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Tecnologia ajuda pesquisadores a mapear histórias invisíveis de povos da Amazônia

Foto: Guilherme Gomes

Escondidos há pelos menos 12 mil anos sob a densa vegetação amazônica, vestígios dos povos originários se revelam aos poucos por meio dos conhecimentos indígenas e quilombolas, do trabalho de arqueólogos e da contribuição da tecnologia light detection and ranging (Lidar). O sensor remoto é colocado em pequenos aviões, que sobrevoam a floresta e emitem lasers para mapear sítios antigos.

É dessa forma que atuam os pesquisadores do projeto Amazônia Revelada: Mapeando Legados Culturais. Antes do Lidar, muitas descobertas arqueológicas foram feitas em áreas com movimentação de solo e transformação da paisagem. Caso dos geoglifos encontrados no Acre. Com o novo uso da tecnologia, é possível mapear áreas da floresta sem nenhuma intervenção física, como desmatamento ou escavação.

Nesse sentido, o projeto também tem como missão “adicionar uma nova camada de proteção para a Amazônia e ajudar a conter a destruição da floresta”. Para isso, pesquisadores locais, pertencentes aos povos tradicionais, têm trabalhado em conjunto no levantamento de elementos materiais ou inscritos na paisagem que remetem a sítios arqueológicos ou lugares significativos para as comunidades.

A coordenação é do arqueólogo Eduardo Neves, professor e diretor do Museu de Arqueologia da Universidade de São Paulo (USP), que trabalha há mais de 30 anos na Amazônia.

“Quando eu fui para a escola na década de 70, aprendi que a cidade mais antiga do Brasil era São Vicente, fundada pelo português Martim Afonso de Souza em 1532. No entanto, quem anda pelo interior da Amazônia e, particularmente pela cidade de Santarém, vai perceber que existe um solo muito escuro que a gente conhece como terra preta. Ele está cheio de fragmentos de cerâmicas produzidas por povos que viviam ali há pelo menos pelo menos 800 anos”, disse Neves, no TEDxAmazônia 2024, ocorrido em Manaus.

“A gente sabe que a presença indígena começa há pelo menos 13 mil anos. Em 1492, quando Cristóvão Colombo chegou às Antilhas, havia entre 8 e 10 milhões de indígenas em toda a região amazônica. A Amazônia que a gente conhece hoje em dia só existe por causa da contribuição dos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos que formaram essa região”, complementou.

O arqueólogo destacou que o discurso colonial de desprezo às origens da Amazônia foi usado politicamente em diferentes momentos da história. E contribuiu para legitimar projetos de desmatamento e ocupação descontrolada da região.

“Eu me lembro de um slogan repetido pelo governo militar de que a Amazônia era uma terra sem gente, para gente sem-terra. Isso fez com que camponeses que viviam em situações de conflito fundiário em diferentes lugares do país se mudassem para locais como Pará e Rondônia, e tivesse início uma história muito violenta”, disse. “Essa imagem da Amazônia como uma região esvaziada justifica a destruição da Amazônia hoje em dia pelo desmatamento, pela mineração descontrolada e pela abertura de estradas”, explica.

O que o projeto liderado pelo arqueólogo quer fazer é inverter essa lógica, ao tornar visíveis contribuições milenares dos povos tradicionais, valorizar e proteger sítios arqueológicos, e trazer lições do passado que permitiram manter a floresta viva, de pé.

“Queremos fazer os registros e promover uma camada adicional de proteção para essas áreas ameaçadas”, disse Eduardo Neves. “Quando a gente fala sobre arqueologia, não é só sobre o passado. Também contemplamos as manifestações atuais das culturas dos povos da floresta, que nos ensinam como eles a construíram. Se existe uma solução para o futuro da Amazônia, é continuar apostando nessa diversidade e construir uma aliança entre o conhecimento científico e o conhecimento tradicional dos povos da floresta”

Patrimônio linguístico

O Brasil tem, pelo menos, 274 línguas indígenas faladas por 305 etnias, segundo o Censo Demográfico de 2010. Muitas delas, porém, correm o risco de desaparecer na próxima década, por ter poucos falantes ainda vivos. A linguista Altaci Kokama luta para preservar esses sistemas culturais que são importantes não apenas para os povos indígenas, mas para toda a humanidade.

“As respostas para a cura da Amazônia e da Terra estão dentro dos próprios povos e das línguas indígenas que vivem nas florestas. São eles os detentores de conhecimentos essenciais para nossa preservação. Ninguém vive sem uma língua, sem uma comunicação. Preservar as línguas indígenas é preservar os saberes que estão contribuindo para salvar nossa biodiversidade”, defende a linguista.

Altaci Kokama se apresenta como guardiã da Amazônia. Ela é natural de Santo Antônio do Içá, Alto Solimões, no Amazonas. Pertence à etnia Kokama, que habita o estado brasileiro do Amazonas, partes do Peru e da Colômbia. O interesse pelo estudo das línguas indígenas surge da necessidade de ajudar parentes a entender o português e terem acesso “direitos usurpados pelos não indígenas”.

“A nossa luta começa do processo de fortalecimento da língua do meu povo na década de 80. Nesse tempo, eu deveria ter uns 10 anos. Em 2000 é que eu assumo a luta, porque um dos nossos principais guardiões, seu Antônio Samia, morre. E começamos a ter dificuldades em todos os processos de demarcação de terra, de fortalecimento da língua e dos nossos saberes. Conforme eu vou entendendo que a gente precisa de mais ajuda e de mais pessoas para a luta, começo a atrelar a minha formação com toda a luta pelo fortalecimento das línguas indígenas”, explica Altaci.

Ela se torna mestra em Sociedade e Cultura na Amazônia (UFAM), doutora em Linguística (UnB) e copresidente da Força Tarefa Global para uma Década de Ação pelas Línguas Indígenas (Unesco). Atualmente, trabalha no Ministério dos Povos Indígenas, cedida pela Universidade de Brasília.

