Galvão manda indireta à Globo por imbróglio com nome de programa
Galvão Bueno fez nesta quinta-feira (20) sua primeira aparição na Band desde seu retorno à emissora da capital paulista. Ao marcar presença no programa ‘Melhor da Noite’, apresentado por Glenda Kozlowkski, Galvão lamentou uma decisão da Rede Globo.
De acordo com o narrador, a Globo não o permitiu usar o nome ‘Bem, amigos’ para o seu novo programa na Band, o que parece ter incomodado o jornalista.
“É uma coisa muito gostosa poder trazer um programa que fez muito sucesso na TV fechada (sportv) para a aberta (Band), em uma emissora tão querida e tão ligada ao esporte como a Band… Mas o ‘Bem, amigos’ não me deixaram trazer o nome. Você (Glenda Kozlowski) conhece lá (Globo). Mas sabe que ficou legal, porque agora vai ser ‘Galvão e amigos”, disse Galvão.
Sentindo o incômodo de Galvão, Glenda brincou e tentou amenizar a situação: “Eu conheço lá (Globo), mas não tem jeito. (Você) não trouxe o nome, mas o mais importante é trazer a pessoa. Você Galvão”, disse a apresentadora.
Galvão na Band
Galvão Bueno voltou à Band após deixar a emissora há 44 anos. O ex-narrador da Rede Globo voltará a ter um programa exclusivo para analisar o futebol brasileiro e internacional ao lado de velhos companheiros.
Galvão contará com uma equipe composta por Mauro Naves, Casagrande, Paulo Roberto Falcão e Vanderlei Luxemburgo, além de alguns nomes da própria emissora que também marcarão presença.
O novo programa do jornalista levará o nome de ‘Galvão e amigos’, e será exibido nas noites de segunda-feira, assim como era quando apresentava o ‘Bem amigos!’ no Sportv.
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Na Band, Galvão revelou que será inédito trazer seu programa para TV aberta após sucesso na TV fechada, no SportTV.
Além disso, ele destaca que a Globo se negou de abrir mão do nome “Bem Amigos” e por isso na Band será “Galvão e Amigos.” pic.twitter.com/JACeHQ1Z7j
— Gabriel Menezes (@briel_menezes) February 20, 2025
*Com informações de IG
TCE-AM alinha estratégias para obter nota máxima em avaliação de desempenho dos tribunais
O Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) está mobilizando seus setores para alcançar o nível 4 de excelência (maior nível) na avaliação do Marco de Medição de Desempenho dos Tribunais de Contas (MMD-TC), promovido pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon). Caso obtenha sucesso, o TCE-AM será o primeiro Tribunal de Contas estadual a atingir plenamente esse patamar.
A reunião inicial, realizada na quinta-feira (20), contou com a presença de diretores, chefes de setores e representantes de gabinetes, marcando o início do plano estratégico que será desenvolvido até a próxima avaliação, prevista para o segundo semestre de 2026. Durante o encontro, foram apresentados os objetivos do tribunal para aprimorar sua atuação e elevar sua classificação dentro dos Critérios de Avaliação e Transparência dos Tribunais de Contas (QATC), utilizados no MMD-TC.
De acordo com o secretário-geral de Administração do TCE-AM e coordenador do MMDTC no Amazonas, Antônio Rosa, o tribunal está atualmente em transição do nível 3 para o nível 4, o que exige aperfeiçoamento de processos de trabalho, especialmente no controle externo.
“A conselheira-presidente do tribunal, Yara Amazônia Lins, nos atribuiu o desafio de alcançar o nível 4, e para isso realizaremos uma série de reuniões, treinamentos e simulados internos ao longo de 2025 para que possamos obter bons resultados na próxima avaliação”, afirmou.
Estratégia de trabalho
Para atingir esse objetivo, o TCE-AM foi dividido em grupos. Cada grupo será responsável por uma auditoria específica, como operacional, financeira, de conformidade e concomitante, para melhorar a comunicação e os processos. “Nosso objetivo é elevar os critérios que estão no nível 3 para o nível 4, trazer o maior número possível dos que estão no nível 2 para o nível 3 e, sempre que viável, promover uma ascensão direta ao nível 4”, explicou Antônio Rosa.
