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Classificação de PCC e CV como terroristas abre espaço para interferência de Trump na eleição, aponta especialista

Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Fotos: Ricardo Stuckert / PR

A possibilidade dos Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas é uma tentativa dos norte-americanos de se engajar na agenda política do Brasil. Isso tem ocorrido há algum tempo em outros países da América, como a Venezuela, Cuba, Colômbia e no México, por exemplo.

Ao ser questionado se Donald Trump quer interferir em nosso território, Maurício Santoro, cientista político, professor de relações internacionais, colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha, aponta que, de certa medida, sim, como já tem feito em outros países vizinhos.

“Quer dizer, é uma tentativa de engajar os Estados Unidos de uma maneira mais profunda numa agenda de segurança pública brasileira que tem um forte componente político-partidário, que divide de uma maneira muito profunda o governo de esquerda e uma oposição conservadora. Então, é uma intervenção na política brasileira”, explica.

Há o receio, por parte dos brasileiro, que isso abra precedente para intervenções militares na América Latina, como ocorreu na operação de captura do ditador Nicolás Maduro, na Venezuela. Na ocasião, os EUA empregaram uma força aérea e naval militar numa suposta operação contra cartéis de drogas venezuelanos.

Do ponto de vista do especialista, a classificação vai prejudicar muito o grande esforço que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em neutralizar as ações de Trump como um elemento nas eleições de 2026 e tentar garantir que o presidente dos EUA não virasse um fator de desestabilização no pleito brasileiro.

“Era uma coisa que até agora o Lula mais ou menos tinha conseguido fazer. No ano passado, o governo tinha negociado de uma maneira bastante habilidosa um acordo comercial com os Estados Unidos, então tinha ali debelado várias tensões, e o que a gente está vendo agora é que isso é mais difícil do que parecia. Provavelmente, Trump e os Estados Unidos vão ser, sim, um assunto importante nas eleições brasileiras de 2026”, descreve.

O professor de Direito internacional da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), José Augusto Fontoura, pontua que Trump tem uma posição bastante intervencionista, como demonstrou em várias circunstâncias em relação a outros países e, na sua opinião, todo esse movimento é consistente com uma política geral de aprofundamento de formas de intervenção direta na América Latina.

Classificação permite ações dos EUA contra pessoas fora do território americano

Fontoura explica que a classificação como terrorismo vai permitir que os Estados Unidos, nas suas várias capacidades, tenham, de certa forma “um mandato” de dentro do país para atuarem com referência a fatos, pessoas e situações fora do território americano.

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa enquanto assina ordens executivas no Salão Oval da Casa Branca, em Washington – Foto: Leah Mills / Reuters

O professor pontua que as regras sobre proteção contra o terrorismo têm uma extraterritorialidade no direito americano, fazendo com que várias situações aqui no Brasil possam ser classificadas pelos EUA e pelas instituições americanas como relacionadas ao terrorismo e, portanto, sofrendo penalidades e sanções conforme o direito norte-americano.

O debate sobre a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal é usada como exemplo. “Era a história de ‘ah pode’, ‘não pode’, ‘o que faz’, e ‘o que não faz’. O que acontece é que vai haver, eventualmente, o aparecimento de penalidades, vai-se buscar informação e, na medida em que for possível os Estados Unidos fazerem isso, e eles têm bastantes meios de fazerem isso, principalmente em questões financeiras, eles vão penalizar”, afirma Fontoura.

Caso essa medida seja de fato instituída por Trump, em primeiro lugar se aplicam algumas sanções econômicas mais rigorosas a integrantes dos grupos, tais como:

  • Bloqueio de ativos financeiros que estão no exterior;

  • Deportação de faccionados e vistos negados;

  • Isolamento do grupo internacionalmente;

  • Além da dificuldade de receber treinamento, comprar armas e até contratar serviços.

A designação também facilitaria a cooperação internacional no combate ao crime organizado, e poderia autorizar o uso de força militar contra as facções em território americano, além de permitir o uso de inteligência e capacidades militares do Departamento de Defesa para atacá-los.

“A questão é que, como a gente teve lá na Operação Carbono Oculto, que mostrou a ideia de PCC ou de Comando Vermelho, ela não se restringe ao comércio de droga no morro, mas ela envolve várias atividades e setores que estão dentro da economia formal, da economia normal. E se eu tenho uma instituição bancária em que uma dessas instituições, mediante um laranja, tem uma conta, em princípio existe uma exposição a possibilidade de ter isso sancionado pelo direito americano”, destaca Fontoura.

