
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) realizou a soltura de 5.255 quelônios da espécie tracajá (Podocnemis unifilis) na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Igapó-Açu. Do total de animais devolvidos à natureza, 2.308 são oriundos da comunidade Nova Geração e 2.947 da comunidade São Sebastião do Igapó-Açu.
A ação foi realizada ao longo de três dias e reuniu comunitários, parceiros institucionais e visitantes na área da Unidade de Conservação (UC). As comunidades localizam-se no km 260 da rodovia BR-319, entre os municípios de Beruri, Borba e Manicoré, região conhecida como “trecho do meio”.
“É importante a atividade para trazer as pessoas, para o turismo. As pousadas estão todas lotadas, esta atividade está gerando renda para a comunidade, mas o mais importante é a comunidade estar aqui, presente, prestigiando. A gente fala que o projeto Pé-de-Pincha é da comunidade, da Unidade de Conservação”, afirmou o gestor da RDS Igapó-Açu, Cristiano Gonçalves.
A ação integra as atividades de manejo participativo desenvolvidas na Unidade de Conservação (UC), com apoio de instituições parceiras e protagonismo das comunidades locais. A edição deste ano registrou quase 80% de taxa de eclosão, uma das maiores em 16 anos de manejo no Igapó-Açu, além de aumento de 6,7% no número de quelônios soltos em relação a 2025.
“A gente está aqui no tripé da sustentabilidade, trabalhando o social, o econômico e o ambiental. Que essa atividade possa crescer e possa ser realmente internalizada pelas comunidades, pelos moradores. Que nos próximos anos isso possa ser um roteiro turístico da comunidade, que várias pessoas venham. Porque existem pessoas que querem vir, querem conhecer, mas precisamos estar organizados internamente com o apoio das instituições que estão aqui”, acrescentou o gestor.
Manejo comunitário
A metodologia utilizada no processo de coleta e soltura é desenvolvida pelo Projeto Pé-de-Pincha, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que atua em 180 comunidades no estado, há mais de 25 anos.
Dados do Projeto afirmam que, sem o manejo, a taxa de sobrevivência natural dos quelônios após o nascimento é de cerca de 1%. Com o acompanhamento técnico e comunitário, esse índice pode chegar a 18%, ampliando significativamente as chances de manutenção da espécie na natureza.
“Na metodologia do projeto, quem faz a coleta e todo o trabalho são os comunitários treinados pelos acadêmicos da Ufam. São eles os responsáveis por todo o trabalho do projeto Pé-de-Pincha”, afirma Sandra Azevedo, coordenadora de campo do projeto.