Importância do MMD-TC
O Marco de Medição de Desempenho dos Tribunais de Contas é um instrumento de avaliação que identifica pontos fortes e oportunidades de melhoria nas rotinas administrativas, de fiscalização e julgadoras dos tribunais. A iniciativa também promove a valorização do controle social e a uniformização de boas práticas entre as Cortes de Contas do país.
Na última avaliação, realizada em 2024, o TCE-AM recebeu a Declaração de Garantia de Qualidade da Atricon após uma auditoria rigorosa de dois dias, que analisou 14 itens da estrutura do tribunal, desde o controle externo até a gestão administrativa. A comissão também reconheceu quatro boas práticas desenvolvidas pela instituição, incluindo o Programa Blitz TCE, a Ouvidoria da Mulher e o Domicílio Eletrônico de Contas (DEC).
“Agora, o foco é o aprimoramento dessas iniciativas e a evolução dos processos internos para que o TCE do Amazonas possa se tornar referência nacional ao atingir, pela primeira vez enquanto Tribunal de Contas estadual, a nota máxima no MMD-TC. Para ajudar com isso, teremos membros da nossa comissão interna do MMD visitando os setores em períodos distintos com o objetivo de orientar os servidores no que for preciso, servindo como um apoio pedagógico para que juntos possamos alcançar a excelência”, concluiu Antônio Rosa.
Fátima Bernardes surpreende ao falar de William Bonner nove anos após divórcio: ‘Muito importante’
Fátima Bernardes participou do Casa de Verão da Eliana, programa do GNT, e foi surpreendida com uma pergunta feita pela apresentadora. “Cada um de nós aqui teve um mestre ou alguém que de alguma forma deixou uma mensagem. Vocês tiveram isso?”, indagou a comunicadora.
“Por exemplo, quando você chegou no jornalismo, você encontrou com Gloria Maria. Não sei se foi Gloria, pode ser um homem também, mas você lembra de alguém muito famoso que te deu uma dica que foi preciosa na sua vida profissional? Houve essa generosidade, esse carinho ou sem saber essa pessoa te ajudou?”, perguntou Eliana.
Fátima citou William Bonner, ex-marido de quem se divorciou em 2016 após 26 anos de casamento. “Eu vou dividir com o William. O William foi uma pessoa que quando nós fizemos a parceria profissional, quando a gente começou a trabalhar juntos, ele foi muito importante. Ele era uma pessoa que me dava muitas dicas”, declarou Bernardes, que dividiu a bancada do Jornal Nacional com Bonner durante 14 anos.
Fátima Bernardes comenta saída da Globo
Em junho do ano passado, após ter deixado a Globo depois de 37 anos de contrato, Fátima Bernardes foi entrevistada pela revista Veja e comentou os boatos de que teria se arrependido da decisão de sair da apresentação do Encontro.
“De jeito nenhum. Quando decido, é porque já pensei muito, não é por impulso. O Encontro deu certo, tanto que segue no ar. Só que, depois de uma década, não ambicionava mais aquilo. Não quero mais nada que me vincule ao jornalismo. Cansei de entrevistar mães de crianças que foram mortas pela polícia, vítimas de tragédias. Essa contribuição eu já dei. Foram 35 anos nessa dureza. Hoje, só quero mesmo o entretenimento”, declarou a artista.
A estrela comentou também sobre ter sido dispensada da platinada após a decisão que os contratos seriam por trabalho feito. “Não tenho nenhum sentimento de que fui traída. Desde que assinei contrato por obra, sabia quando terminaria. Falam muito que fulano e sicrano foram demitidos da Globo, mas não há nada de pessoal aí. A dinâmica é que está diferente, e as novas regras são transparentes. E há o outro lado: se não tem contrato em vigor, fica livre para fazer o que quiser”, destacou Bernardes.