Em sua visão, não há muito o que o Brasil possa fazer, num primeiro momento, fora do campo estritamente diplomático. Desde que voltou ao poder, no começo de 2025, Donald Trump já incluiu 25 organizações estrangeiras como terroristas em sua lista. Parte delas, são latino-ameticanas, como o venezuelano Tren de Aragua e o Cartel de los Soles, além de norte-americanas, como seis cartéis mexicanos.

Em maio, por exemplo, o responsável pelo setor de sanções do Departamento de Estado, David Gamble, solicitou formalmente que o Brasil adotasse essa designação em visita a Brasília. No entanto, o governo Lula já havia rejeitado a proposta, levando em consideração a Lei Antiterrorismo de nº 13.260/2016.

De acordo com a legislação brasileira, o terrorismo consiste na prática de atos motivados por questões ideológicas, religiosas, de preconceito ou descriminação, com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública. O que não seria o caso das facções, cuja motivação principal é o lucro com atividades ilícitas, como o tráfico de drogas.

Lula em evento sobre novas regras para tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) – Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Apesar disso, Lula já havia se mostrado disposto a cooperar em várias outras áreas para ajudar nesta questão, como compartilhando inteligência e dando cooperação internacional mais aguda nessa área. Caso o Brasil aceitasse essa denominação em acordo com os EUA, ao ver de Fontoura, poderia ser perigoso para o País.

“Na verdade, a gente estaria se comprometendo em ter alguma forma de ingerência de um país estrangeiro sobre as atividades que acontecem aqui, que é uma coisa que a gente não quer, pelo menos eu acho que não deveria querer. Agora, do ponto de vista de uma decisão unilateral e de aplicações unilaterais, não tem muito o que possa ser feito. E como tem muita proximidade, muita imbricação, o potencial de ter ações, enfim, que sejam prejudiciais ao Brasil não é inexistente. Agora, se isso vai acontecer na prática ou não, não dá para saber”, explica.

Trump quer interferir no Brasil?

Enquanto o anúncio não ocorre, o governo brasileiro segue tentando negociar com os EUA. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, conversaram ao telefone durante o último fim de semana para discutir a relação entre os países.

Ambos os especialistas não enxergam a possibilidade de Trump enviar suas tropas para o País, embora não haja nenhuma garantia disso. Uma medida tão extrema como essa é ilegal, a menos que houvesse anuência do governo brasileiro.

“Por enquanto é um reconhecimento de que certas organizações seriam organizações terroristas. Agora, até pela natureza ilegal, ilícita dessas organizações, não sei até onde ela vai, porque não é um clube que você tem carteirinha. Esse tipo de circunstância é complicada porque ela dá, para quem tem a possibilidade de definir o que está dentro e o que está fora, dá uma abertura muito grande”, pontua Fontoura.

*Com informações de Terra

Acadêmicos de Niterói é alvo do MPRJ por intolerância religiosa contra evangélicos

MPRJ analisa possível discriminação religiosa em desfile - Foto: Eduardo Hollanda / Reprodução / Rio Carnaval

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) instaurou um inquérito civil para apurar possível prática de discriminação religiosa contra evangélicos em uma ala da escola de samba Acadêmicos de Niterói, durante desfile na Marquês de Sapucaí, no domingo de carnaval.

Segundo o órgão, o procedimento foi aberto após o recebimento de representações e notícias de fato encaminhadas à 8ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Patrimônio Público e da Cidadania. As comunicações apontam que uma das alegorias teria incluído “religiosos evangélicos” em uma construção simbólica de conotação negativa ao lado de grupos como “defensores da ditadura militar”.

Também de acordo com a promotoria, integrantes da ala intitulada “Neoconservadores em conserva”, onde os componentes usavam fantasias que retratavam esses grupos dentro de latas, tem uma representação que pode sugerir “rotulagem, estigmatização e simplificação depreciativa de uma identidade coletiva”.

“A situação se agrava, portanto, quando tal representação associa aquele grupo à categoria de ‘defensores da ditadura militar’, de modo a projetar sobre a coletividade religiosa uma identidade política moralmente desqualificada no imaginário público”, afirma trecho do despacho.

