Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela - Foto: Maxim Shemetov / Reuters
Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, visitou hoje feridos nos ataques do último sábado e criou uma comissão pela liberação de Nicolás Maduro, preso em Nova York.
Delcy foi ao hospital militar Carlos Arvelo, em Caracas. De acordo com a AVN (Agência Venezuelana de Notícias), a presidente esteve no local em companhia de Vladimir Padrino López, vice-presidente setorial de defesa e soberania.
Autoridades se reuniram com funcionários afetados pela ofensiva. Ontem, o jornal The New York Times divulgou que 80 pessoas morreram no sábado. Hoje, o governo de Cuba confirmou a morte de 32 militares que atuavam em território venezuelano.
Delcy criou comissão para liberação de Maduro. O grupo é presidido por Jorge Rodríguez Gómez, presidente da Assembleia Nacional venezuelana, e conta também com o chanceler Yván Gil e Freddy Ñáñez, vice-presidente setorial de comunicação, cultura e turismo do país.
Objetivo da comissão será “coordenar ações estratégicas no contexto da crise gerada pelos ataques de 3 janeiro”. Além da liberação de Maduro, o grupo também trabalhará pela soltura da primeira-dama Cilia Flores.
Comissão para garantir “soberania alimentar e abastecimento” também foi criada. Segundo a AVN, a criação do grupo pelo governo se deveu ao momento de “especial vulnerabilidade” do país.
Maduro diz ser inocente diante de tribunal: ‘Sou decente’
Ao juiz Alvin K. Hellerstein, Maduro se identificou, em espanhol, como “presidente da República da Venezuela”. Na sequência, afirmou que havia sido “sequestrado”.
“Sou inocente, não culpado. Sou um homem decente”, disse Maduro, ao ser questionado sobre como se declarava pelo juiz. Seu advogado afirmou na sequência que ele se declarou inocente de todas as quatro acusações contra ele (veja quais mais abaixo).
Esposa de Maduro também se declarou inocente. “Não sou culpada, sou completamente inocente”, afirmou ao juiz. Assim como o marido, ela dispensou a leitura das acusações diante do tribunal pelo juiz. Ambos afirmaram que tiveram acesso ao indiciamento pela primeira vez hoje.
Advogado disse que o ditador tem “problemas de saúde”. A primeira audiência ocorreu na tarde de hoje no Tribunal do Distrito Sul de Nova York.
A defesa alegou, ainda, que Cilia sofreu ferimentos durante a prisão. Sem dar mais detalhes sobre os problemas, os advogados relataram que ambos vão “precisar de atenção”.
Ataques e prisão de Maduro
Explosões e sobrevoo de aviões foram ouvidos na capital venezuelana e outros três estados nas primeiras horas de sábado. Fortes bombardeios foram ouvidos, de acordo com relatos de jornalistas na capital venezuelana.
Maduro e a esposa foram detidos em “questão de segundos” e não tiveram tempo de reagir. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse ao canal norte-americano Fox News que acompanhou a operação de sua mansão em Mar-a-Lago, na Flórida, e que “foi como assistir a um programa de TV”.
O venezuelano tentou “chegar a um lugar seguro”, mas não conseguiu, de acordo com o norte-americano. O presidente declarou que Maduro “chegou à porta, mas não conseguiu fechá-la”.
Pouco antes de falar com a imprensa, Trump publicou uma foto de Nicolás Maduro, que teria sido tirada após a prisão. Nela, o venezuelano aparece de óculos e abafadores de ruído, segurando uma garrafa, dentro do navio norte-americano USS Iwo Jima. Antes, a vice-presidente do país latino, Delcy Rodriguez, havia pedido uma prova de vida do casal venezuelano após denunciar o ataque.
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