A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) - Foto: Andressa Anholete / Agência Senado

A senadora evangélica Damares Alves (Republicanos-DF) disse que a CPMI do INSS identificou a participação de “grandes igrejas” no esquema de descontos ilegais dos aposentados. A declaração foi criticada pelo pastor Silas Malafaia, que chamou a senadora de “linguaruda”.

Possível participação de igrejas “machuca muito”, apontou Damares. “Quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade: ‘não falem, não digam, não investiguem, porque os fiéis vão ficar muito tristes'”, afirmou. A declaração ocorreu durante entrevista ao SBT News, no último domingo.

Depois da repercussão, a senadora disse que as informações são públicas e foram discutidas na comissão. No texto, a senadora reforça que o possível envolvimento de entidades religiosas “causa profundo desconforto e tristeza”. “Ainda assim, a CPMI tem o dever constitucional de apurar os fatos com responsabilidade, imparcialidade e base documental”, afirma.

Malafaia cobrou que a senadora apresente provas e os nomes das igrejas. “Ou a senhora dá os nomes ou a senhora é uma leviana linguaruda”, disse o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, em vídeo publicado nas redes sociais.

Damares declarou que apenas mencionou o que foi apurado na CPMI do INSS. A senadora ainda enviou uma nota com dez situações encontradas pela comissão que envolvem evangélicos e igreja.

Preso hoje, o cunhado do dono do Banco Master é pastor. Ele frequentava a Igreja da Lagoinha, bastante popular em Minas Gerais, e foi alvo de pedido de depoimento na CPMI que acabou não votado.

Segundo Malafaia, a liderança evangélica do país “está indignada” com a postura “covarde e vergonhosa” da senadora. O pastor disse ainda que não vai passar a mão na cabeça de ninguém, mas que Damares deve apresentar provas.

“Nós estamos identificando igrejas nos esquemas de fraudes aos aposentados. E quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade: ‘Não falem, não digam, não investiguem, porque os fiéis vão ficar muito tristes’.” afirmou Damares Alves, senadora, em entrevista ao SBT News.

O pastor Silas Malafaia – Foto: Reprodução

“Se já não bastassem Satanás e os ímpios que nos odeiam para nos caluniar, vem alguém dita evangélica e traz uma denúncia dessa gravidade sem dar nomes? [….] A senhora guarde sua língua e, se não tem os nomes, cale a boca. Se tem, denuncie para o bem da igreja evangélica.” afirmou Silas Malafaia, pastor.

Malafaia acumula desafetos

A discussão reacendeu uma rixa de Malafaia com Damares. Desde a montagem das alianças para a corrida presidencial de 2022, o pastor dirige afirmações duras à senadora.

Malafaia é bastante ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Já a senadora é próxima da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ou seja, a disputa envolve nomes da cúpula bolsonarista e repercute entre toda a base política e a militância.

A postura combativa e o uso de palavrões está desgastando Malafaia. Pastores e deputados não concordam com a postura ofensiva de xingar lideranças por discordar delas.

O vocabulário e as atitudes não são considerados exemplos. A situação ficou evidente na eleição da presidência da Frente Parlamentar Evangélica, quando parlamentares não esconderam a condenação ao comportamento de Malafaia.

Damares é criticada por ser considerada progressista. A ala mais conservadora reclama de ela mencionar pessoas trans, sugerir projetos para proibir perfis anônimos nas redes sociais para proteger crianças e outras posturas.

*Com informações de Uol