El Niño - Foto: Nasa

O pico histórico de aquecimento do El Niño coloca o Brasil diante de dois cenários climáticos simultâneos. Enquanto a Região Norte enfrenta o agravamento de uma seca severa, com rios em níveis baixos, o Centro-Sul do país entra em alerta para tempestades frequentes e acumulados de chuva de até 500mm, aumentando o risco de enchentes.

Para medir a força do fenômeno, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), órgão estadunidense, passou a utilizar o Índice Oceânico Niño Relativo (RONI), que compensa o aquecimento geral dos oceanos tropicais e aponta uma anomalia de +2,5 ºC, sinalizando um El Niño mais forte. Na Região Niño 1+2, junto às costas do Peru e do Equador, o desvio atinge +5,2 ºC, caracterizando um El Niño Costeiro de força histórica para essa época do ano.

Nesta primavera, nas faixas do Oeste do Paraná, Oeste de Santa Catarina e Noroeste do Rio Grande do Sul, os acumulados de chuva devem alcançar entre 300 mm e 500 mm nos próximos 30 a 45 dias, o que agrava o risco de cheias e inundações em grandes rios como o Uruguai, o Paraná e o Iguaçu.

Os três estados do Sul brasileiro enfrentam o cenário mais crítico de chuva excessiva, especialmente no Norte e Noroeste gaúcho e na faixa oeste catarinense e paranaense.

Em Mato Grosso do Sul e em São Paulo, a tendência indica volumes de precipitação consideravelmente acima da média climatológica.

Em Minas Gerais e em Mato Grosso, a avaliação meteorológica aponta que deve chover mais do que o projetado pelos modelos europeus no estado mineiro, enquanto o indicativo de excesso de chuva para Mato Grosso é considerado duvidoso.

Na Região Norte, o El Niño atua de forma oposta, reduzindo as chuvas e elevando as temperaturas acima da média. Isso acelera a evaporação da água e agrava a seca, prejudicando a navegação e o abastecimento de comunidades locais.

O Leste do Amazonas, Roraima, Pará, Acre e Rondônia, sofrem com forte déficit de chuva e rios em níveis criticamente baixos.

Já o Oeste do Amazonas e Amapá apresentam comportamento diferente, com a chuva aumentando de forma gradual ao longo das próximas semanas.

*Com informações de IG