No documento que determinou a abertura do inquérito, a promotoria ressalta que, em uma sociedade plural, nenhuma tradição religiosa deve ser tratada de forma depreciativa ou estigmatizante no espaço público.

O Ministério Público também destaca que manifestações culturais desse tipo recebem financiamento público e ocorrem em locais de grande visibilidade, o que levanta debate jurídico sobre limites entre liberdade de expressão artística e princípios constitucionais como igualdade e tolerância religiosa.

Escola também enfrenta ações no TSE

Além do Ministério Público, a Acadêmicos de Niterói também enfrenta representações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O Enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que resultou no rebaixamento da escola, foi alvo de críticas da oposição do atual presidente que apontam o desfile como possível propaganda eleitoral antecipada.

*Com informações de IG

Comissão de Constituição, Justiça e Redação da CMM analisa 13 projetos com foco em acessibilidade e meio ambiente

Entre as propostas debatidas está a emissão de carteira de vacinação em braille - Foto: Cleuton Silva / Dicom

A 2ª Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da Câmara Municipal de Manaus (CMM) analisou, durante reunião realizada nesta quarta-feira (11 de março), 13 Projetos de Lei que tratam de diferentes temas de interesse da população. Entre as propostas debatidas pelos parlamentares, estiveram projetos voltados à acessibilidade e à preservação do meio ambiente.

A reunião foi presidida pelo vereador Kennedy Marques (MDB) e contou com a participação dos demais parlamentares que integram a comissão. Durante o encontro, os vereadores avaliaram a constitucionalidade e a legalidade das matérias antes de seguirem para tramitação nas demais comissões da Casa Legislativa.

Entre os projetos analisados está uma proposta de autoria do vereador Kennedy Marques (MDB), que tem como objetivo reduzir a utilização de papel na administração pública municipal. A medida busca incentivar práticas mais sustentáveis e contribuir para a preservação do meio ambiente no âmbito dos órgãos da Prefeitura de Manaus.

“É um projeto que já é realidade em outros lugares e estamos trazendo para Manaus, uma cidade que deve dar exemplo em questões ambientais”, disse.

Outro projeto que esteve em pauta é de autoria do vereador Professor Samuel (PSD) e dispõe sobre a garantia da emissão da carteira de vacinação em braille. A iniciativa pretende ampliar a acessibilidade para pessoas com deficiência visual, garantindo mais autonomia no acesso às informações de saúde.

A CCJR volta a se reunir na próxima quarta-feira para dar continuidade à análise das matérias que tramitam na Casa Legislativa.

Por que jacarés não comem capivaras? Entenda motivo da ‘amizade’ entre eles

Foto: Freepik / Reprodução

Capivaras e jacarés costumam dividir o mesmo espaço pacificamente na natureza porque o ataque aos roedores gigantes exige muita energia e oferece alto risco de ferimentos aos predadores.

A tolerância entre as espécies ocorre principalmente com crocodilianos menores, como o jacaré-do-pantanal. O fenômeno é comum em regiões da América do Sul, como o Pantanal e os Llanos, onde os animais compartilham o habitat aquático.

A falta de ataques é explicada pela economia da predação. O jacaré avalia o gasto de energia da caça em relação ao retorno de calorias, já que uma capivara adulta pode pesar até 68 kg.

Dominar o roedor exige uma luta longa que pode machucar o predador. Os jacarés preferem presas mais fáceis, como peixes e aves, para poupar energia e evitar ferimentos que prejudiquem caçadas futuras.

As capivaras sabem se defender muito bem. Elas vivem em grupos, nadam rápido e possuem dentes frontais grandes e afiados, capazes de causar danos graves aos agressores.

A especialista Elizabeth Congdon afirma que o risco afasta os predadores. “As capivaras têm dentes grandes e afiados. Combinados com o tamanho do corpo, acho que elas simplesmente não valem o trabalho e o risco de lesão”, diz a professora da Bethune-Cookman University ao site IFL Science.

A convivência, no entanto, nem sempre é pacífica. Os jacarés ainda caçam filhotes de capivara ou animais feridos se tiverem oportunidade, mantendo a trégua apenas com adultos saudáveis.

O papel do clima na convivência

As condições ambientais alteram a relação entre predador e presa ao longo do ano. Durante a época de chuvas, a água sobe e oferece muitos peixes e pequenos animais aquáticos aos jacarés.

