‘Eu proibi enquanto não liberar o visto do meu ministro’, diz Lula sobre vinda de assessor de Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 13, que o assessor do presidente Donald Trump para temas relacionados ao Brasil, Darren Beattie, só entrará no País quando o governo americano liberar o visto do ministro Alexandre Padilha.
“Aquele cara americano que disse que vinha para cá visitar o Jair Bolsonaro foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar o visto do meu ministro da Saúde, que está bloqueado”, disse Lula em discurso no Rio de Janeiro.
Darren Beattie havia conseguido uma decisão para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na cadeia. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou, no entanto, nesta quarta-feira, 11, a autorização que ele próprio havia concedido para a visita.
Na decisão, o ministro concluiu que “a realização da visita de Darren Beattie, requerida nestes autos pela Defesa de Jair Messias Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras”.
A reviravolta ocorreu após o Itamaraty informar a Moraes que o visto de Beattie foi concedido exclusivamente para participação no Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, evento marcado para 18 de março em São Paulo, e que a visita ao ex-presidente nunca constou dos objetivos comunicados pelo governo norte-americano.
Segundo o Itamaraty, o visto foi concedido com base em pedido encaminhado em 6 de março pelo Departamento de Estado ao Consulado-Geral do Brasil em Washington.
Na comunicação, o governo norte-americano informou que Beattie viajaria ao País “para uma conferência sobre minerais críticos e para reuniões oficiais com representantes do governo brasileiro”.
O chanceler destacou que “à época do referido pedido ao Consulado-Geral, não constava qualquer menção a eventual interesse do visitante em realizar encontros ou visitas não relacionadas aos objetivos oficialmente comunicados”.
*Com informações de Terra
Mais da metade das capitais não tem plano de adaptação climática
Grandes cidades brasileiras estão despreparadas para lidar com um clima cada vez mais imprevisível e extremo, impulsionado pelas mudanças climáticas, afirma Jarlene Gomes, pesquisadora do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia). Segundo dados do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), mesmo com volumes de chuva abaixo da média, o período chuvoso entre outubro de 2025 e janeiro de 2026 tem provocado alagamentos, deslizamentos de terra e apagões em grandes centros urbanos.
“Das 27 capitais do Brasil, 15 não possuem planos de adaptação e mitigação climática. O que existem são ações emergenciais em resposta a desastres, mas faltam medidas preventivas capazes de reduzir riscos futuros. É necessário um enfoque maior em políticas estruturantes, implementadas antes que os desastres ocorram, e que incluam a proteção da vegetação nativa, a criação de corredores verdes e a preservação de áreas de proteção permanente. Esses mecanismos funcionam como uma ‘esponja natural’, ajudando a regular o microclima, absorver a água da chuva e reduzir extremos”, destaca Jarlene Gomes, que também é uma das autoras do Plano de Adaptação Municipal de Rio Branco, no Acre.
Das nove capitais da Amazônia Legal, apenas Rio Branco possui plano de adaptação climática. Em 2023 e 2024, a região enfrentou secas históricas, que favoreceram a ocorrência de queimadas de grandes proporções, mantiveram cidades cobertas de fumaça e ar tóxico por semanas consecutivas e dificultaram o acesso a áreas remotas do bioma.
Em Manaus, a maior capital brasileira sem um plano de adaptação, mais de 112 mil pessoas vivem em áreas sujeitas a deslizamentos ou alagamentos, segundo levantamento do SGB (Serviço Geológico do Brasil). Já em Belém, sede da COP30, cuja agenda destacou a adaptação climática, o SGB aponta que 10% da população reside em áreas sob risco de inundação.
Custo da inação
Segundo levantamento realizado pelo IPAM em parceria com pesquisadores da Universidade de Bristol, no Reino Unido; da Universidade de Cuenca, no Equador; da Universidade Federal do Acre; da Fundación Innova, de Santa Cruz de la Sierra; e da Universidade de Stony Brook, nos Estados Unidos, entre 2013 e 2023 mais de 12 mil eventos climáticos extremos foram reportados na Amazônia continental — área que inclui o território internacional do bioma. As catástrofes afetaram mais de 3 milhões de pessoas e danificaram mais de 100 mil estruturas de infraestrutura.
