O presidente dos EUA, Donald Trump - Foto: Andrew Caballero-Reynolds / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse hoje que precisa estar envolvido na escolha do próximo líder do Irã, assim como fez na Venezuela. Declaração foi em entrevista ao site americano Axios.

Declaração é feita em um momento em que líderes do Irã se reúnem para escolher o líder supremo. Sucessor será definido para o lugar do aiatolá Ali Khamenei, morto nos ataques coordenados de EUA e Israel.

O principal cotado para a função é Mojtaba Khamenei, segundo filho de Ali Khamenei. Trump, no entanto, desaprova a opção. “O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã”, disse Trump ao Axios.

Trump diz que se recusa a aceitar um novo líder iraniano que dê continuidade às políticas de Khamenei. Segundo o republicano, caso isso acontecesse, os EUA seriam forçados a voltar à guerra “em cinco anos”.

Regime iraniano elegeu um aiatolá interino para conduzir a substituição de Khamenei. Alireza Arafi foi eleito para comandar o processo de escolha do novo líder supremo do país, que vive sob um regime teocrático.

Israel diz que matará novo líder supremo do Irã

A escolha do novo líder supremo do Irã também foi ameaçada por Israel. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou que o próximo líder supremo do Irã será assassinado, independentemente de quem seja escolhido para o cargo.

Katz disse que o próximo aiatolá iraniano será morto em defesa do que chamou de “mundo livre”. “Qualquer dirigente eleito pelo regime terrorista iraniano para continuar liderança o plano de destruição de Israel, ameaçando os EUA, o mundo livre, os países da região e reprimindo o povo iraniano, será alvo de assassinato. Não importa seu nome, nem onde ele se esconda”, declarou em postagem nas redes sociais.

Israel e EUA têm feito ataques com o intuito de destruir todas as principais lideranças do Irã. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que 48 líderes iranianos foram mortos desde o final de semana, mas não especificou hierarquias e cargos ocupados. Também não há registros de atentados contra o possível sucessor de Ali.

Foto aérea mostra sepulturas sendo preparadas para crianças mortas em ataque a uma escola primária em Minab, no Irã – Foto: Divulgação / Centro de Imprensa Iraniano via AFP

A Força Aérea de Israel declarou ter lançado 5 mil bombas contra o Irã desde o início dos ataques. “Os caças da Força Aérea continuam a consolidar a superioridade aérea em todo o Irã, com ênfase na região de Teerã”, declarou a Força Aérea israelense no X.

Regime iraniano elegeu um aiatolá interino para conduzir a substituição de Khamenei. Alireza Arafi foi eleito para comandar o processo de escolha do novo líder supremo do país, que vive sob um regime teocrático.Sexto dia de ataques.

Os ataques dos exércitos dos EUA e de Israel contra o Irã se intensificaram hoje, no sexto dia da guerra. Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana atacou uma base militar norte-americana no Iraque, além de danificar um petroleiro com bandeira americana.

Bombardeios realizados contra o Irã “foram intensos”. “Hoje está pior do que ontem. Não temos para onde ir. É como uma zona de guerra”, reportou um morador de Teerã à agência de notícias Reuters.

Ataques têm se concentrado na capital Teerã e tem crescido o número de mortos no país. Em menos de uma semana de guerra, os ataques de Israel e EUA já mataram 1.230 iranianos, segundo reportou a Irna, agência oficial de notícias do país. Ontem, os mortos eram 1.045 — a maior parte das vítimas são civis, incluindo dezenas de crianças.

Em meio às investidas israelenses e americanas, o regime iraniano adiou o velório de seu líder supremo, Ali Khamenei, assassinado no primeiro dia da guerra. Adiamento do cortejo fúnebre se deu por temores de um ataque à multidão, disse a Reuters. As cerimônias fúnebres de líderes políticos e religiosos xiitas, especialmente aqueles considerados mártires, são conhecidas por demonstrações públicas de paixão, ressaltou a agência.

EUA planejam provocar uma guerra civil no Irã como forma de derrubar a teocracia que governa o país. A ideia original era gerar revolta popular com a morte de Khamenei, o que não ocorreu. Para evitar um conflito interno, a República Islâmica atacou separatistas.

Ontem, os EUA atingiram um navio de guerra do Irã na costa do Sri Lanka. O ataque deixou pelo menos 87 pessoas mortas e dezenas de feridos. O regime iraniano prometeu se vingar.

Irã revida ataques

Exército da República Islâmica tem mirado bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Dessa vez, o regime iraniano disse ter lançado drones contra uma base dos EUA em Erbil, no Iraque. Não há registros de feridos.

Binyamin Netanyahu – Foto: Picture alliance / GettyImages

Irã também bombardeou um petroleiro com bandeira dos EUA na costa do Golfo Pérsico. O ataque provocou vazamento de óleo e gerou sinais de alerta.

Pela primeira vez desde o início da guerra, o Irã uniu forças ao Hezbollah em um ataque contra Israel. O regime iraniano e o grupo libanês dispararam contra o território judeu na madrugada de hoje no horário local, o que provocou diversas explosões. Até o momento, não há registros de feridos.

Paralelamente ao confronto contra o Irã, Israel também batalha contra o Hezbollah. Desde o começo deste semana, as tropas de Benjamin Netanyahu têm atacado o Líbano sob o pretexto de caçar “terroristas do Hezbollah”, em investidas que já causaram dezenas de mortes de civis libaneses e provocaram uma debandada da população da capital Beirute.

*Com informações de Uol