*Com informações de Terra
Videoclipe gravado na língua indígena tukano é lançado com apoio da Prefeitura de Manaus
Com apoio da Prefeitura de Manaus, por meio do Conselho Municipal de Cultura (Concultura), e recursos da Lei Paulo Gustavo (LPG), o cantor, compositor e pesquisador amazonense Agenor, Agenor lançou nas plataformas digitais o videoclipe da música “Pehe”. A canção, gravada na língua indígena tukano, traz uma reflexão profunda sobre a relação entre a modernidade e os saberes ancestrais indígenas, propondo uma abordagem inovadora sobre o futuro da Amazônia ao entrelaçar elementos do mundo contemporâneo com as tradições dos povos originários.
O videoclipe já está disponível no canal do YouTube “Agenor, Agenor Üremini” e em outras plataformas de streaming. A produção artística ressalta a importância da preservação da cultura indígena e do meio ambiente, enquanto promove uma fusão única de sonoridades tradicionais e contemporâneas.
Segundo o presidente do Concultura, Tony Medeiros, a Lei Paulo Gustavo tem sido fundamental para o fomento à produção cultural local. “Apoiar artistas como Agenor, Agenor, que buscam dar visibilidade e voz às culturas indígenas e à riqueza da nossa região, é um compromisso da Prefeitura de Manaus. A Lei Paulo Gustavo oferece a oportunidade para que projetos como esse, que preservam tradições e ao mesmo tempo dialogam com o presente, possam chegar ao público e impactar positivamente a sociedade”, comentou o presidente.
Conforme o artista Agenor, Agenor, o videoclipe foi pensado e produzido com recursos simples como editor de vídeo, computador, softwares e inteligência artificial disponibilizados de forma gratuita. “A ideia é inspirar jovens indígenas, quilombolas, ribeirinhos a usarem as tecnologias a nosso favor, para se apoderar desses recursos e atualizar as histórias mais antigas dos seus antepassados para a próxima geração. Precisamos nos empoderar nesse sentido e nos apropriar dessas tecnologias para dar continuidade e tomar o controle das nossas narrativas”, explicou o artista.
O videoclipe de “Pehe” é o primeiro de quatro lançamentos previstos dentro do projeto ‘Îremini yü puré’. As músicas trazem, por meio de ferramentas de produção digitais, sonoridades específicas da música indígena do Alto Rio Negro.
Língua Tukano
A música ‘Pehe’, que em português significa “Muito”, foi gravada na língua indígena tukano, falada por povos originários da região do Alto Rio Negro, no Amazonas. Ela começou a ser composta a partir da vivência do artista com orientandos indígenas do programa de mestrado da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) no município de São Gabriel da Cachoeira, distante 862 quilômetros de Manaus, em 2023.
“Sou orientador do Orlindo Ramos Marques, que é um dos tradutores da música. Conversando com ele surgiu essa ideia, com palavras e expressões bem simples, como Boa noite, Como você vai?, Estou indo para casa, coisas que ele me manda pelo Whatsapp e que eu venho tentando aprender”, disse Agenor.
O material já foi exibido em escolas de ensino médio e em outras ocasiões para públicos jovens em Manaus, que receberam entusiasmados e se engajaram no projeto.
O projeto foi um dos selecionados pelo Edital nº 004/2023 – Audiovisual, por meio da Lei Paulo Gustavo (LPG), da Prefeitura de Manaus, através do Concultura, com o apoio do Ministério da Cultura (MinC) e do Governo Federal.
Aquecimento global acima de 1,5ºC pode ser irreversível, mostra estudo
O aumento de 1,6ºC na temperatura média global registrado em 2024 – ano de calor recorde – pode ser sinal de um planeta permanentemente mais quente e mais vulnerável às mudanças climáticas daqui para frente, aponta um estudo do Centro Helmholtz para Pesquisa Ambiental, em Leipzig, Alemanha, e publicado recentemente na revista Nature Climate Change.
Estudiosos do clima geralmente tiram suas conclusões a partir de análises de um período mais longo, de 20 anos. Desta vez, porém, os pesquisadores queriam saber se era possível fazer previsões para o futuro considerando apenas 2024.
Como explicou um dos autores do estudo, até então o consenso entre cientistas era de que a superação do aquecimento de 1,5ºC em relação aos níveis pré-industriais pelo período de um ano não necessariamente significaria a quebra do Acordo de Paris. Esse cenário teria que se repetir por um período mais longo de tempo.