Na Amazônia brasileira, eventos climáticos extremos como inundações e secas prolongadas também agravam as vulnerabilidades sociais e ameaçam a sociobiodiversidade da região. Conforme dados do IPAM publicados no policy brief “Acelerando Estratégias de Adaptação Equitativa na Amazônia em Meio às Mudanças Climáticas”, os prejuízos causados pelo clima na região chegam a R$ 3 bilhões por ano, um aumento de 370% em comparação ao impacto registrado no início do século. No mesmo período, a ocorrência de inundações e deslizamentos de terra associados às chuvas também triplicou.
“As estratégias de adaptação climática têm um custo financeiro e exigem a mobilização de estruturas de governança e monitoramento. Mas, quando se compara esse custo com o dos desastres e seus desdobramentos, vemos que o investimento em adaptação ainda é muito baixo diante dos benefícios que pode gerar”, afirma Patrícia Pinho, diretora de Pesquisa do IPAM.
Além do impacto econômico crescente, o estudo destaca que os eventos climáticos extremos atuam como “multiplicadores de pobreza”, provocando impactos principalmente na infraestrutura e nas moradias. Os municípios pequenos da Amazônia, que também concentram grande parte dos povos indígenas e comunidades tradicionais, estão entre os mais afetados e são justamente os que dispõem de menos recursos para lidar com os efeitos de chuvas intensas e secas severas.

Desastres anunciados
A existência de um plano desatualizado ou sem aplicação efetiva também não garante segurança diante das mudanças climáticas. Em São Paulo, cidade que possui um plano de adaptação desde 2021, as chuvas no início do ano deixaram quatro mortos, causaram apagões e apagões e levaram à interdição de rodovias.
Apesar dos episódios de precipitação intensa na capital, o desequilíbrio climático no Estado também tem levado os reservatórios que abastecem a região metropolitana a enfrentarem uma seca histórica, com previsão de racionamento de água.
“Em São Paulo, houve dias com volumes acima de 50 milímetros e até próximos de 100 milímetros em apenas 24 horas. A chuva cai de forma concentrada e localizada, o que sobrecarrega o sistema de drenagem e não contribui de maneira eficiente para a recuperação dos reservatórios, pois não se distribui de forma uniforme pelo território”, explica Glauber Willian, meteorologista do INMET.
Em Minas Gerais, uma tempestade em fevereiro deixou ao menos 72 mortos e mais de 8.500 desabrigados na Zona da Mata. A verba destinada à prevenção dos impactos das chuvas no Estado caiu em 95% desde 2023, chegando a apenas R$ 5,8 milhões em 2025.
Em Belo Horizonte, que também conta com um plano de adaptação, o volume de chuvas superou em 230% a média histórica, provocando alagamentos, interdições de vias e a emissão de alerta para enxurradas e deslizamentos.
“Se analisarmos desde o início da estação chuvosa, o acumulado na região Centro-Sul do Brasil está até abaixo da média. Uma ou outra área pode registrar índices ligeiramente superiores, mas, de forma geral, a estação tem sido deficitária, especialmente no Sudeste e no Centro-Oeste. Há, porém, uma característica que se espera diante das mudanças climáticas: a redução da média de precipitação ao longo da estação, intercalada por episódios pontuais de chuvas intensas. Foi exatamente o que ocorreu neste ano”, detalha Marcelo Seluchi, coordenador-geral de Operações e Modelagem do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).
Futuro incerto
O início do período chuvoso no Brasil também foi marcado pela influência de uma La Niña de intensidade branda, que provocou chuvas acima da média em áreas da Região Norte e uma temporada mais seca no Sul do país. As tempestades de grande volume, responsáveis por desastres recentes, também contaram com a atuação de outros fenômenos meteorológicos clássicos, como zonas de convergência e vórtices ciclônicos, que concentram a precipitação em determinadas regiões, além de uma atmosfera mais aquecida, capaz de reter maior quantidade de umidade e liberá-la na forma de chuvas intensas e de curta duração.
“O aquecimento global não cria novos sistemas atmosféricos, mas altera a intensidade, a frequência e a previsibilidade daqueles que já existem. O clima passa por um processo de ajuste, e os referenciais históricos nem sempre são suficientes para explicar o que está acontecendo hoje. Os últimos anos foram os mais quentes já registrados no planeta, e isso afeta desde a circulação atmosférica até a forma como a chuva se organiza no tempo e no espaço”, alerta Glauber.