A abundância de comida fácil aumenta a tolerância com as capivaras. Já na estação seca, a água diminui e a comida some, o que faz os jacarés arriscarem ataques contra os roedores gigantes para sobreviver.

*Com informações de Uol

Legado de Martha Falcão impulsiona gerações de mulheres na ciência

No mês do Dia Internacional da Mulher, trajetórias que revelam como a base escolar no Amazonas quebra estereótipos em áreas dominadas por homens, da agronomia à engenharia robótica - Foto: Assessoria

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, traz à tona discussões sobre a ocupação feminina em espaços historicamente masculinos, especialmente nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM). Em Manaus, esse movimento de ocupação ganha contornos regionais através do legado deixado pela professora e pesquisadora Martha Falcão. Falecida em 2016, a ecologista não apenas deu nome a uma das instituições de ensino mais tradicionais da cidade, mas estabeleceu um DNA educacional focado no protagonismo feminino e na preservação ambiental.

Nas Instituições Nelly Falcão de Souza (INFS), que englobam o Pinocchio Centro Educacional e o Colégio Martha Falcão, a ciência é apresentada às meninas não como uma possibilidade distante, mas como uma ferramenta de transformação. O pilar dessa formação é o Clube do Futuro Cientista, projeto que estimula a pesquisa prática e visitas técnicas. Esse ambiente de fomento tem gerado resultados que ultrapassam os muros da escola e se transformam em carreiras sólidas e inovações para o mercado de trabalho.

Um exemplo desse impacto é a trajetória de Ana Cecília Nina Lobato, de 33 anos. Hoje doutora em agronomia tropical e gerente de produção vegetal no Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (IDAM), a engenheira agrônoma teve seu primeiro contato com o rigor científico ainda no Ensino Médio. Foi durante uma feira de ciências que Ana Cecília descobriu o potencial das plantas medicinais no INPA, despertando a curiosidade que a levaria a desenvolver, anos mais tarde, um material biodegradável feito da fécula do cará para substituir o plástico.

“A agronomia ainda é uma área bastante masculina e enfrentamos desafios diários. No entanto, a base que tive no colégio foi fundamental para minha postura profissional. Aprendi a me expressar, a escrever com rigor e a ter a segurança necessária para levar recomendações técnicas a produtores rurais com diferentes realidades e expectativas”, afirma Ana Cecília. Para ela, o diferencial foi o incentivo precoce à oralidade e ao comportamento científico, ferramentas que hoje utiliza para liderar equipes no setor público.

Na nova geração, o entusiasmo pela tecnologia segue o mesmo fluxo. Natália Barros, de 20 anos, ex-aluna da turma de 2022, cursa Engenharia de Controle e Automação na Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Sua escolha de carreira foi selada durante a gincana de 35 anos do colégio, quando precisou construir um robô em apenas uma semana. O desafio, que poderia intimidar muitos jovens, serviu como confirmação de sua aptidão para a engenharia, área onde as mulheres ainda são minoria.

Natália recorda que, embora sua turma fosse majoritariamente masculina, o ambiente escolar sempre priorizou o respeito e a equidade. “Nunca me senti excluída e isso reflete a educação que recebemos. Meus professores e pedagogos foram os primeiros a dizer que eu deveria seguir meu sonho”, destaca a futura engenheira. Segundo ela, o segredo para as mulheres no setor é a liderança: “Não se trata apenas de ocupar espaços, mas de liderar a inovação com uma visão feminina única. Nossa perspectiva é, muitas vezes, a peça que falta para solucionar grandes problemas”.

O ciclo de incentivo continua vivo com alunas como Naomi Nakamura, de 17 anos. Atualmente no 3º ano do Ensino Médio, Naomi representa a conexão entre a pesquisa científica e o impacto global. A estudante encontrou na ciência uma forma de expressão e de paz. Sua atuação já rompeu fronteiras: ela faz parte do clube Girl Up, apoiado pela ONU, e está envolvida em pesquisas com a Universidade de Toronto e a Universidade de Nova York, onde participará nesta semana de um painel sobre o papel das mulheres na saúde global.