Baseados em dados de estações meteorológicas por todo o mundo, os pesquisadores constataram que a década de 1980 foi a primeira 0,6ºC mais quente que o período pré-industrial, quando nações ricas ainda não queimavam combustíveis fósseis em ampla escala.
Nas décadas seguintes, esse valor nunca recuou: ou se manteve em média, ou aumentou – mesmo quando descontados fatores como o El Niño.
Para os pesquisadores, o modelo prova que, “sem mitigação climática rígida”, o ano de 2024, com sua temperatura média 1,6ºC mais elevada, é apenas uma prévia das próximas duas décadas tão ou mais quentes.
Os resultados são claros: “Vimos no passado que, quando uma certa marca dos termômetros é ultrapassada, isso também se mantém na média de longo prazo. Não conseguimos mais voltar abaixo desse nível. E em nossos modelos climáticos, pudemos ver que isso também se aplica ao limite de 1,5ºC”, afirmou Jakob Zscheischler, um dos autores do estudo, ao portal alemão Tagesschau.
Outra pesquisa canadense com metodologia distinta, publicada no mesmo periódico na época, chegou a conclusões similares.

Papel dos combustíveis fósseis
Mesmo em países de clima mais ameno, esse aumento de temperaturas pode ser catastrófico, com ondas de calor, temporais, secas e enchentes mais frequentes e intensos.
Os autores do estudo alemão, porém, ressaltam que nem tudo está perdido: se a humanidade agir rápido e reduzir drasticamente suas emissões, é possível manter o aquecimento de fato em 1,5ºC ou pelo menos limitá-lo a 2ºC, teto máximo fixado aprovado pela comunidade internacional no âmbito do Acordo de Paris.
Mas o planeta não parece caminhar rumo a esse objetivo. Há décadas, cientistas têm alertado que a queima de combustíveis fósseis está liberando poluentes que aquecem o planeta. Ainda assim, as taxas globais de emissão seguem aumentando: desde 1990 as emissões de dióxido de carbono cresceram cerca de 50%.
*Com informações de Uol
Belém desmata floresta para fazer obra ‘irrelevante’ para a COP30
A nove meses da COP30 (30ª Conferência da ONU das Mudanças Climáticas), em Belém, a capital paraense acelera os preparativos para receber o maior evento do mundo sobre o combate ao aquecimento global. Mas, entre as obras previstas, algumas entram em contradição com o próprio objetivo da conferência.
É o caso de dois projetos apresentados como de mobilidade, mas que, na prática, favorecem o uso de carros particulares em vez de transporte público, e ainda atingem áreas florestais preservadas. Os planos de duplicação da rua da Marinha e de construção da avenida Liberdade visam diminuir os engarrafamentos entre Belém e sua região metropolitana.
“Tem obras que não têm nada a ver e que, para mim, são altamente contraditórias sob a perspectiva da agenda da COP e das mudanças climáticas. São obras rodoviaristas e a política para o carro a gente sabe como é: quanto mais espaço você der para o carro, mais carros vai ter”, aponta a diretora da UFPA (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Pará), Roberta Rodrigues, que integra um grupo de pesquisa do CNPQ sobre os impactos de grandes eventos para as cidades-sede, com foco na COP30 em Belém. “E a gente sabe ao que elas estão atreladas: a interesses bem específicos do mercado imobiliário e de grupos específicos daqui”, afirma.
Segundo especialistas, as obras não apenas serão irrelevantes para a realização da COP, como ainda pioram a adaptação da capital paraense às mudanças climáticas, ao diminuírem as áreas verdes da metrópole e gerarem aumento das emissões de CO2 pela maior queima de combustíveis. O arquiteto e urbanista Lucas Nassar constata que a sustentabilidade não foi o fio-condutor dos projetos de Belém para realizar a conferência, com financiamento do Ministério do Planejamento e Orçamento, do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e de Itaipu Binacional.
