Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, Janja Lula da Silva, Presidente da França Emanuel Macron e Brigitte Macron na Torre Eiffel iluminada com as cores do Brasil - Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou estar disposto a assinar o acordo comercial UE-Mercosul até “o final do ano” se mudanças forem incluídas para proteger os agricultores europeus, em declarações à GloboNews.
A entrevista foi gravada na quinta-feira, após seu homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, tê-lo incentivado, durante uma coletiva de imprensa conjunta, a “abrir o coração” ao acordo e concluí-lo durante a presidência brasileira do Mercosul, no segundo semestre de 2025.
Sob pressão de seus agricultores, que pedem uma rejeição “firme” ao acordo comercial, Macron o considerou “bom para muitos setores” no atual contexto de tensões comerciais devido às tarifas de Donald Trump.
No entanto, defendeu a inclusão de “cláusulas de salvaguarda e cláusulas-espelho” no acordo para proteger o setor agrícola europeu da concorrência dos agricultores sul-americanos, que têm normas de produção consideradas mais competitivas.
Questionado pela GloboNews se estaria “disposto” a assinar o pacto até o final do ano caso o Mercosul concorde em incluir essas mudanças, Macron respondeu: “Sim, porque convenceremos nossos agricultores e camponeses de que este acordo é bom para eles”.
“Sou a favor de um protocolo adicional que permita cláusulas-espelho ou cláusulas de salvaguarda, que de alguma forma conciliem os nossos interesses”, explicou o presidente na entrevista subsequente no Palácio do Eliseu.
Segundo Macron, os agricultores europeus têm normas mais rígidas sobre o uso de produtos fitossanitários, portanto, se os países do Mercosul quiserem exportar seus produtos agrícolas para a UE, devem cumprir “as mesmas regras”.
Além dessas “cláusulas-espelho”, um protocolo deve permitir “a ativação de uma cláusula de salvaguarda” para determinados setores caso o comércio acabe “desregulamentando repentinamente o mercado”, acrescentou.
A Comissão Europeia, que negocia em nome da UE, alcançou um acordo comercial em dezembro com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, mas ainda não definiu qual mecanismo adotará para sua aprovação e ratificação pelo lado europeu.
Se ratificado, a UE, maior parceiro comercial do Mercosul, poderá exportar com mais facilidade carros, máquinas e produtos farmacêuticos, enquanto o bloco sul-americano poderá exportar mais carne, açúcar, soja, mel e outros produtos para a Europa.
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