Naomi desenvolveu um projeto de biofilme biodegradável para proteger as águas da Amazônia, unindo a preocupação ambiental da patrona Martha Falcão com a tecnologia moderna. Para a estudante, a ciência é um campo de batalha contra estereótipos que ainda cercam as mulheres latinas. “É importante dar destaque às mulheres brasileiras que, muitas vezes, enfrentam preconceitos em ambientes acadêmicos internacionais. Precisamos ser vistas como inovadoras e empreendedoras, não apenas como cuidadoras”, pontua a jovem.

Ana Cecília Lobato – Foto: Assessoria

O suporte para que alunas como Naomi alcancem conferências internacionais e universidades estrangeiras vem de uma estrutura que prioriza o debate e a simulação de modelos como os da ONU. A participação em clubes de cientistas e atividades práticas de cultivo de mudas em periferias de Manaus são exemplos de como a teoria se converte em responsabilidade social e científica. A ideia é que o conhecimento não fique restrito às bibliotecas, mas que ganhe as ruas e os laboratórios de inovação.

A diretora geral das INFS, Nelly Falcão de Souza, enfatiza que a missão institucional vai além do conteúdo programático exigido pelo Ministério da Educação (MEC). Para a gestora, formar mulheres cientistas é uma questão de justiça social e desenvolvimento regional. “Nossa missão é garantir que cada menina que passe pelo Pinocchio e pelo Martha Falcão entenda que sua curiosidade é o seu maior patrimônio. Nós honramos o legado de Martha Falcão oferecendo as ferramentas para que elas não apenas entendam o mundo, mas tenham a coragem de transformá-lo através da ciência e da ética”, explica a diretora.

Roberto Cidade propõe articulação entre governo e setor para minimizar alta dos combustíveis no Amazonas

Foto: Herick Pereira

O aumento no valor dos combustíveis para o consumidor final em todo o Amazonas foi tema de debates nesta quarta-feira, (11/3), na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). O presidente da Casa, deputado estadual Roberto Cidade (UB), falou que além de intensificar a fiscalização sobre o valor repassado ao consumidor na bomba, este é o momento de o Governo do Estado, governos municipais e entidades de classe buscarem um entendimento que seja menos danoso à população.

“É preciso ter responsabilidade com o consumidor. É imprescindível monitorar, fiscalizar. E eu me coloco à disposição também para articular junto ao governador Wilson Lima e os representantes do setor para que se encontre um entendimento. O aumento no valor do petróleo tem a ver com a guerra, mas outros fatores também estão impactando e nós precisamos buscar um meio termo. Talvez por meio de incentivos, para controlar o valor dos combustíveis na capital e no interior do Estado. É algo que se deve pensar para que se possa agir o mais breve possível”, sugeriu o deputado-presidente.

Cidade falou ainda sobre o valor do litro da gasolina em municípios amazonenses.

“Em Pauni, o valor do litro da gasolina está R$ 9,14, em Maués está mais de R$ 10 e em Parintins também já aumentou. Se na capital, o aumento já é prejudicial, você imagina no interior. É preciso agilidade para minimizar os impactos”, reforçou Cidade.

O litro da gasolina, em Manaus, está em média R$ 7,29, sendo uma das mais caras do Brasil. Em alguns estabelecimentos, a gasolina aditivada chegou a R$ 7,49. Diante do aumento, que pegou de surpresa o consumidor, o Instituto de Defesa do Consumidor (Procon-AM) anunciou a intensificação de fiscalizações para investigar a rápida elevação dos preços.

Emendas do Amom beneficiam 29 projetos na capital e no interior: 30% dos recursos ficam em Manaus

Recursos priorizam insumos, exames e fortalecimento de serviços de saúde em projetos de instituições da capital e municípios do interior  - Foto: Assessoria

O deputado federal Amom Mandel divulgou o resultado do 3º Edital de Emendas Parlamentares, com um recorte claro em 2026: só saúde. O mandato concentrou a seleção em ações do SUS voltadas para o que resolve na ponta a grave crise da saúde pública no Amazonas. Este ano, os recursos das emendas do Amom serão destinados a beneficiar a saúde com a compra de insumos, exames, curativos e reforço de atendimento e na estrutura de instituições de saúde.

O resultado traz 29 projetos aprovados, com R$100 mil por proposta, totalizando R$2,9 milhões nesta etapa. Pela modelagem do edital, haveria capacidade de apoiar até 100 projetos nesse mesmo padrão, mas a equipe do mandato explica que a qualidade técnica dos projetos inscritos não preencheu os critérios do edital e, portanto, o número de selecionados ficou aquém do teto. Com isso, o deputado Amom decidiu avançar diretamente com a indicação dos 29 finalistas e manter o restante do planejamento dentro da saúde, com possibilidade de remanejamento para outras ações elegíveis, sem sair do setor.

