O Plano Real completa, no próximo dia 1º de julho, 30 anos que entrou em circulação no País. É ponto pacífico entre os economistas ouvidos pelo Terra que a moeda, que foi criada em 1994 como uma estratégia para conter a hiperinflação e estabilizar a economia, desempenhou um papel fundamental na criação de um ambiente de maior previsibilidade e permitiu a preservação do poder de compra dos brasileiros.
A entrada em circulação do real mudou o cenário de uma inflação que, no acumulado em doze meses, chegou a 4.922% em junho de 1994, às vésperas do lançamento da nova moeda. Em poucos meses de circulação, o plano começou a dar resultados. A inflação, que antes era de quatro dígitos, finalizou 1994 com 916%. Em 1995, caiu ainda mais e atingiu 22%. Em um ano, a moeda trouxe a estabilidade que o País precisava.
“A adoção da URV (Unidade Real de Valor), uma moeda fictícia que servia como unidade de conta para preços e salários, foi fundamental para coordenar as expectativas antes do lançamento do real. Além disso, a fixação de uma banda estreita de flutuação entre o dólar americano e o real apoiada por reservas internacionais e uma política fiscal mais crível também foi fundamental para o sucesso do plano”, avalia André Senna Duarte, professor de economia da PUC-Rio.
José Carlos de Souza Filho, economista e professor da FIA Business School, explica que a ideia da criação da URV foi a forma encontrada para se desindexar a moeda, então chamada de cruzeiro real para a criação do real. Assim, o primeiro ganho foi a estabilização da moeda nacional com uma moeda mais estável e com mais mecanismos de controle de seu valor. O País ganhou estabilidade, confiança e investimentos produtivos.
“Nas décadas de 80 e 90, o País enfrentava um surto inflacionário sem precedentes. O mecanismo da correção monetária, além de auxiliar na concentração de renda, funcionava como uma forma de retroalimentação do processo, uma vez que o aumento dos preços geraram a expansão monetária e, com ela, o aumento dos juros. Esse processo gerou um efeito bola de neve, pois quanto mais a base monetária se expandia, mais os preços eram majorados. Nenhuma tentativa de conter a inflação havia conseguido domá-la até então”, lembra o economista.
Redução da inflação e da desigualdade
Além da redução da inflação, o Brasil teve inúmeros ganhos com a adoção do plano real, nos quais se destacam a retomada do crescimento e a redução da desigualdade. “A estabilidade promovida pelo real contribuiu para reduzir pobreza e desigualdade, uma vez que o imposto inflacionário incidia de forma mais relevante nas camadas mais pobres”, diz André Senna Duarte.
Antes do Plano Real, o Brasil enfrentava longo período de hiperinflação. A credibilidade da política macroeconômica era baixa após uma série de planos de estabilização monetária que não tiveram êxito. Com a estabilização da moeda e da inflação, o ambiente econômico também tornou-se mais estável, contribuindo para a retomada do crescimento econômico e dos investimentos.
“O real buscou a eliminação da indexação da economia para fazer com que os investimentos produtivos fossem mais interessantes do que as aplicações financeiras, que geravam um grande rendimento. O real permitiu trazer as bases e princípios macroeconômicos para a geração de riqueza através de investimentos produtivos e não especulativos”, acrescenta José Carlos de Souza Filho.
Pais do Plano Real
O real foi criado no governo Itamar Franco, em 1994. Um dos nomes mais notáveis da criação da moeda foi Fernando Henrique Cardoso (FHC), à época ministro da Fazenda. O lançamento do real não coube a FHC, pois ele deixou o Ministério da Fazenda na virada de março para abril, ainda na fase da URV, para se candidatar à Presidência da República. Quem lançou o real foi seu sucessor no ministério, Rubens Ricupero.
Embora FHC tenha sido – talvez – a figura mais destacada no processo, o Plano Real foi elaborado conjuntamente pelo Ministério da Fazenda, Banco Central e Casa da Moeda. Entre outros nomes envolvidos, destacam-se Pedro Malan, Pérsio Arida, André Lara Resende, Gustavo Franco, Edmar Bacha e Winston Fritsch. Outros nomes tiveram destaque posteriormente a criação da moeda como, por exemplo, Ciro Gomes, que assumiu o Ministério da Fazenda no segundo semestre de 1994.
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