“Tudo o que existe na Amazônia tem um significado, uma história e uma narrativa para os povos indígenas. Tem uma raiz que retira o mercúrio da água, que se conhece a partir da história de uma árvore protetora na língua indígena. Se não fosse pesquisado a fundo seria só uma árvore protetora. Quando o pesquisador viu a história, coletou e foi fazer teste no laboratório, comprovou que a raiz dessa árvore, que fica à margem do Solimões, retira o mercúrio da água. Então, é um saber guardado dentro do povo. Está contribuindo para deixar o rio limpo. Quanto saberes nós temos que estão dentro das línguas? Os remédios e as curas que são passadas de geração para geração?”

Para que todo esse legado ancestral não se perca, a linguista pede maior atenção da sociedade e do Estado, com valorização e investimentos. “Os povos indígenas do Brasil estão conscientes de que a preservação parte de nós, mas o Estado tem que dar a sua contrapartida. Seja na educação, na política linguística de produção de materiais didáticos, para aparelhar os centros culturais, os centros de línguas das comunidades. Precisa haver uma campanha para valorização das línguas indígenas, com as quais podemos salvar o planeta, frear o aquecimento global. E isso tudo requer dinheiro, investimento nas pesquisas dentro da própria Amazônia”.

Amazônia Negra

Pelo tempo que habitam a floresta e pela conexão tão íntima que estabeleceram com ela, os povos indígenas costumam ser os únicos lembrados quando se pensa na história social da Amazônia. O antropólogo e quilombola Davi Pereira, de 45 anos, tem dedicado uma vida a mostrar as contribuições que as populações negras, descendentes de africanos, também tem dado ao bioma.

“Existe essa desvinculação do corpo negro com a ideia de proteção da floresta e da biodiversidade. E 75% da população da Amazônia Legal é composta basicamente por pessoas negras, essa combinação de pardos e pretos. Mas o que está na cabeça das pessoas é que não tem Amazônia Negra. Então você tem essa ideia que a Amazônia é só indígena. E aí não é uma coisa de competição. A gente sabe de todo processo e relação que os indígenas têm com a Amazônia”, diz Pereira.

“A minha questão é que nossos corpos e nossa ancestralidade também estão assentados na Amazônia, a partir do processo de diáspora forçada, consequência do crime da escravidão. Que nos mandou para cá no passado. A floresta também é nosso lugar de reconexão com a nossa ancestralidade. É um lugar que encontramos para recuperar a nossa humanidade. Como que a gente tem uma cosmovisão também assentada na floresta e uma epistemologia territorial que está relacionada a Amazônia”, complementa.

Davi Pereira é professor do Programa de Pós-Graduação em Cartografia Social e Política da Amazônia (PPGCSPA), da Universidade Estadual do Maranhão (Uema). Também trabalha com assessoria de movimentos quilombolas. É original de uma comunidade quilombola chamada Itamatatiua, no município de Alcântara, Maranhão, e mora atualmente em São Luís.

“O meu avô e um tio-avô foram processados por lutar pela terra. Cresci testemunhando essa luta da minha comunidade, sempre com muito medo de perder o lugar que a gente morava. Até hoje, não temos um título da terra”, conta.

O antropólogo escolheu batalhar pelas comunidades quilombolas pela via intelectual, utilizando os conhecimentos acadêmicos na defesa de direitos. Um dos focos escolhidos foi a cartografia social e política.

“Fazer ciência através dos mapas pode ser algo poderoso na defesa dos direitos humanos e dos povos tradicionais. Por muito tempo, os mapas ficaram sobre o monopólio do Estado. Mas grupos indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco, passam a usar o mapa como arma contra o próprio Estado para requisitar direitos”, diz Pereira.

Uma das atuações do professor é na Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH), no processo de Alcântara contra o Estado brasileiro, por causa da base espacial que está no município desde 1983. Além das questões territoriais com os quilombolas, Davi Pereira questiona licenças e impactos ambientais da estrutura.

Nesse sentido, o pesquisador entende que conservar e proteger a Amazônia passam necessariamente pelo protagonismo daqueles que a habitam há milhares de anos. “Cada vez mais as leis dos projetos neoliberais avançam sobre as florestas e dificultam a proteção da vida. E tem uma questão fundamental de como você usa os recursos naturais da floresta. Isso é parte da nossa vida, não é mercado. Nós estamos diante de um processo avançado na Amazônia que transforma territórios e corpos em commodities. E isso está consumindo nosso território”, destaca Davi Pereira.

“Os povos originários e os quilombolas são a solução contra a crise climática. A velha forma ocidental de fazer as coisas está nos matando. E não querem nos ouvir. Temos aí um caminho de desastre anunciado. E quem ainda banca a responsabilidade de manter as condições de vida na Terra são os povos e comunidades tradicionais, através da proteção à floresta”, conclui.

Série sobre a Amazônia

A reportagem faz parte da série Em Defesa da Amazônia, que abre o ano da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), a ser realizada em Belém, em novembro deste ano. Nas matérias publicadas na Agência Brasil, povos da Amazônia e aqueles diretamente engajados na defesa da floresta discutem os impactos das mudanças climáticas e respostas para lidar com elas.

*A equipe viajou a convite da CCR, patrocinadora do TEDxAmazônia 2024.

Com informações da Agência Brasil (matéria publica em 12.jan.2025)

Brasil é campeão da Kings League em cima da Colômbia sob olhares de Jake Paul e Piqué

Brasil vence a Colômbia na final da Kings League com show de Kelvin (Foto: Divulgação / Kings League Brasil)

O Brasil é campeão da primeira edição da Kings League World Cup Nations. Com show de Kelvin, a seleção fez 6 a 2 na Colômbia na final realizada no Allianz Stadium, em Turim, na Itália.

A competição criada por Gerard Piqué reúne profissionais do Fut7, ex-jogadores e streamers, e o título rendeu 1 milhão de dólares (R$ 6 milhões) ao Brasil.