Com o aquecimento natural das águas do Pacífico, os efeitos da La Niña no Brasil têm perdido força, e cientistas preveem uma transição para um El Niño intenso ainda no final do ano. O último El Niño, que atingiu seu pico no início de 2024, contribuiu para as temperaturas recordes registradas naquele ano, além de estar associado às secas na Amazônia e às chuvas extremas no Rio Grande do Sul, em 2023, que deixaram 183 mortos e 5 mil desabrigados. Com o oceano Pacífico mais quente do que a média em razão das mudanças climáticas, o El Niño tende a ganhar intensidade, ampliando seus impactos.

“Com eventos climáticos cada vez mais instáveis, marcados por secas prolongadas e chuvas intensas concentradas, é urgente fortalecer as governanças territoriais com base em instrumentos já consolidados. A implementação efetiva do Código Florestal, por exemplo, deve ser compreendida como parte da estratégia de gestão de riscos climáticos. A proteção e a recomposição da vegetação nativa, especialmente em Áreas de Preservação Permanente e Reservas Legais, funcionam como infraestrutura natural capaz de regular o ciclo hidrológico, reduzir enchentes, conter processos erosivos e aumentar a resiliência das paisagens. Neste contexto, cumprir o Código Florestal não é apenas uma exigência legal, mas uma medida de adaptação socioambiental frente aos impactos climáticos “, reforça Jarlene.
A pesquisadora também aponta a necessidade de investimento em sistemas de alerta e infraestrutura, revisão dos planos diretores, aprimoramento do planejamento territorial e reforço das políticas públicas de regularização fundiária.
*Com informações de Ciclo Vivo
Amom Mandel destina R$ 84,4 milhões para a saúde no Amazonas

O deputado federal Amom Mandel destinou, entre os exercícios orçamentários de 2024, 2025 e 2026, um total de R$ 84.432.215,00 em emendas individuais para a saúde pública no Amazonas. O volume de recursos coloca a saúde no centro das prioridades do mandato e evidencia uma atuação parlamentar voltada a enfrentar, com orçamento e ação concreta, um dos setores mais sensíveis para a população amazonense.
Em vez de discurso vazio e promessa de ocasião, os números mostram uma atuação objetiva. Ao longo de três anos, o mandato direcionou recursos para o custeio dos serviços de saúde, o fortalecimento da estrutura da rede pública e a ampliação da capacidade de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Na prática, isso significa contribuir para manter unidades em funcionamento, garantir aquisição de insumos, dar suporte à assistência e reforçar instituições estratégicas para o atendimento da população.
Em 2026, Amom Mandel destinou R$ 37.821.607,00 em emendas parlamentares para o fortalecimento das políticas públicas de saúde. Ao todo, foram 39 indicações de recursos, beneficiando 19 municípios e entidades do Estado do Amazonas. As emendas têm como objetivo apoiar o custeio dos serviços, fortalecer a estrutura da rede pública e ampliar a capacidade de atendimento do SUS. A destinação desses recursos contribui diretamente para o funcionamento das unidades de saúde, para a aquisição de insumos e para a melhoria da assistência prestada à população.
No exercício orçamentário de 2025, o deputado destinou R$ 23.675.985,00 para a saúde pública no Amazonas. Foram 29 indicações de recursos, beneficiando 20 instituições de saúde, entre fundos municipais, órgãos da rede estadual e instituições de referência em pesquisa e atendimento, como a Fiocruz Amazônia, a Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam) e a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD). Os recursos contribuíram para o custeio dos serviços, o fortalecimento da estrutura da rede pública e a ampliação da capacidade de atendimento do SUS no estado.
Já em 2024, Amom Mandel destinou R$ 22.934.623,00 em emendas parlamentares para o fortalecimento da saúde pública no Amazonas. Os recursos foram direcionados ao Fundo Estadual de Saúde e ao Fundo Municipal de Saúde de Tefé, contribuindo para o custeio e a ampliação das ações e serviços do SUS.
Somados, os valores de 2024, 2025 e 2026 revelam mais do que uma sequência de repasses. Revelam uma linha política de atuação. Em um cenário em que a população cobra atendimento digno, estrutura, regularidade e resposta do poder público, a destinação de mais de R$ 84,4 milhões para a saúde mostra que o mandato escolheu agir onde a vida real aperta: no funcionamento da rede, no atendimento da ponta e no apoio a instituições que sustentam o sistema.
