A fala de Lula, apesar de se dar na conferência sobre mudanças climáticas no Egito, mira a discussão econômica mais importante que ocorre nesta semana no Brasil. Na quarta-feira (16), o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), após semanas de negociação,
apresentou a minuta da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Transição, na qual há a proposta de retirar o programa Bolsa Família do teto de gastos de forma permanente.
A medida é considerada necessária para evitar um apagão social no ano que vem, já que a proposta de Orçamento enviada em agosto pelo governo Jair Bolsonaro (PL) assegura apenas um valor médio de R$ 405,21 para os beneficiários, além de impor cortes severos nas verbas para a habitação e no Farmácia Popular.
Durante as campanhas presidenciais, tanto Lula quanto Bolsonaro prometeram valores maiores para os beneficiários.
Nesta quinta-feira, Lula terá ainda um encontro com lideranças indígenas na COP27 às 10h (do Brasil; 15h pelo horário do Egito). Ele fará também reuniões com o ministro do Meio Ambiente da Noruega, Espen Barth Eide, e com a ministra das relações exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock.
Ambos os países são doadores do Fundo Amazônia, que deve ser destravado depois da posse de Lula.
Lula está em Sharm el-Sheikh desde a madrugada da terça-feira. No primeiro dia na cidade, fez reuniões a portas fechadas com os enviados especiais do clima de China e Estados Unidos.
Já nesta quarta-feira (16), em encontro com governadores da Amazônia, anunciou que pedirá à ONU para que o Brasil sedie a COP30, em 2025. Além disso, em seu primeiro discurso internacional desde a eleição, cobrou recursos de países ricos para que o planeta enfrente a crise climática e disse que o tema será prioridade na nova gestão.
*Com informações de Folha de São Paulo