O ex-zagueiro de Barcelona e da Espanha foi uma das personalidades presentes no Allianz Stadium, assim como o youtuber e lutador de boxe Jake Paul. O norte-americano, inclusive, foi responsável por dar o pontapé inicial da final.

A decisão teve um primeiro tempo equilibrado e com gols apenas nos minutos finais. Principal jogador da seleção, Kelvin colocou o Brasil na frente, mas a Colômbia buscou o empate na sequência, com um bonito gol de Angellot Caro.

Logo no início do segundo tempo, os colombianos viraram com gol de pênalti do presidente Pelicanger. Mas o Brasil não sentiu e empatou com Kelvin depois de passar pelo goleiro. Na sequência, K9 marcou mais duas vezes, no shootout e em cobrança de pênalti.

Já nos minutos finais, quando o gol estava valendo dois, a Colômbia se lançou toda para o ataque em busca do empate, mas quem marcou novamente foi Kelvin, garantindo o título para o Brasil.

Um dos melhores jogadores de Fut7 do mundo, Kelvin terminou a Kings League como artilheiro isolado, com 20 gols em apenas cinco partidas.

Com informações da ESPN

Cursos de especialização e atualização do Detran-AM seguem gratuitos até janeiro de 2027

Foto: Detran-AM

Até janeiro de 2027, todos os cursos de especialização e atualização ofertados pelo Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), por meio da Escola Pública de Trânsito (Eptran), estão isentos da cobrança de taxas, ou seja, seguem gratuitos. O pagamento dos tributos, que variavam de R$ 213 a R$ 900, foi prorrogado em decorrência da aprovação da Lei Complementar nº 268/24, sancionada pelo governador do Estado, Wilson Lima, em dezembro de 2024.

De acordo com o diretor-presidente do Detran Amazonas, Wendell Waughan, a sanção da lei demonstra a sensibilidade do governador Wilson Lima em promover a cidadania. “É de conhecimento público que diversos profissionais entraram para o mercado de trabalho após conseguirem realizar os cursos gratuitos ofertados pela instituição. E isso se deve a boa vontade e o desejo do governador em oferecer oportunidades à população do Estado”, explica Wendell.

A isenção das taxas, que faz parte do programa “Detran Cidadão”, inclui os cursos para mototaxista, motofretista, condutor de transporte escolar, transporte coletivo de passageiros, transporte de veículos de emergência, examinador de trânsito e instrutor de Centro de Formação de Condutores (CFC).

Valores

Cada curso para especialização custaria aos usuários cerca de R$ 267,61, enquanto a atualização custaria R$ 213,21. Para os demais cursos, as especializações custariam R$ 700 (examinador de trânsito) e R$ 900 (instrutor de CFC). Com realização na capital e no interior do Amazonas, a formação dá direito a certificado de conclusão e serve como pré-requisito para o exercício dessas atividades.

Os interessados nos cursos de Instrutor de Trânsito, Diretor Geral e Ensino, Direção Defensiva, Mecânica Básica, dentre outros, devem procurar a secretaria da Eptran, localizada no Shopping Manaus Via Norte, no bairro Monte das Oliveiras, na zona norte da capital, das 8h às 16h.

Para aqueles que desejam se inscrever nos cursos de Atualização e Especialização de Mototaxista, Especialização em Motofretista, Reciclagem de Condutor Infrator, Atualização de CNH, Transporte de Veículo de Emergência, Condutor de Transporte Escolar e Transporte Coletivo de Passageiro, a inscrição pode ser realizada em qualquer posto de atendimento do Detran Amazonas.

‘Detran Cidadão’

O Detran-AM tem, ainda, outros projetos sociais que visam a promoção da cidadania e a geração de empregos, tais como o “Motociclista Legal”, que distribui kits de segurança; o “CNH na Escola” e a “CNH Social”, que oferta carteiras de habilitação gratuitas.

Com informações da assessoria

 

Leandro Hassum se disfarça de mulher no trailer de ‘Uma Advogada Brilhante’

Foto: Divulgação / Pipoca Moderna

A Downtown Filmes divulgou o trailer oficial de “Uma Advogada Brilhante”, comédia nacional estrelada por Leandro Hassum (“Até Que a Sorte Nos Separe”), que chega aos cinemas em 6 de março.

No filme, Hassum interpreta o Dr. Michelle – ou “Mikele”, com pronúncia italiana -, um advogado que enfrenta um grande dilema. Ele precisa garantir o sustento da ex-mulher e do filho para evitar que eles se mudem para os Estados Unidos com aval judicial. No entanto, no mesmo dia em que recebe essa notícia, ele descobre que será demitido do escritório de advocacia, que decidiu manter apenas mulheres na equipe de advogados.

A situação muda quando seu nome é confundido com o de uma advogada chamada Michelle. Ao perceber a oportunidade, ele decide se passar por mulher para manter o emprego e conseguir pagar a pensão.

Trama pode gerar polêmica

A comédia pode ser engraçada, mas também pode despertar polêmicas. Histórias em que homens se disfarçam de mulheres para conseguir um emprego foram muito populares no passado, gerando clássicos como “Quanto Mais Quente Melhor” (1959), estrelado por Tony Curtis e Jack Lemmon, e “Tootsie” (1982), protagonizado por Dustin Hoffman.

No entanto, com o passar dos anos, a sociedade passou a discutir mais profundamente questões relacionadas à identidade de gênero e representações femininas. Muitas dessas histórias começaram a ser vistas como problemáticas, por reforçarem clichês que podem ser considerados ofensivos ou ultrapassados. Entre as críticas comuns estão a exploração da “farsa” como piada central e a ideia de que homens travestidos podem ser vistos como uma ameaça ou como algo cômico por si só.

Além disso, a representação de mulheres fortes no mercado de trabalho tornou-se um debate importante na luta por equidade. Em certos contextos, colocar um homem simulando ser mulher para conseguir um emprego pode ser interpretado como uma minimização dos desafios reais enfrentados por mulheres.