O resultado também demonstra capilaridade. Em 2026, as emendas alcançaram 19 municípios e entidades. Em 2025, contemplaram 20 instituições de saúde, incluindo órgãos estaduais, fundos municipais e centros de referência. Ao lado dos recursos enviados em 2024, o conjunto forma uma frente contínua de fortalecimento da saúde pública no estado, com impacto sobre serviços essenciais e sobre a capacidade do SUS de atender a população amazonense.
Ao destinar R$ 84.432.215,00 em emendas individuais para a saúde no Amazonas em três exercícios orçamentários, Amom Mandel reforça que mandato parlamentar também se mede pela capacidade de transformar orçamento em serviço público. No caso da saúde, isso significa menos improviso, mais estrutura, mais condições de atendimento e mais compromisso com quem depende do SUS.
Prefeitura de Manaus reúne mais de 1.500 pessoas no “Bolerão da Saudade”, no mirante Lúcia Almeida
A Prefeitura de Manaus, por meio da Fundação de Apoio ao Idoso Doutor Thomas (FDT), realizou, nesta sexta-feira (13/3), o lançamento do projeto “Bolerão da Saudade”, no estacionamento do mirante Lúcia Almeida, no Centro Histórico da capital. O evento gratuito reuniu mais de 1.500 pessoas, que participaram de um grande encontro marcado por música, dança e convivência social.
Voltado especialmente ao público idoso, o evento contou com apresentações do cantor Guto Lima e do DJ Edy Castro, que animaram o público com sucessos que marcaram gerações e clássicos dos tradicionais bailes.
Durante o lançamento, o diretor-presidente da Fundação Doutor Thomas, Eduardo Lucas, destacou a grande participação do público e ressaltou a importância de iniciativas que incentivem o envelhecimento ativo na capital.
“É muito gratificante ver mais de 1.500 pessoas reunidas celebrando a vida, a música e a convivência. O ‘Bolerão da Saudade’ nasce com o propósito de oferecer momentos de alegria, integração e bem-estar para as pessoas idosas de Manaus. A gestão do prefeito David Almeida tem fortalecido políticas públicas que valorizam esse público e promovem mais qualidade de vida”, afirmou.
A aposentada Sebastiana Cruz, de 68 anos, moradora do bairro Jorge Teixeira, aproveitou a programação para dançar e reencontrar amigos. “Eu adorei. Faz tempo que eu não vinha a um baile assim, ainda mais aqui no Centro. A gente dança, conversa, lembra das músicas da juventude e se sente vivo de novo. Tomara que tenha sempre”, disse.
O “Bolerão da Saudade” surge como um novo projeto de lazer e socialização voltado à população idosa de Manaus. A proposta da FDT é tornar a iniciativa itinerante, levando música, cultura e momentos de integração para diferentes espaços públicos da cidade, ampliando as oportunidades de convivência e entretenimento para esse público.
Rodrigo Guedes denuncia que Refinaria da Atem aumentou o Diesel em quase dois reais, em 10 dias, no Amazonas
O vereador Rodrigo Guedes (PP) realizou nessa sexta-feira (13) um estudo investigativo para denunciar que a refinaria da Rede Atem aumentou em 10 dias, quase R$ 2,00 o valor do diesel no Amazonas, prejudicando ainda mais os consumidores amazonenses.
Desde 2022, a rede de combustíveis Atem comprou a Refinaria da Amazônia (REAM) e conseguiu assim monopolizar o mercado de combustíveis no Amazonas, dominando as três pontas do segmento: refinaria, distribuição e revenda. Assim, a elevação no preço dos combustíveis é feita em cadeia e chega às bombas cada vez mais caras ao consumidor amazonense.
Em seus estudos, Guedes denunciou que a Refinaria da Amazônia, em um intervalo de 10 dias, aumentou o valor do Diesel em R$ 1,94. Ou seja, o equivalente a mais de 38%. O aumento do combustível foi 27% maior do que o aumento feito pela Petrobras em todo o país, que foi de 11%. Na prática, o aumento foi de R$ 1,54 a mais que a Petrobras.
