Projetos voltados à qualificação profissional, ao empreendedorismo e ao fortalecimento da autonomia feminina têm ajudado mulheres refugiadas e migrantes a reconstruir suas vidas em Manaus (AM) e Boa Vista (RR). As iniciativas são desenvolvidas pelo Instituto Hermanitos, organização fundada em 2019 que atua na promoção de oportunidades e na integração social de pessoas em situação de deslocamento forçado na região Norte.
“Sair de seu país de origem, muitas vezes de maneira forçada, é um processo que exige coragem e capacidade de adaptação. Muitas mulheres chegam ao Brasil precisando reconstruir praticamente tudo: rede de apoio, renda e perspectivas de futuro. Nosso trabalho é justamente criar caminhos para que esse recomeço aconteça com mais segurança, formação e oportunidades reais”, afirma Anderson Mattos, diretor de Programas e Projetos e cofundador do Instituto Hermanitos.
Ao longo de 2025, a organização desenvolveu e ampliou diversas iniciativas voltadas ao público feminino em Manaus (AM), incluindo projetos que valorizam culturas tradicionais e promovem oportunidades de geração de renda.
Um dos destaques é o projeto “Tida Warao”, que capacitou 20 mulheres indígenas do povo Warao, da Venezuela. A formação integrou empreendedorismo, saberes tradicionais e identidade cultural, valorizando práticas artesanais e conhecimentos transmitidos entre gerações.
Outra iniciativa que ganhou destaque foi o projeto “Somos Mais”, voltado para homens e mulheres com mais de 50 anos — público que frequentemente enfrenta maiores dificuldades para acessar ou retornar ao mercado de trabalho. A jornada formativa inclui atividades voltadas ao empreendedorismo, ao fortalecimento da autonomia financeira e ao resgate da autoestima das participantes. No final do ano passado, o projeto teve uma turma especial somente de mulheres.
Pensando também na juventude, a primeira edição do “Chicas Digitais” beneficiou 18 jovens mulheres, entre 16 e 20 anos. A formação abordou conteúdos relacionados à área de Tecnologia da Informação, incluindo informática, programação de computadores e inteligência artificial. Os três projetos são realizados pelo Hermanitos com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Os projetos Somos Mais e Tida Warao também contaram com o apoio da Embaixada do Japão.
Além das novas iniciativas, o projeto “Mujeres Fuertes” segue como uma das principais ações da organização. Voltado para mães solo e chefes de família em situação de vulnerabilidade social, o programa apresenta o empreendedorismo como um caminho possível para a independência financeira. A iniciativa é realizada em Manaus e Boa Vista.
“Ao longo das formações vemos mudanças muito concretas acontecerem. Muitas mulheres chegam inseguras ou desacreditadas nas próprias capacidades e, com o tempo, passam a desenvolver habilidades, planejar negócios e enxergar novas possibilidades para suas vidas e para suas famílias”, destaca a coordenadora do Mujeres Fuertes, Ana Vasconcelos.
O projeto é executado pelo Hermanitos com recursos oriundos de reversão trabalhista do Ministério Público do Trabalho no Amazonas e Roraima (MPT-AM/RR) e conta com apoio do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT 11ª Região), da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Amazonas (Sebrae-AM).
Para o diretor-presidente do Instituto Hermanitos, Tulio Duarte, investir em formação e inclusão produtiva é uma forma concreta de promover transformação social. “Quando uma mulher encontra oportunidades para estudar, empreender e gerar renda, ela não transforma apenas a própria vida — ela fortalece sua família e contribui para o desenvolvimento das comunidades onde passa a viver. É esse ciclo de oportunidades que buscamos construir cada vez mais”, afirma.
Sobre o Instituto Hermanitos
O Instituto Hermanitos atua na promoção da dignidade, do acolhimento e da geração de oportunidades para pessoas refugiadas e migrantes nos estados do Amazonas e Roraima. Por meio de programas de empregabilidade, formação empreendedora, capacitações, apoio psicossocial e ações culturais, a instituição contribui para a integração e valorização desses grupos no contexto amazônico.
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