Equipe e elenco

A direção do longa é de Ale McHaddo (“Bugigangue no Espaço”), que também escreveu o roteiro em parceria com Luiz Felipe Mazzoni (“Amor Sem Medida”) e Cris Wersom (“A Culpa é da Carlota”).

Além de Hassum, o elenco traz Claudia Campolina (“Galeria Futuro”), Bruno Garcia (“Minha Mãe é Uma Peça”), Marcelo Mansfield (“Rodeio Rock”), Paulinho Serra (“Vai Que Cola”) e Olivia Lopes (“Maníaco do Parque”). O filme ainda conta com participações especiais de Nany People (“Quem Vai Ficar com Mário?”) e Danilo Gentili (“Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola”).

Com informações do Terra 

PL do deputado Daniel Almeida para inclusão digital da terceira idade aguarda sanção

Foto: Gilson Mello

O Projeto de Lei nº 917/2023, de autoria do deputado estadual Daniel Almeida (Avante), que visa a criação do “Programa Estadual de Alfabetização Digital para a Terceira Idade”, aprovado em 2024 na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), aguarda sanção governamental para se tornar lei.

O objetivo do programa é promover a inclusão digital e ampliar as oportunidades de comunicação para os idosos no Estado, permitindo que as pessoas idosas aprendam a acessar e compreender as novas tecnologias, com ênfase em programas como Windows, Word e Excel, entre outros.

A iniciativa visa proporcionar novas formas de interação e comunicação, além de contribuir para o bem-estar e a inclusão social dos idosos.

O deputado Daniel Almeida enfatizou a importância da proposta: “A inclusão digital é um direito de todos, e os idosos não podem ficar de fora dessa realidade. Com o programa, estamos garantindo que nossos idosos tenham a oportunidade de se conectar com o mundo e utilizar a tecnologia a seu favor”, afirmou o parlamentar.

O Projeto de Lei aguarda sanção governamental, na expectativa de que a implementação ocorra em breve, trazendo benefícios significativos à vida dos idosos no Amazonas.

Com informações da assessoria

Primeiro navio do ano aporta em Manaus com 1,2 mil turistas; outros 15 são esperados

Foto: Lucas Silva / Amazonastur

O Governo do Amazonas, por meio da Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur), fez o receptivo, neste sábado (11), do primeiro cruzeiro de 2025 no Porto de Manaus. O navio, que transporta 1,2 mil cruzeiristas, sendo 800 passageiros e 400 tripulantes, dá continuidade à temporada de cruzeiros 2024/2025 no estado.

Este é o terceiro navio a atracar na capital amazonense nesta temporada, que prevê a chegada de 15 navios até o final de maio. Ainda em janeiro, estão previstas as chegadas do Viking Sea (13), do MS Insignia (16) e Aurora (28).

Sobre o impacto da temporada para o estado, a diretora de marketing da Amazonastur, Ana Claudia Rego, detalha como a movimentação gerada pelos turistas é estratégica para a economia regional e ressalta a importância de um receptivo qualificado.

“Esperamos injetar na economia um valor bem significativo, porque o turista vem aí para fazer passeios turísticos, ele vem aí para conhecer restaurantes, bares. Então realmente movimenta toda a nossa economia. O trade local também está presente ali, fazendo todo aquele trabalho, dando aquelas informações necessárias”, disse a diretora.

De acordo com os dados da Amazonastur, a temporada deve receber aproximadamente 19 mil turistas, reforçando o estado como um destino turístico internacional e movimentando a economia local.

Em sua temporada no Amazonas, o navio de origem das Ilhas Marshall, já passou por Parintins (distante 369 quilômetros de Manaus), onde fez uma parada na Serra da Valéria.

Os cruzeiristas Jan Dalcorso e seu esposo, Van Stuck, vindos da Flórida, Estados Unidos, ficaram impressionados com a grandeza do Rio Amazonas e a experiência na comunidade Serra da Valéria.

“Só de ver o Rio Amazonas já foi muito bom. Eu não tinha ideia de todos os afluentes, e eles são grandes, mesmo que no mapa pareçam pequenos. E isso foi uma verdadeira revelação. Também paramos na Boca da Valéria e fizemos um pequeno passeio de barco. Tudo é novo para nós”, disse a turista entusiasmada.

Pesquisa de satisfação e receptivo 

Durante o receptivo do navio, a equipe da Amazonastur realizou a entrega de mapas com informações turísticas e realizou pesquisas de satisfação com os passageiros e tripulantes. Os dados coletados com a aplicação da pesquisa são essenciais para identificar o perfil de passageiros, como idade média, nacionalidade, atividades turísticas realizadas, como também avaliação de cada turista em relação a experiência turística no estado.

De acordo com as pesquisas realizadas na temporada de cruzeiros 2023/2024, a hospitalidade amazonense, os atrativos naturais e os serviços prestados por guias de turismo estiveram entre os itens mais bem avaliados.

Com informações da Amazonastur

Inscrições do ‘Elos da Amazônia’ para empreendedores indígenas seguem abertas

Chamada visa fomentar negócios competitivos, economicamente viáveis, ambientalmente equilibrados e socialmente inclusivos (Foto: Reprodução)

A iniciativa busca apoiar e promover o empreendedorismo científico indígena, com foco em aumentar a participação e liderança da população indígena nas grandes empresas.

Um levantamento recente do Instituto Ethos mostra que a população indígena representa apenas 1% dos trabalhadores nas grandes empresas do Brasil, ocupando apenas 0,1% das posições de liderança. Para mudar essa realidade, a iniciativa Elos da Amazônia 2024 – Edição Empreendedorismo Científico Indígena está com inscrições abertas, visando promover o protagonismo indígena no setor empresarial.

As inscrições estão abertas até o dia 24 de janeiro de 2025 e podem ser feitas exclusivamente pelo site elosdaamazonia.org.br.

