Especialista orienta sobre os cuidados no socorro e alerta para o fato de que qualquer um pode passar por esse tipo de situação - Foto: Instagram
A saída do ator Henri Castelli do Big Brother Brasil 26, depois de apresentar dois episódios de convulsão dentro da casa, trouxe para o centro do debate um tema de interesse coletivo: como prestar ajuda correta em situações de emergência semelhantes. A ampla repercussão do caso tem contribuído para esclarecer dúvidas sobre ocorrências que podem surgir de forma repentina, em diferentes ambientes do cotidiano.
De acordo com o professor Amândio Medeiros, médico com atuação em Medicina de Emergência e docente da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Manacapuru, esse tipo de episódio é provocado por uma alteração súbita na atividade elétrica do cérebro, capaz de gerar contrações involuntárias, rigidez muscular e, em alguns casos, perda de consciência. “É uma situação que costuma causar apreensão em quem presencia, mas manter a calma é essencial para que a ajuda seja eficaz”, explica.
O especialista ressalta que, apesar da imagem impactante, a maior parte dos episódios tem duração curta e se resolve espontaneamente, geralmente em até cinco minutos. “Nessas circunstâncias, o mais importante é aguardar o término e adotar cuidados simples para evitar agravamentos”, orienta.
Entre as medidas indicadas estão conduzir a pessoa para um local seguro, protegê-la contra quedas e batidas — especialmente apoiando a cabeça –, colocá-la de lado para facilitar a respiração e reduzir o risco de engasgo, além de afrouxar roupas apertadas na região do pescoço. Também é fundamental acionar o serviço de emergência e permanecer ao lado até a chegada do socorro.
Medeiros chama atenção para atitudes equivocadas ainda bastante comuns. “Não se deve tentar conter os movimentos nem colocar objetos ou os dedos na boca da pessoa. Essas práticas não impedem engasgos e podem provocar lesões graves”, alerta. Ele também desaconselha oferecer líquidos, alimentos ou medicamentos enquanto houver alteração do nível de consciência.
O médico destaca que um episódio isolado não caracteriza, necessariamente, epilepsia. Situações como febre alta, infecções, alterações metabólicas, desidratação, privação de sono, uso ou abstinência de álcool e drogas, além de traumas na cabeça, podem desencadear esse tipo de manifestação. “Ao longo da vida, qualquer indivíduo pode vivenciar um evento desse tipo, mesmo sem diagnóstico prévio de doença neurológica”, afirma.
A procura por atendimento médico imediato é indicada quando o episódio ultrapassa cinco minutos, se repete em curto intervalo, ocorre pela primeira vez ou quando a pessoa apresenta dificuldade para retomar a consciência. “Nesses casos, o acionamento do serviço de emergência é indispensável”, reforça.
No ambiente hospitalar, o cuidado envolve prevenir novos ferimentos, garantir uma respiração adequada e manter monitorização contínua. Quando necessário, são utilizados medicamentos para interromper o quadro e reduzir o risco de recorrência, sempre conforme a causa identificada e a avaliação clínica.
Casos de grande exposição pública, como o ocorrido no reality show, ampliam o alcance do debate e reforçam a importância da informação correta. “Conhecer essas orientações é uma medida de utilidade pública e pode evitar complicações graves, mas é essencial também investigar e tratar a causa do episódio”, conclui o professor Amândio Medeiros.