi usado como vocativo. O governador e Michelle também protagonizaram recentemente uma dobradinha junto a ministros do STF para conseguir prisão domiciliar para Bolsonaro.
Bolsonaristas criticam
Aliados do ex-presidente viram a atitude de Tarcísio com críticas e desconfiança. Um deputado bolsonarista ironizou a justificativa do governador de que adiaria a visita por “cumprimento de compromissos em São Paulo”. “O que seria mais importante e tão inadiável no momento?”, questionou este parlamentar. Um outro bolsonarista disse que se voluntaria para visitar Bolsonaro no lugar de Tarcísio.
Para uma liderança bolsonarista, Tarcísio está metendo “os pés pelas mãos”. Na avaliação deste aliado de Bolsonaro, o governador precisa “sair de cima do muro” e decidir ao que vai concorrer este ano. Ainda segundo ele, uma “traição” ao ex-presidente não seria perdoada nem mesmo por eleitores não-bolsonaristas.
Líder da oposição na Câmara dos Deputados afirmou que tudo não passa de “especulação”. “Vamos aguardar os próximos capítulos”, declarou o deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB) à reportagem.
Uma possível de candidatura de Tarcísio é mal vista por grupo conhecido como “bolsonarismo raiz”. São políticos e aliados que afirmam que a direita já tem um nome a ser defendido em 2026, no caso, o de Flávio, e dizem que o governador de São Paulo tem mais acenos ao centro do que ao bolsonarismo.
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