Com foco em reconhecer empreendedores indígenas que desenvolvam tecnologias inovadoras e disruptivas a partir da biodiversidade amazônica, a Chamada visa fomentar negócios competitivos, economicamente viáveis, ambientalmente equilibrados e socialmente inclusivos.

O edital selecionará duas startups lideradas por empreendedores autodeclarados indígenas, com sede em estados da Amazônia Ocidental (Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima) ou no Amapá, e constituídas há no máximo cinco anos.

As propostas devem demonstrar soluções tecnológicas aplicáveis ao mercado, podendo estar na fase de protótipo, validação ou em operação no mercado.

“Essa edição reforça o compromisso de valorizar o potencial da população indígena, incentivando o surgimento de startups que não apenas respeitam, mas também se baseiam no rico patrimônio natural e cultural da Amazônia. É uma oportunidade única para empreendedores indígenas mostrarem sua capacidade de inovação e liderança no desenvolvimento sustentável’’, disse o coordenador do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio) e diretor de Inovação em Bioeconomia do Idesam, Carlos Koury.

Além do reconhecimento, os projetos selecionados receberão suporte técnico para transformar ideias em negócios viáveis. Entre os benefícios estão a preparação para execução de recursos via Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), conexão com incubadoras e aceleradoras, e possível ingresso no Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio).

Cada startup selecionada pelo edital receberá R$ 1 milhão, sendo R$ 500 mil via PPBio para aceleração do negócio e R$ 500 mil para desenvolvimento de um projeto de tecnologia que será executado pelo Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT), via recursos da Embrapii.

Tecnologia com identidade amazônica

A iniciativa conta com a parceria do INDT, que apoia o desenvolvimento de tecnologias com alto potencial de impacto. Os critérios de seleção priorizam propostas alinhadas à sustentabilidade e ao uso consciente dos recursos da floresta. As tecnologias apresentadas podem incluir novos processos, sistemas ou aplicações baseadas na biodiversidade amazônica.

Para os idealizadores da Chamada, iniciativas como essa são fundamentais para promover o empreendedorismo indígena, transformando conhecimento acadêmico e tradicional em soluções de mercado.

“Acreditamos que uma tecnologia pode surgir de qualquer lugar: de experiências empíricas, saberes tradicionais ou pesquisas laboratoriais. O importante é prepará-la para o mercado e gerar renda para as comunidades indígenas”, contou o Diretor Executivo do INDT, Geraldo Feitoza.

O edital é uma realização do Idesam, Programa Prioritário de Bioeconomia, agenda da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), e INDT. A chamada conta ainda com o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

Com informações do g1-AM

 

‘Carlota Joaquina’ reinaugurou o cinema nacional há 30 anos e será relançado em 2025

Foto: Reprodução

O filme “Carlota Joaquina, a Princesa do Brazil”, que marcou a retomada do cinema brasileiro nos anos 1990, completa 30 anos em 2025 e vai comemorar em grande estilo.

O longa será remasterizado e relançado em 30 cidades brasileiras. A diretora, Carla Camurati, contou a novidade em entrevista exclusiva à Splash: “Acho que vai ficar um estouro, porque a fotografia do Breno [Silveira] é maravilhosa. A música do André Abujamra também é bárbara, então o som remasterizado vai ficar lindo”.

O relançamento acontecerá ainda em 2025. “No mais tardar, no início do segundo semestre”, diz Carla. Mas desde já, quem quiser organizar uma sessão fechada pode entrar em contato com a produtora através do email “[email protected]“. A ideia é que, além das salas de cinema, o longa também seja exibido em escolas, para apresentá-lo a uma nova geração.

Retomada do cinema

Em 1995, quando o filme foi lançado, o cinema brasileiro respirava por aparelhos. Cinco anos antes, Collor havia extinguido a Embrafilme (Empresa Brasileira de Filmes S.A.), na época, a principal responsável por financiar as produções nacionais. Segundo a Enciclopédia Itaú Cultural, o número de lançamentos anuais caiu de uma média de 80, na década de 1980, para três em 1992.

A situação começou a mudar com a Lei de Incentivo à Cultura, em 1991, e a Lei do Audiovisual, em 1993. “Carlota Joaquina” inaugurou o período conhecido como Cinema da Retomada, que também foi marcado por títulos como “Central do Brasil” (1998) e “Cidade de Deus” (2002).

A falta de leis de incentivo à cultura impôs obstáculos à produção de “Carlota Joaquina”. Carla relembra que só tinha dinheiro para filmar uma semana por vez,  assim, o longa foi rodado em cinco semanas espalhadas ao longo de seis meses. Quando o dinheiro acabava, ela fazia reuniões com empresas privadas para mostrar o material que havia filmado, e marcava uma nova filmagem quando conseguia um novo patrocínio. O orçamento total do filme foi de R$ 500 mil.

“Prometemos colocar todos os apoiadores no cartaz do filme. Ficou uma barra preta de uns quatro dedos! Tinha tudo o que você possa imaginar: vela, frango, café, spray prateado, fazenda”, conta Carla Camurati.

Outra dificuldade era reunir toda a equipe nas gravações esporádicas. Para a diretora, isso só foi possível porque o clima no set era de cumplicidade: “Era divertido, a gente era feliz. Não tinha brigas, mau humor. O problema que tínhamos era que a cozinheira era muito boa e acabava a comida. Sacaneavam que a gente botava a equipe para comer os frangos de Dom João no dia seguinte da cena. O que às vezes foi verdade, mesmo”, ri.

No fim da produção, para garantir que todos seriam pagos, os produtores tomaram uma decisão ousada. Todos os envolvidos na produção, da diretora aos eletricistas, receberam o mesmo salário. Carla diz que também deu a opção de os funcionários receberem uma porcentagem da bilheteria ao invés do pagamento, mas só a produtora Bianca De Felippes aceitou. A aposta valeu a pena: no fim, o filme foi sucesso desde a primeira sessão, e Bianca comprou um apartamento no Leblon com o dinheiro.

