
Sem uma “mobilização mundial” pelo clima, o mundo caminha para um aumento de 3,1ºC na temperatura ao longo deste século em relação à era pré-industrial, alerta o Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2024, divulgado nesta quinta-feira (24) pelo Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), a menos de um mês da COP29 no Azerbaijão. “Um aumento de tal magnitude provocaria consequências incapacitantes para as pessoas, o planeta e as economias”, diz o documento.
Precisamos de uma mobilização mundial a uma escala e a um ritmo nunca vistos, uma mobilização que comece agora mesmo (…). Caso contrário, o objetivo do 1,5°C em breve morrerá. Inger Andersen, diretora-executiva do Pnuma
“As próximas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) precisam trazer um salto quântico de ambição, junto a ações de mitigação aceleradas nesta década para manter o aquecimento dentro dos limites do Acordo de Paris de 2015”, afirma o relatório.
Para evitar superar os limites, as nações devem se comprometer coletivamente a reduzir em 42% das emissões anuais de gases de efeito estufa antes de 2030 e em 57% até 2035, avalia a ONU.
O mundo está “pagando um preço terrível” pela sua inação em relação ao aquecimento global, e o tempo está acabando para corrigir o rumo e evitar uma “catástrofe”, alertou o secretário-geral da ONU, António Guterres, no lançamento do relatório.
“Existe um vínculo direto entre o aumento das emissões e as catástrofes climáticas cada vez mais frequentes e intensas. Em todo o mundo, as pessoas estão pagando um preço terrível”, disse Guterres.
“Brincando com fogo”
A urgência é ainda maior porque, desde o ano passado, “muito pouco progresso foi feito no sentido de atingir as metas de 2030”, enfatiza Anne Olhoff, redatora científica do relatório.
O relatório é um lembrete da “ladainha histórica de fracassos dos líderes mundiais em lidar com a crise climática com a urgência necessária”, reagiu Tracy Carty, do Greenpeace International. “Mas ainda não é tarde demais”, disse ela.