Como nos dois anos anteriores, a seleção dos projetos contemplados seguiu um filtro objetivo e rigoroso: qualidade técnica das propostas, capacidade real de execução e adequação ao escopo do edital, que neste ano foi exclusivamente voltado à saúde, dentro das ações do SUS (atenção primária e média/alta complexidade). Propostas que não atenderam a esses requisitos, inclusive por estarem fora do escopo, não avançaram para a lista final. Os contemplados deverão receber os recursos ainda no primeiro semestre deste ano.

Segundo Amom, “a concentração em saúde, com edital público e critérios objetivos, é uma resposta prática ao debate nacional sobre emendas. Menos discurso e mais rastreabilidade, com foco em serviços que a população usa todo dia.”

Manaus: 10 projetos e R$ 1 milhão para execução em unidades da capital

Manaus é um dos principais polos de execução do edital. Mostrando que não há critério político-partidário na destinação dos recursos, há projetos aprovados em instituições como HEMOAM, Maternidade Dr. Antenor Barbosa, FMT-HVD, Policlínica Ten. Weber e Policlínica Governador Gilberto Mestrinho. Dentro do conjunto aprovado no 3º. Edital de Emendas Participativas, Manaus terá execução direta em 10 projetos, somando R$ 1 milhão, distribuídos entre instituições estratégicas da saúde pública:

1. Policlínica Ten. Weber (PMAM)

  • Projeto de atendimento multidisciplinar especializado para pessoas com TEA vinculadas à rede de saúde da Polícia Militar do Amazonas

2. HEMOAM – Manaus (seis iniciativas voltadas à segurança transfusional, testes e insumos para diagnóstico e acompanhamento de pacientes hematológicos e oncológicos)

  • Aquisição de testes para hemoglobinômetros não invasivos
  • Dispositivo para coleta a vácuo para controle microbiológico de hemocomponentes
  • Ampliação da segurança transfusional (fenotipagem eritrocitária estendida)
  • Insumos para diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes hematológicos e oncológicos
  • Rastreamento de risco para leucemia linfocítica crônica (LLC) na região amazônica por Citometria de Fluxo
  • Investigação genômica sobre enterobactérias que causam resistência e virulência bacteriana

3. Maternidade Dr. Antenor Barbosa

  • Aquisição de insumos e materiais de consumo

4. Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (Unidade Hospitalar Nelson Antunes)

  • Aquisição de equipamentos de ar-condicionado para UTI Adulto, enfermaria de isolamento respiratório e enfermaria de SRAG – síndrome respiratória aguda grave

5. Policlínica Governador Gilberto Mestrinho

  • Aquisição de insumos para a melhoria do serviço do Programa Pé Diabético

Modelo prioriza transparência

Num momento em que as “emendas Pix” viraram sinônimo de dor de cabeça nacional por falta de rastreabilidade, ausência de plano de trabalho e suspeitas de mau uso, o mandato do deputado federal Amom Mandel foi na direção certa e apostou, desde o começo, num modelo de edital participativo para destinar emendas com mais transparência e controle social. Enquanto o STF vem cobrando regras mais duras para as transferências especiais, exigindo plano de trabalho e acionando órgãos de controle para investigar repasses sem documentação, o edital do Amom abriu a porta para que as próprias instituições apresentem seus projetos, com objetivos, orçamento, metas e justificativa, dentro do “cardápio” permitido pelo governo federal.

Na prática, o desenho é simples e funciona: a demanda sobe de baixo para cima (instituições e entes apresentam propostas), passa por um crivo técnico e jurídico antes de qualquer indicação, e não termina na publicação do resultado. Depois da destinação, o gabinete acompanha a execução de perto, cobrando documento, cronograma, entrega e evidência de uso correto. É uma forma de proteger o recurso público do “dinheiro sem destino” e, ao mesmo tempo, garantir que a emenda cumpra o que deve ser: resolver problemas reais com regras claras e fiscalização.