Humor com embasamento histórico

O filme mostra uma versão cômica e nada romantizada da família real portuguesa. Marieta Severo interpreta uma Carlota Joaquina infiel e raivosa, e Marco Nanini é um Dom João 6º glutão e abobalhado. O retrato foi duramente criticado por acadêmicos: “O filme constitui um amplo ataque ao conhecimento histórico”, escreveu o historiador Luiz Carlos Villalta em 2004.

Carla Camurati afirma que todos os fatos foram confirmados por pelo menos três fontes históricas. “As pessoas têm esse desejo de pintar a época de uma forma perfeita, onde o respeito, as atitudes, tudo tem uma formalidade que não é necessariamente verdadeira”, argumenta.

Nova retomada do cinema

Hoje, o cinema brasileiro vive uma nova retomada. Após o esvaziamento das salas de cinema na pandemia e a falta de incentivo a produções nacionais no governo Bolsonaro, o longa “Ainda Estou Aqui” já atraiu 3 milhões de espectadores brasileiros e já rendeu um Globo de Ouro à protagonista Fernanda Torres.

“As pessoas acham que o público não gosta de história. Eu acho exatamente o contrário. Acho que as pessoas adoram história. E acho que quando você estuda a história do seu país, você entende o seu presente e planeja melhor o seu futuro”, argumenta Camurati.

Assim como “Carlota Joaquina”, “Ainda Estou Aqui” desafia uma fantasia histórica, nesse caso, a de que não houve violência na ditadura. Para Carla, não é coincidência os dois filmes sobre eventos históricos serem sucesso de bilheteria: “São coisas mal resolvidas que vão girando e que vão se resolvendo aos poucos, e aquela roda vai indo. E é claro que a gente evoluiu, o mundo evoluiu. O que não quer dizer que estamos num momento bom”.

Com informações da Splash / Uol

 

Check-up médico é decisivo para prevenir doenças como câncer e manter saúde sexual

Foto: Assessoria

Manter a saúde em dia é importante para garantir qualidade de vida e longevidade. Nesse contexto, o check-up médico se destaca como uma ferramenta indispensável para a prevenção e o diagnóstico precoce de doenças. Negligenciar a saúde pode resultar em diagnósticos tardios e no agravamento de problemas de saúde que poderiam ser evitados, alerta o uro-oncologista da Urocentro Manaus, Giuseppe Figliuolo.

Presidente da seccional amazonense da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU-AM), Figliuolo destaca que, no caso da saúde urológica, estão incluídos cuidados com os rins, bexiga, próstata e o sistema reprodutor masculino. Ele reforça que mantê-la em dia é fundamental para a qualidade de vida.

A urologia é uma especialidade médica que abrange uma série de doenças silenciosas, como o câncer de próstata, a segunda maior causa de morte entre homens no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Além disso, infecções urinárias, cálculos renais e disfunções sexuais podem se manifestar sem sintomas aparentes nos estágios iniciais, dificultando o tratamento quando diagnosticados tardiamente e recuperando em sintomas como dores e incômodos.

De acordo com Giuseppe Figliuolo, o check-up urológico permite identificar alterações ainda na fase inicial, possibilitando intervenções menos invasivas e mais eficazes. Entre elas, estão as terapias medicamentosas e as cirurgias robóticas e laparoscópicas, consideradas minimamente invasivas e de rápida recuperação.

O câncer de próstata, geralmente assintomático nas fases iniciais, é o maior exemplo da importância do acompanhamento regular. Exames como o PSA (antígeno prostático específico) e o toque retal são fundamentais para o rastreamento precoce.

De acordo com a SBU, os exames de detecção de alterações na próstata devem ser realizados, anualmente, por homens com idade a partir dos 50 anos, à exceção daqueles que têm histórico de doença na família, os quais precisam iniciar mais cedo o rastreio, aos 45 anos, assim como homens da raça negra, que têm maior probabilidade genética de desenvolver a doença.

“Os que devem começar mais cedo o rastreio fazem parte do chamado grupo de risco. Esses, podem desenvolver o câncer de próstata mais agressivo, que se alastra mais rápido, criando metástases e reduzindo as chances de cura”, explica Figliuolo, que tem duas décadas de experiência na área da uro-oncologia.

Problemas renais e cálculos urinários

Outra área de atenção no check-up urológico são os rins. Pedras nos rins, conhecidas como cálculos renais, ou, em outras localizações do aparelho urinário, são condições comuns e extremamente dolorosas, que podem ser prevenidas ou controladas com o acompanhamento médico.

O especialista explica que exames de sangue e ultrassonografias são eficazes para detectar precocemente alterações na função renal. Entre os fatores de risco para a alteração estão: beber pouca água, ter histórico familiar das alterações renais e consumir alimentos ricos em sal.

Saúde sexual

O check-up urológico também aborda questões relacionadas à saúde sexual masculina, como disfunção erétil e alterações hormonais, incluindo a redução de testosterona, condição que afeta tanto a saúde física, como a psicológica, incluindo a autoestima e a qualidade de vida do paciente. Associada a ela está, por exemplo, a disfunção erétil, grande vilã da população masculina.

De acordo com Giuseppe Figliuolo, entre os principais desafios para a realização do check-up urológico estão o preconceito e o tabu em torno do exame de toque retal, visto por muitos homens como uma ameaça à masculinidade. Para ampliar a conscientização, campanhas anuais como o Novembro Azul têm atuado na parte educativa.

“É importante esclarecer que o exame de toque retal é rápido, eficaz, barato e indolor. Além disso, não tira a masculinidade de ninguém. Pelo contrário: ajuda a salvar vidas e a manter a saúde sexual em dia, já que detecta alterações que podem comprometer a função erétil”, explicou o médico, que é doutor em saúde pública.

O check-up urológico deve fazer parte da rotina de cuidados médicos, assim como consultas com outras especialidades. Afinal, quanto mais cedo um problema for detectado, maiores as chances de tratamento e cura, afirmam especialistas de diversas áreas da saúde.

