O intestino deixou de ser visto apenas como um órgão da digestão e passou a ser reconhecido como um dos principais reguladores da saúde do corpo. Estudos recentes apontam a existência de uma comunicação contínua entre intestino e cérebro, essencial para o desenvolvimento neurológico, emocional e comportamental, especialmente na infância.
Diante desse cenário, especialistas da área de Nutrologia alertam para a importância de compreender o impacto da saúde intestinal e os desafios específicos enfrentados por crianças neurodivergentes — com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), atraso no desenvolvimento ou dificuldades de aprendizagem —, contextos nos quais a relação entre intestino e cérebro se torna ainda mais relevante.
Segundo Bruna D’Avila, nutróloga e professora do curso de pós-graduação de Nutrologia da Afya Educação Médica de Manaus, a seletividade alimentar é uma característica comum entre crianças atípicas. “Ela costuma estar associada a questões sensoriais relacionadas à textura, ao cheiro ou à cor dos alimentos. Esse comportamento pode levar a alterações intestinais importantes, com destaque para a constipação intestinal, que é bastante frequente nesse grupo e reforça a necessidade de um olhar atento para a saúde do intestino”, explica a médica.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçam a relevância do tema. O Censo Demográfico 2022 aponta que 2,4 milhões de pessoas no Brasil possuem diagnóstico de TEA, o equivalente a 1,2% da população. A prevalência é maior entre crianças e adolescentes, especialmente na faixa etária de 5 a 9 anos, que concentra o maior percentual de diagnósticos, 2,6%, além de ser significativamente mais elevada entre meninos. Ao todo, mais de 1,1 milhão de crianças de 0 a 14 anos foram identificadas com TEA no país, evidenciando a importância de abordagens precoces e integradas de cuidado.
De acordo com Bruna D’Avila, as alterações intestinais podem se manifestar também no comportamento. “É comum observar maior irritabilidade, crises comportamentais, dificuldade de foco, distúrbios do sono e até quadros de agressividade ou apatia. Esses sintomas se explicam, em parte, pela inflamação intestinal persistente, que leva à liberação contínua de citocinas inflamatórias capazes de atravessar a barreira hematoencefálica, interferindo diretamente no desenvolvimento cerebral, na plasticidade neuronal e na regulação emocional”, afirma a professora da Afya.
A alimentação é uma das ferramentas mais importantes na modulação da saúde intestinal. Por isso, a médica destaca a necessidade de reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados — ricos em açúcar, corantes e conservantes — e estimular a ingestão de legumes, verduras e frutas, fontes de fibras que contribuem para a produção de metabólitos com efeito neuroprotetor.
“No caso de crianças com seletividade alimentar, o manejo precisa ser cuidadoso e individualizado. As estratégias incluem adaptar textura, temperatura e apresentação dos alimentos, introduzir fibras de forma imperceptível em preparações já aceitas e respeitar o ritmo da criança, evitando imposições. O objetivo é ampliar o repertório alimentar sem gerar estresse, promovendo ganhos nutricionais e intestinais progressivos”, orienta.
“Esse cuidado ajuda a explicar por que, ao tratar o intestino, muitas crianças passam a dormir melhor, apresentam menos dor e desconforto, tornam-se mais receptivas a estímulos e demonstram melhor regulação emocional, respondendo de forma mais positiva às intervenções terapêuticas”, diz Bruna D’Avila.
A médica ressalta, no entanto, que o cuidado com a saúde intestinal não substitui terapias comportamentais, fonoaudiologia, psicologia ou acompanhamento pedagógico. “O que observamos é que o cuidado com o intestino potencializa os resultados dessas abordagens, favorecendo o desenvolvimento global da criança”, destaca.
A professora da Afya acrescenta que, além disso, a educação em saúde é fundamental para orientar pais e cuidadores sobre o reconhecimento de sinais não verbais de desconforto gastrointestinal, especialmente em crianças com dificuldades de comunicação. “Alterações no comportamento, no sono, no apetite ou na postura corporal podem ser sinais de dor ou desconforto intestinal. Por isso, ações educativas, materiais informativos acessíveis e orientações multiprofissionais são essenciais para apoiar as famílias no cuidado diário”, pontua.
Atendimento – Em Manaus, a Afya Educação Médica oferece atendimento gratuito em diversas especialidades, incluindo Nutrologia. O serviço integra as atividades práticas dos cursos de pós-graduação da instituição.
Os atendimentos são realizados mediante agendamento, na sede da Afya, localizada na avenida André Araújo, nº 2767, bairro Aleixo. “Com essa iniciativa, os médicos em formação conseguem atuar em casos reais, enquanto a comunidade é beneficiada com a oferta de atendimento especializado”, explica a diretora da unidade, Suelen Falcão.
A Afya de Manaus conta com uma estrutura premium, composta por sete salas de aula, 18 ambulatórios e duas salas para pequenos procedimentos. Os interessados podem entrar em contato pelo telefone (92) 99379-9297 para verificar a disponibilidade de vagas e realizar o agendamento.
Além de Nutrologia, há atendimento nas áreas de Dermatologia, Endocrinologia, Endocrinologia Pediátrica, Ginecologia Ambulatorial, Medicina Intensiva Adulta, Cardiologia, Gastroenterologia, Pediatria Geral, Psiquiatria e Ultrassonografia. Mais informações em https://educacaomedica.afya.com.br/.
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