Quem joga se a Seleção do Irã desistir da Copa do Mundo 2026? Entenda

Taça da Copa do Mundo - Foto: Stuart Franklin / Getty Images

A possível desistência da Seleção Iraniana da Copa do Mundo 2026 abriu um cenário de incerteza sobre quem poderia ocupar a vaga da equipe no torneio.

Embora ainda não exista uma comunicação oficial à Fifa, a declaração do ministro do Esporte do país, Ahmad Donyamali, afirmando que o Irã não participará da competição por causa da guerra envolvendo Estados Unidos e Israel, colocou a entidade máxima do futebol diante de um possível problema organizacional.

O Mundial de 2026 será realizado de forma conjunta por Estados Unidos, México e Canadá, com início previsto para 11 de junho, e, no momento, a seleção iraniana está confirmada no Grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia. O país asiático disputaria duas partidas em Los Angeles e uma em Seattle na fase de grupos.

O que diz o regulamento da Copa

Segundo o documento da Fifa, qualquer federação que abandone a competição até 30 dias antes da primeira partida da fase final pode ser multada em pelo menos 250 mil francos suíços.

Além disso, a associação nacional pode ser obrigada a devolver recursos recebidos para a preparação do torneio e até enfrentar sanções disciplinares adicionais.

Sobre qual seleção substituiria a equipe desistente, o artigo 6 do regulamento estabelece apenas que, caso uma federação participante se retire ou seja excluída, a decisão caberá exclusivamente à Fifa, que poderá tomar as medidas que considerar necessárias (inclusive escolher outra seleção para ocupar a vaga).

Possíveis cenários para substituir o Irã

Caso a desistência seja oficializada, uma das alternativas seria manter o Grupo G com apenas três seleções, mas essa possibilidade é considerada delicada, pois reduziria o número de partidas do torneio e poderia afetar compromissos comerciais, como contratos com patrocinadores e emissoras de televisão.

Outro cenário envolve a ampliação da repescagem intercontinental. Nova Caledônia, Jamaica, Bolívia, Suriname, República Democrática do Congo e Iraque estão envolvidas nas disputas por vagas restantes e poderiam ser beneficiadas caso um novo lugar no Mundial seja aberto.

Presidente dos EUA, Donald Trump, recebe medalha do “Prêmio da Paz” da Fifa entregue por Gianni Infantino – Foto: Amber Searls / Reuters

Entre os nomes mais citados para herdar a vaga está justamente o Iraque, que venceu a repescagem regional contra os Emirados Árabes Unidos e avançou para os playoffs intercontinentais, onde enfrentaria o vencedor do duelo entre Bolívia e Suriname. Por possuir bom posicionamento no ranking e ser do mesmo continente do Irã, os iraquianos aparecem como um dos candidatos naturais a ocupar o lugar.

Outra possibilidade seria reorganizar a própria repescagem, fazendo com que os Emirados Árabes Unidos assumissem a vaga asiática deixada pelo Iraque, enquanto a equipe iraquiana herdaria diretamente o lugar do Irã na Copa.

Há ainda a hipótese de que a Fifa aguarde a conclusão dos playoffs para decidir qual seleção substituiria os iranianos.

O conflito envolvendo o Irã afeta diretamente outros países do Oriente Médio, inclusive o Iraque e os Emirados Árabes Unidos, que também lidam com restrições aéreas e dificuldades logísticas para viagens internacionais.

A própria disputa da repescagem internacional, marcada para ocorrer em Monterrey, no México, pode sofrer impacto caso as delegações enfrentem problemas para deixar seus países devido ao fechamento de espaços aéreos.

Fifa tenta evitar desistência

Apesar das especulações, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou ter recebido garantias do presidente americano Donald Trump de que a delegação iraniana será bem-vinda no país durante o torneio.

Segundo Infantino, eventos como a Copa do Mundo têm papel importante para aproximar povos e culturas em momentos de tensão internacional, mas autoridades iranianas mantêm um discurso duro. Donyamali chegou a afirmar que, diante do cenário político e militar atual, “não há condições” para a participação da seleção no torneio.

Apesar da repercussão internacional, até o momento não há um comunicado formal da federação iraniana confirmando a retirada da Copa do Mundo. Enquanto isso não ocorre, a vaga segue oficialmente com o Irã.

