Laudo médico da Polícia Federal sobre a saúde de Jair Bolsonaro (PL) apontou que o ex-presidente tem condições de continuar na Papudinha, em Brasília.
Perícia foi tornada pública hoje, por decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes. “Tais comorbidades não ensejam, no momento, necessidade de transferência para cuidados em nível hospitalar”, conclui o laudo.
PF apontou, no entanto, necessidade de melhorias no atendimento de saúde ao ex-presidente. “Apesar do controle clínico e da disponibilidade de protocolos de pronta resposta para atendimento de urgência e emergência, é necessário otimização dos tratamentos e das medidas preventivas por profissionais especializados em decorrência do risco de complicações, principalmente eventos cardiovasculares”, afirma o laudo.
Moraes encaminhou laudo para a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a defesa do ex-presidente. O ministro deu prazo de cinco dias para que o órgão e os advogados se manifestem sobre o documento e peçam eventuais complementos.
Laudos foram solicitados por Moraes, que vai analisar pedido da defesa de Bolsonaro por prisão domiciliar. Três médicos da PF (Polícia Federal) visitaram o ex-presidente na Papudinha no dia 20 de janeiro e analisaram todos exames e procedimentos médicos a que ele foi submetido para elaborar o laudo técnico.
O que diz o laudo
Médicos da PF apontaram que Bolsonaro é portador de sete doenças. São elas:
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Hipertensão arterial sistêmica;
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Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) grave;
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Obesidade clínica;
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Aterosclerose sistêmica;
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Doença do refluxo gastroesofágico;
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Queratose actínica;
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Aderências (bridas) intra-abdominais.
Exames descartaram que o ex-presidente tenha outras doenças, como depressão. O laudo pericial negou que Bolsonaro seja portador de outros diagnósticos apontados pela defesa, como pneumonia bacteriana não especificada, anemia por deficiência de ferro e sarcopenia (perda progressiva e acelerada de massa, força e função musculares).
Peritos apontam também que Bolsonaro apresenta sinais e sintomas neurológicos que aumentam risco de novos episódios de queda. O ex-presidente chegou a cair na prisão na PF no fim do ano passado. Após o incidente, foi submetido a exames em um hospital para garantir que não havia nenhuma lesão na cabeça. Ele foi liberado no mesmo dia. Segundo os médicos particulares de Bolsonaro, as doses altas dos remédios que ele tem de tomar para evitar crises de soluços podem ter contribuído para o incidente.
Recomendações da PF
O laudo recomenda que Bolsonaro seja submetido a uma investigação clínica do quadro neurológico. A PF fez, ainda, uma série de outras recomendações para o tratamento de saúde de Bolsonaro na Papudinha:
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instalação de grades de apoio em corredores e boxes de banho do alojamento;
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instalação de campainhas de pânico/emergência adicionais e/ou outros dispositivos de monitoramento em tempo real no alojamento;
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acompanhamento contínuo nas áreas comuns;
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avaliação nutricional e prescrição de dieta por profissional(is) especializado(s), direcionadas às comorbidades descritas;
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prática regular de atividade física aeróbica e resistida, conforme tolerância clínica;
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tratamento fisioterápico contínuo, com ênfase em força muscular e equilíbrio postural.
O que a defesa de Bolsonaro pediu ao STF
Defesa e familiares de ex-presidente vinham fazendo campanha intensa por prisão domiciliar. O movimento mais marcante foi feito pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que se reuniu com ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes para tentar sensibilizar o STF. Após a visita, Moraes mandou ex-presidente para uma cela de 64 m² na Papudinha, ala da Penitenciária da Papuda que é destinada a presos com cela especial.














