O antropólogo e professor Stelio Marras, que anunciou a doação de um imóvel que recebeu de herança avaliado em R$ 25 milhões ao Fundo Patrimonial da USP, fez toda a sua formação acadêmica na universidade. Ele disse que seu gesto é de “solidariedade social”.
Quem é Stelio Marras
Marras tem 54 anos e fez toda a sua trajetória acadêmica na USP: é bacharel em ciências sociais e mestre e doutor em antropologia pela FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas).
Ele também é professor e pesquisador em antropologia do IEB (Instituto de Estudos Brasileiros), dentro da própria USP.
O professor orienta pesquisas no Programa de Pós-Graduação “Culturas e Identidades Brasileiras” da universidade, que fica dentro do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da FFLCH/USP.
O antropólogo também é cocoordenador do LAPOD (Laboratório Pós-Disciplinar de Estudos – IEB/LaBieb/USP) e pesquisador do Centro de Estudos Ameríndios (Cesta-USP).
Por que ele fez a doação
A ideia de Marras espera incentivar mais pessoas da elite brasileira a fazerem o mesmo, segundo o colunista de Ecoa Tony Marlon.
“Tornar pública a finalidade dessa minha herança (…) é também uma aposta que faço em parte das elites brasileiras, que podem então passar a conhecer e, quem sabe, agir por orientação dessas iniciativas.” afirmou Stelio Marras em cerimônia que celebrou a doação.
O professor fez questão que os rendimentos sejam usados integralmente para o USP Diversa, que concede bolsas de permanência para garantir que alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica não abandonem as salas da universidade e consigam concluir seus cursos.

O imóvel doado fica em Poços de Caldas (MG), onde a família dele viveu, e funcionava como cinema. Sem filhos, Marras disse ao jornal que os descendentes da família “já têm o bastante”.
“Não me deixei ficar rico ou viver como um. Saber viver com simplicidade e modéstia é a maior herança que recebi da minha mãe, do meu pai e do meu irmão, todos falecidos. O que gosto mesmo é de viver cercado de meus bons amigos, alunos e bons afetos. Em um país com tanta desigualdade, viver como milionário é viver contra a sociedade e o ambiente.” afirmou Stelio Marras ao Estadão.
Como funciona o Fundo Patrimonial da USP
Os fundos patrimoniais (endowments) ainda engatinham no ensino superior brasileiro, embora sejam modelos muito comuns no exterior.
A USP criou o seu em 2021. Ele, agora, recebeu a maior doação desde a criação, com o prédio avaliado em R$ 25 milhões.
Os valores doados ao Fundo Patrimonial são investidos e os rendimentos são destinados a iniciativas para o fortalecimento da sustentabilidade financeira da USP e da qualidade do ensino e da pesquisa.
Algumas unidades da USP já possuíam endowments antes da criação do da universidade. Segundo a instituição, em 2012, a Escola Politécnica lançou a iniciativa Amigos da Poli; em 2014, foi criado o Fundo Patrimonial da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA); e o fundo da Faculdade de Medicina foi criado em 2016.
O Fundo Patrimonial da USP tem hoje R$ 59 milhões, fruto de nove doações.
Além da doação de imóveis, é possível doar dinheiro ou, via testamento, carros, joias, obras de arte e itens de valor cultural e histórico, como livros, manuscritos, instrumentos musicais, entre outros.
Pessoas físicas e jurídicas podem fazer doações para ações gerais ou para propósitos específicos, como programas de acolhimento e de permanência estudantil e atividades acadêmicas complementares.
