O presidente ucraniano Volodimir Zelensky durante uma reunião da Comunidade Política Europeia, em Budapeste - Foto: Atila Kisbenedek

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, disse ontem que não é um obstáculo à paz, rebatendo os comentários feitos um dia antes pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Também falamos sobre o trabalho diplomático com a América -a Ucrânia nunca foi e nunca será um obstáculo à paz”, disse Zelensky em seu discurso noturno em vídeo, referindo-se a uma conversa telefônica com o secretário-geral da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte.

Trump, entrevistado pela Reuters na quarta-feira, disse acreditar que a Ucrânia estava menos preparada do que a Rússia para fechar um acordo.

Perguntado por que as negociações lideradas pelos Estados Unidos ainda não haviam resolvido a guerra de quase quatro anos, Trump respondeu: “Zelensky”.

Em seus comentários, Zelensky disse que os contínuos ataques da Rússia às instalações de energia ucranianas e a outros alvos demonstraram que Moscou não quer a paz.

“São precisamente os mísseis russos, os ‘Shaheds’ (drones) russos e a tentativa da Rússia de destruir a Ucrânia que são evidências claras de que a Rússia não está interessada em acordos de forma alguma”, disse ele.

Em Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a Rússia concordou com Trump que Zelenskiy estava impedindo um acordo, dizendo que o presidente russo, Vladimir Putin, e o lado russo continuam abertos a conversações.

Zelensky prometeu que a Ucrânia buscaria esforços diplomáticos de forma mais ativa.

Trump disse à Reuters na quarta-feira que acredita que Putin está “pronto para fazer um acordo”.

“Acho que a Ucrânia está menos disposta a fazer um acordo”, disse.

Trump e Zelensky têm tido uma relação de altos e baixos ao lidar com os esforços para resolver o maior conflito terrestre da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Em fevereiro de 2025, Trump e o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, envolveram-se em uma discussão aos gritos com Zelenskiy no Salão Oval da Casa Branca, sugerindo que o líder ucraniano não estava demonstrando gratidão pela ajuda dos EUA.

As interações entre os dois líderes pareceram melhorar em reuniões posteriores.

*Com informações de Uol