Serviço:

Dr. Giuseppe Figliuolo atende na clínica Urocentro Manaus
Endereço: Rua Fortaleza, 528, Adrianópolis / Manaus (AM)
Contato para agendamento : (92) 98115-2318 / 99255-0753

Com informações da assessoria

 

 

‘COP30 é oportunidade para Brasil ser referência’, diz pesquisador Philip Fearnside

Fearnside durante participação no CIC 2024 (Foto: Fábio Mazzitelli)

Philip Fearnside foi um dos integrantes do IPCC laureados com o prêmio Nobel da Paz de 2007. Em entrevista ao Jornal da Unesp, ele defende que realização de encontro da ONU em Belém este ano motive executivo federal a rever programas e projetos que apoiam exploração descontrolada e desmatamento, e contribuem para as mudanças climáticas. “O país precisa assumir de verdade este papel de liderança ambiental com urgência”, diz.

Este ano, em novembro, os olhos do planeta vão se voltar para a Amazônia brasileira, que receberá na cidade de Belém a 30ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, a COP30. Espera-se que, como país anfitrião, o Brasil desempenhe um papel de liderança junto à comunidade global a fim de superar os muitos entraves que marcaram a COP29, em 2024. Paira no ar a possibilidade concreta de que o encontro de novembro assinale o início de um desmonte do arcabouço diplomático global, erguido durante décadas, para combater a mudança climática. Porém, o governo brasileiro corre o risco de chegar à mesa de negociações carecendo da autoridade moral para exercer a liderança tão necessária neste momento, devido aos seus muitos insucessos na defesa de seu quinhão da maior floresta tropical do planeta. Pior: boa parte dos quadros do governo federal defende uma abordagem exploratória e pouco sustentável do bioma.

Uma das vozes mais ativas em denunciar as inconsistências na posição do governo brasileiro, à medida que se aproxima a COP30, é o biólogo Philip Martin Fearnside, 77. Americano que mora há mais de quatro décadas no país, Fearnside é um dos decanos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), e também um dos líderes de um grupo internacional que agrupa dezenas de cientistas para investigar os impactos do desmatamento sobre a floresta. Ele também é um dos mais de 2 mil cientistas que integrava o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU), quando o órgão teve sua atuação premiada com o Nobel da Paz em 2007.

Fearnside compartilhou suas preocupações com a Amazônia em uma palestra destinada aos estudantes e docentes da Unesp presentes à 36 ª edição do Congresso de Iniciação Científica (CIC) da Unesp, realizado em fins de novembro. Na ocasião, o pesquisador concedeu a seguinte entrevista ao Jornal da Unesp. Na conversa, ele fez questão de destacar a importância da COP30 e a oportunidade que ela oferece para que nosso país reforce seu protagonismo na articulação diplomática em torno do clima, posicionando-se como exemplo para outras nações e lutando por um futuro melhor para os próprios brasileiros. “O Brasil seria devastado se o aquecimento escapar do controle, o que está bem perto de acontecer. O país precisa assumir de verdade este papel de liderança ambiental com urgência”, diz.

De acordo com o serviço climático europeu Copernicus, um dos principais fornecedores de dados globais, o ano de 2024 foi o mais quente já registrado e o primeiro a ultrapassar a marca de 1,5°C de aumento na temperatura média da Terra em relação aos níveis pré-industriais. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (10).

Este ano, pela primeira vez uma COP vai ocorrer na Amazônia, e o senhor tem falado sobre a importância do evento para intensificar a defesa do bioma. O que mais lhe preocupa, neste momento, com relação ao futuro da Amazônia?

Philip Fearnside: São muitas ameaças, que estão agindo em conjunto e convergindo no bioma. Você tem o desmatamento atual, já bem conhecido, mas também há obras que levarão ao desmatamento no futuro. Não é só o que acontece neste ano. Quando se abre uma grande área de floresta para a construção de estradas, por exemplo, o que acontece depois foge do controle do governo. Entram grileiros, [trabalhadores] sem-terra, madeireiros e outros, e destroem a floresta. E é isso o que está acontecendo com a reconstrução da rodovia BR 319, Manaus-Porto Velho, e as estradas ligadas a essa obra. Não se trata de uma estrada apenas. São várias estradas laterais que abrem aquela enorme área de floresta no oeste do estado do Amazonas. Essa é uma das maiores ameaças.

Existem outras [ameaças]. Tem a degradação da floresta, que não é um corte raso, nessa discussão. Por meio da exploração madeireira, prepara-se a floresta para pegar fogo. Porque você deixa toda a madeira morta dentro da floresta, além de galhos e árvores que são mortas acidentalmente. E tudo isso é lenha. Quando acontece um incêndio, isso leva a floresta a pegar fogo mais facilmente, o fogo se torna mais quente e mata mais árvores. Então, essa degradação é uma coisa do mesmo porte do desmatamento.

E também temos a mudança climática, gravíssima. Se escapar de controle, não vai ter mais floresta amazônica. Isso está muito perto de acontecer e a própria destruição da floresta está contribuindo para a mudança climática. Porque ela abriga uma quantidade de carbono tão grande que, se for liberada, em poucos anos irá empurrar o clima global para além do ponto de não retorno. Nesse caso, mesmo que toda a sociedade humana pare de emitir carbono, não queime mais nem um litro de gasolina, não corte nem mais uma árvore, não haverá mais como controlar.

A Amazônia está no centro de toda a discussão ambiental. O Brasil precisa assumir a liderança no combate ao efeito estufa, porque seria um dos países mais vitimizados. Perderia a Floresta Amazônica, que é essencial, obviamente, para pessoas que moram na Amazônia, mas também para quem reside em São Paulo. Porque aqui, em São Paulo, temos a água que vem da Amazônia pelos chamados rios voadores, os ventos que vêm de lá. Ela é reciclada por meio da Floresta Amazônica. Se a floresta for desmatada, aquela água irá embora pelo rio Amazonas, não virá mais para cá. Então, não temos mais tempo a perder. O clima aqui está mudando, e já podemos ver essas enormes secas, como as de 2014 e de 2021, quando São Paulo quase ficou sem água.