Nassar é diretor-geral da organização Laboratório da Cidade, que ajuda as cidades amazônicas a se adaptarem ao aquecimento do planeta e faz parte do Comitê COP30. A coalizão de 99 organizações mapeou a relação entre importância das obras e a sustentabilidade dos projetos. O estudo conclui que poucos são, ao mesmo tempo, necessários e “verdes”.
“A gente não pode dizer que não houve, mas está muito aquém do que nós esperaríamos de um evento cujo tema é mudanças climáticas. Tem muita obra e muito investimento que está sendo feito que não tem nenhuma compatibilidade com a nova agenda urbana sustentável”, lamenta.
Como bons exemplos, ele cita a construção do Parque da Cidade, local onde a conferência será realizada e legado para atividades culturais e de lazer em Belém, a revitalização do Porto do Futuro 2, no centro da capital, e a renovação da frota de ônibus municipais – com 700 modelos elétricos ou padrão Euro 6, até 20% menos poluentes do que os que rodam atualmente na metrópole.
Animais e quilombo ameaçados por estrada
Por outro lado, o traçado da avenida Liberdade corta nada menos do que uma APA (Área de Proteção Ambiental), com mata nativa da Amazônia. “O impacto é gigantesco, numa área que é uma APA e na lei da APA diz que não pode ter. Não poderia. Você compromete um manancial, áreas onde vivem comunidades tradicionais, quilombolas”, salienta Roberta Rodrigues. “Sem falar que é uma área que vai ser rasgada ao meio e, de um lado como do outro, dizem que não vão ter propostas de uso dessas áreas a médio prazo, sendo que vão fazer uma rodovia ali, ao longo? Não existe isso.”

A pouco mais de um quilômetro da futura avenida, com quatro pistas e mais de 13 quilômetros de extensão, vive uma comunidade tradicional no quilombo do Abacatal. Uma análise de impacto ambiental feita pelo governo estadual em 2023 identificou dezenas de espécies de répteis, aves e mamíferos que a estrada poderá “afugentar”, com “risco de atropelamentos”.
“Para os animais aquáticos poderá haver perda ou morte devido a possível alteração da qualidade da água nos rios e igarapés gerados pelos eventos indiretos de erosão ou ainda podem estar relacionadas a descartes de efluentes”, diz o relatório.
O estudo aponta ainda que três espécies de flora e quatro de aves potencialmente atingidos pelas obras são ameaçados de extinção, entre elas o tucano-de-papo-branco, o tucano-de-bico-preto, o choca-preta-e-cinza e o maracanã.
Obra foi embargada
Já o prolongamento da rua da Marinha, num total de 3,4 quilômetros entre as avenidas Augusto Montenegro e Centenário, nas proximidades do aeroporto, atende a uma reivindicação antiga de militares instalados na região. Para duplicar a via, o governo do estado está desmatando uma área de vegetação às margens da rua.
No ano passado, a obra chegou a ser embargada pela Justiça, após uma ação do MPE (Ministério Público Estadual), mas o Tribunal do Pará acabou autorizando a sua continuidade.
“Os militares, as diferentes forças, têm feito isso de uma maneira que eu considero muito irresponsável em relação à cidade, porque eles negociam essas áreas de reservas verdes, que têm uma importância ambiental para Belém gigantesca, e que depois viram shopping center, condomínio fechado de alto padrão”, constata Rodrigues.
Os dois urbanistas mencionam ainda o plano de canalização da avenida Tamandaré, na área central. A proposta de criação de um parque linear ao longo do canal aposta em mais concreto, sem vegetalização, e desconsidera o potencial de mitigação dos riscos de inundações.
“A gente está perdendo uma grande oportunidade de mudar alguns padrões, e usar não apenas a oportunidade em termos de captação de recursos – porque Belém nunca teve tanto dinheiro sendo investido ao mesmo tempo como agora -, mas para a gente fazer a mudança de chave que toda e qualquer cidade vai precisar fazer”, frisa a professora da UFPA.
Consultados pela reportagem RFI, o governo do Estado e a Secretaria Extraordinária da COP30, ligada à Casa Civil, não responderam aos pedidos de entrevista.

