*Com informações de Terra

Presidente do TCE-AM intensifica plano de ação para acelerar análise de processos antigos

Foto: Joel Arthus

Desde o início do biênio 2024-2025, a gestão da conselheira-presidente Yara Amazônia Lins tem priorizado medidas voltadas ao aprimoramento da eficiência e à redução do estoque processual no Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM).

Em continuidade a essa diretriz, a presidente anunciou a implementação de um plano de ação voltado à aceleração da instrução e do julgamento de processos referentes aos exercícios de 2012 a 2020, com prioridade para os mais antigos e de maior impacto jurídico.

“Nosso compromisso é garantir que o Tribunal atue com responsabilidade, organização e foco em resultados. Precisamos assegurar que os processos tenham desfecho em tempo adequado, com celeridade e rigor técnico”, afirmou.

A adoção das medidas delineadas, segundo a presidente, busca promover a redução qualificada do estoque processual, com impacto direto na eficiência administrativa. A proposta equilibra celeridade e segurança jurídica, além de prevenir a ocorrência de prescrição nos processos em tramitação na Corte.

Os processos contemplados serão encaminhados aos respectivos relatores para conhecimento e acompanhamento das providências.

Além disso, a presidente informou a criação de um painel eletrônico que permitirá o monitoramento em tempo real da tramitação, ampliando a transparência interna e o controle sobre o cumprimento das metas estabelecidas.

A iniciativa foi bem recebida pelos demais conselheiros, que manifestaram apoio à estratégia e destacaram a importância do esforço conjunto para garantir maior dinamismo à tramitação processual e fortalecer o papel institucional do Tribunal no controle externo.

Ana Castela toma atitude drástica contra Virginia após polêmica

Ana Castela e Virginia Fonseca - Foto: Reprodução / Instagram

A cantora Ana Castela virou assunto nas redes sociais nesta quarta-feira, 11/03. Após as últimas polêmicas, a Boiadeira tomou uma atitude drástica envolvendo a influenciadora Virginia Fonseca.

Como nada passa despercebido, os internauta notaram que Ana deixou de seguir a apresentadora no Instagram. A atitude ocorreu logo após uma suposta indireta de Virginia.

O unfollow causou polêmica e deu o que falar na internet, dividindo opiniões. “To preocupada, talvez a Virgínia nem durma hoje”, ironizou uma internauta. “Vivia jogando indireta, quando a Virgínia jogou a primeira não aguentou!”, afirmou outra pessoa. “Tá certíssima”, defendeu a terceira.

Entenda a polêmica

A confusão começou após Virginia publicar um vídeo maquiando a filha Maria Flor. No registro, ela diz: “Linda demais da conta. Agora ela só quer que a mamãe maquie ela, né? Ou você vai deixar outra pessoa te maquiar?” questionou Virginia, e Maria Flor respondeu: “Mamãe!”. A empresária reagiu: “Só mamãe, né? Mamãe sabe maquiar, não sabe?”, disse. “Só mamãe agora”, concluiu a irmã de Maria Alice e José Leonardo.

A declaração da empresária foi vista como uma indireta para Ana Castela. Isto porque, no último final de semana, a Boiadeira esteve na casa do ex-namorado, o cantor Zé Felipe, e foi filmada maquiando Maria Flor.

Zé Felipe perde a paciência e manda recado afiado após polêmica: ‘Limites’

O cantor Zé Felipe agitou a web nesta terça-feira, 10/03, ao publicar uma mensagem enigmática e afiada sobre limites pessoais. Sem revelar nomes, o sertanejo se mostrou bastante irritado com uma situação e, por isso, resolveu opinar de forma pública.

Direto e reto, Zé disparou: “Todo mundo tem limites. A partir de agora vou mostrar os meus. Boa noite”. Apesar se não ter citado nomes, os internautas interpretarem a fala do artista como uma resposta sobre a polêmica envolvendo duas de suas ex-companheiras.

*Com informações de Terra

POLÍTICA

Amom critica Wilson Lima e diz que pacientes da rede pública...

Em um discurso contundente durante audiência pública na Câmara Municipal de Manaus (CMM), o deputado federal Amom Mandel (Republicanos-AM) criticou a atuação de autoridades...

ECOLÓGICAS

Eduardo Braga aponta novas etapas de obras na BR-319 e entrega...

O senador Eduardo Braga (MDB-AM) destacou nesta semana, o conjunto de obras e medidas que vêm consolidando uma nova fase para a BR-319, resultado...