 Outras regiões também seriam muito impactadas…

Philip Fearnside: O Nordeste pode virar um deserto, por exemplo. Dezenas de milhões de pessoas vivem de agricultura lá. A costa possui grande densidade populacional e pode vir a sofrer com grandes tufões, aumento do nível do mar. O agronegócio seria devastado, e toda a agricultura familiar… Tivemos surpresas climáticas como a grande enchente de 2014 no rio Madeira, e em 2023 e 2024 no Rio Grande do Sul. Eventos desse tipo, que não foram previstos nos modelos de clima, tendem a aumentar.

Então o Brasil precisa assumir a liderança nessa questão. E não está fazendo isso. Existe todo o discurso sobre a importância da COP30 etc e tal. Mas, com exceção do Ministério do Meio Ambiente, que tenta controlar o desmatamento, todo o restante do governo está do outro lado. Por exemplo, querem ampliar a exploração de petróleo na costa, inclusive na foz do Rio Amazonas, grandes leilões para fazer dentro da Floresta Amazônica, um enorme plano justamente naquele lugar no oeste do estado do Amazonas para gás e petróleo…Tem que mudar [essas políticas]. Tem também a coisa de legalizar as reivindicações de invasões em terras públicas, o grande motor do desmatamento…

Por que você se opõe à proposta de exploração de petróleo na região da margem equatorial da Amazônia pela Petrobras? 

Em termos de efeito estufa, é uma loucura. Até a Agência Internacional de Energia, que não é um grupo ambientalista, divulgou um relatório dizendo que não se deve começar nenhum novo campo de petróleo e gás no mundo. Apenas usar os que já existem. E deve-se diminuir a extração paulatinamente, até zerar em 2050. Porque, quando se inicia um novo campo, como aquele proposto para a foz do rio Amazonas, a previsão é levar cinco anos apenas para começar a produção comercial. Daí, seriam mais cinco anos para pagar o investimento. E ninguém quer parar algo com zero de lucro, então, segue em frente. Essa exploração deverá continuar por décadas, e isso em um tempo em que o mundo inteiro tem que parar de explorar petróleo. Mesmo financeiramente, não faz sentido.

Ao mesmo tempo, em termos do impacto ambiental, é gravíssimo. É só lembrar o que aconteceu no Golfo do México em 2010: um grande derramamento da [plataforma] Deepwater Horizon, os poços da British Petroleum Company. Jorrou petróleo durante cinco meses e ninguém no mundo conseguiu parar o vazamento. Esse caso ocorreu em 1,5 km de profundidade na água. A exploração que querem fazer na foz do rio Amazonas será o dobro [profundidade], ou seja, ninguém no mundo tem tecnologia para parar um vazamento desse porte. Se tivesse, se a Petrobras tivesse esse conhecimento, teria ido lá ajudar, no Golfo do México, e parar o vazamento. Todo o discurso, de como o setor é muito avançado e preparado, não cola, porque de fato a prova é o que aconteceu lá. Então, é só uma questão de tempo. Se se colocar o risco de acontecer algum vazamento de forma constante, mais cedo ou mais tarde, vai acontecer.

A lógica econômica sempre pressiona a lógica ambiental. Como romper esse suposto contraponto e uni-las?

Philip Fearnside: Quando se fala de sobrevivência das pessoas, geralmente se pensa nas pessoas mais pobres, que estão plantando para comer, mas isso é absolutamente mínimo em termos do total de desmatamento. A área desmatada está virando pastagem, e não sendo usada para plantar macaxeira e coisas deste tipo. Esse argumento serve como discurso para justificar não controlar o desmatamento, mas realmente a grande força é outra. Em termos econômicos, existe a força do mercado de exportação. O Brasil é o maior exportador de soja e também de carne de boi no mundo. Isso significa que o Brasil produz muito mais desses dois produtos do que a população brasileira come. Então, cada hectare a mais que é desmatado é para exportação, não é para alimentar a população brasileira.

Isso é uma decisão. As pessoas pensam que a economia é uma mão invisível que vai guiando o que acontece. A ideia de que a Floresta Amazônica vai ser transformada em uma grande pastagem ou em campos de soja porque o mundo quer comprar esses produtos é um engano. É uma decisão do país, se quiser transformar a Amazônia para exportar mais desses produtos.

O que, na prática, o Brasil poderia fazer a fim de chegar à COP30 em condições de se colocar como exemplo no combate à mudança climática, e em melhores condições para desempenhar um papel de liderança?

Philip Fearnside: Para servir de exemplo na COP30, o Brasil precisa tomar medidas práticas em todos os ministérios para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Atualmente, apenas o Ministério do Meio Ambiente e das Mudança Climáticas está efetivamente engajado neste esforço.

O Ministério de Minas e Energia precisa desistir de abrir novos campos de gás e petróleo e aumentar os campos já existentes, cancelando o segundo “leilão do fim do mundo” que está programado para as próximas semanas e declarando o abandono de planos futuros de extração, como a exploração na foz do Rio Amazonas e o projeto “Área Sedimentar Solimões” na Floresta Amazônica. O Ministério dos Transportes precisa desistir do seu plano de reconstruir a Rodovia BR-319 (Manaus-Porto Velho), que implica na abertura de grandes áreas de floresta à entrada de desmatadores. O Ministério da Agricultura precisa parar de subsidiar soja e gado, e o Incra precisa desistir de legalizar ocupações e reivindicações que envolvam terras públicas, pois esse é um dos grandes motores do desmatamento. Apenas adotar um discurso verde sem tomar as medidas práticas não vai transformar o Brasil em uma liderança climática. E o Brasil seria devastado se o aquecimento escapar do controle. Isso está bem perto de acontecer. O país precisa assumir de verdade este papel de liderança ambiental com urgência.

Com informações da Unesp

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