Um dos pilares do desenvolvimento sustentável na Amazônia, a pesca do pirarucu de manejo ajuda não só a conservar a espécie como aumenta a renda e a qualidade de vida das populações. O lucro da comercialização do peixe para grandes frigoríficos é usado por pescadores para investir em energia solar – uma alternativa sustentável ante à falta de eletricidade nessas regiões.
É o caso da Comunidade do Cordeiro, às margens do Rio Auti Paraná, há duas horas de voadeira da sede do município de Fonte Boa (a 680 km de Manaus). Lá, quatro placas solares já estão em funcionamento e outras à espera de instalação.
“Com o dinheiro do pirarucu cada um compra as suas coisinhas, seus objetos”, explica Aldemir Freitas de Lima, 51, ao mostrar duas placas de energia solar em vias de serem instaladas na residência dele.
Situada dentro da Reserva Extrativista Auati-Paraná, na região do Médio Rio Solimões, a comunidade tem cerca de 200 moradores e eletricidade apenas no período das 18h às 22h, vinda de uma pequena termelétrica comunitária a diesel.
O pescador João Alves Flores, de 60 anos, é um dos que possui energia solar em casa. “Esse ano, eu tenho fé em Deus, que com o dinheiro da pesca vou colocar (o sistema de energia solar) para funcionar 24 horas, ainda não é”, diz. Ele explica que consegue fazer a gestão do equipamento. “É bem consumido aqui, eu sei controlar conforme o técnico ensinou”.
Os sistemas isolados e autônomos de energia solar têm, em média, um custo que pode variar de R$ 11.000 a R$ 15.000, incluindo os painéis e as baterias de armazenamento. A fonte limpa e renovável permite que os pescadores usufruam de aparelhos de TV, freezers, batedores de açaí e outros eletrodomésticos.
De geração em geração
A pesca é uma tradição cultural na Comunidade do Cordeiro e a principal fonte de renda dos pescadores. A atividade envolve planejamento, vigilância e contagem das espécies, respeitando as regras de manejo determinadas por órgãos de controle e pela própria comunidade.
Depois de pescado, o peixe é transportado e vendido para a Frigopesca, um dos maiores frigoríficos da região Norte, que tradicionalmente adquire pirarucu de reservas legalizadas ou áreas de manejo regulamentadas pelo Ibama.