Além disso, o Governo Federal zerou na última quinta-feira (12) impostos federais sobre o diesel, o que deveria diminuir o preço em R$ 0,64, mas nessa sexta-feira a refinaria aumentou o preço do diesel em R$ 0,71 centavos.
“Mais uma vez, a refinaria da Rede Atem está roubando os amazonenses de todos os municípios. Isso porque é uma refinaria que parou de refinar e agora está importando combustíveis, inclusive dos países árabes, sendo que temos reserva de óleo e gás do lado de Manaus, em Urucu, cujo petróleo deveria ser refinado pela refinaria. Tudo porque ela é protegida por pessoas hiperpoderosas! Até quando vamos assistir a isso sem que façam algo? Vamos exigir que eles baixem o preço e que eles façam o que qualquer refinaria deve fazer: refinar!”, disse.
Saúde intestinal impacta o comportamento infantil, afirma nutróloga
O intestino deixou de ser visto apenas como um órgão da digestão e passou a ser reconhecido como um dos principais reguladores da saúde do corpo. Estudos recentes apontam a existência de uma comunicação contínua entre intestino e cérebro, essencial para o desenvolvimento neurológico, emocional e comportamental, especialmente na infância.
Diante desse cenário, especialistas da área de Nutrologia alertam para a importância de compreender o impacto da saúde intestinal e os desafios específicos enfrentados por crianças neurodivergentes — com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), atraso no desenvolvimento ou dificuldades de aprendizagem —, contextos nos quais a relação entre intestino e cérebro se torna ainda mais relevante.
Segundo Bruna D’Avila, nutróloga e professora do curso de pós-graduação de Nutrologia da Afya Educação Médica de Manaus, a seletividade alimentar é uma característica comum entre crianças atípicas. “Ela costuma estar associada a questões sensoriais relacionadas à textura, ao cheiro ou à cor dos alimentos. Esse comportamento pode levar a alterações intestinais importantes, com destaque para a constipação intestinal, que é bastante frequente nesse grupo e reforça a necessidade de um olhar atento para a saúde do intestino”, explica a médica.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçam a relevância do tema. O Censo Demográfico 2022 aponta que 2,4 milhões de pessoas no Brasil possuem diagnóstico de TEA, o equivalente a 1,2% da população. A prevalência é maior entre crianças e adolescentes, especialmente na faixa etária de 5 a 9 anos, que concentra o maior percentual de diagnósticos, 2,6%, além de ser significativamente mais elevada entre meninos. Ao todo, mais de 1,1 milhão de crianças de 0 a 14 anos foram identificadas com TEA no país, evidenciando a importância de abordagens precoces e integradas de cuidado.
De acordo com Bruna D’Avila, as alterações intestinais podem se manifestar também no comportamento. “É comum observar maior irritabilidade, crises comportamentais, dificuldade de foco, distúrbios do sono e até quadros de agressividade ou apatia. Esses sintomas se explicam, em parte, pela inflamação intestinal persistente, que leva à liberação contínua de citocinas inflamatórias capazes de atravessar a barreira hematoencefálica, interferindo diretamente no desenvolvimento cerebral, na plasticidade neuronal e na regulação emocional”, afirma a professora da Afya.
A alimentação é uma das ferramentas mais importantes na modulação da saúde intestinal. Por isso, a médica destaca a necessidade de reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados — ricos em açúcar, corantes e conservantes — e estimular a ingestão de legumes, verduras e frutas, fontes de fibras que contribuem para a produção de metabólitos com efeito neuroprotetor.
“No caso de crianças com seletividade alimentar, o manejo precisa ser cuidadoso e individualizado. As estratégias incluem adaptar textura, temperatura e apresentação dos alimentos, introduzir fibras de forma imperceptível em preparações já aceitas e respeitar o ritmo da criança, evitando imposições. O objetivo é ampliar o repertório alimentar sem gerar estresse, promovendo ganhos nutricionais e intestinais progressivos”, orienta.
“Esse cuidado ajuda a explicar por que, ao tratar o intestino, muitas crianças passam a dormir melhor, apresentam menos dor e desconforto, tornam-se mais receptivas a estímulos e demonstram melhor regulação emocional, respondendo de forma mais positiva às intervenções terapêuticas”, diz Bruna D’Avila.
A médica ressalta, no entanto, que o cuidado com a saúde intestinal não substitui terapias comportamentais, fonoaudiologia, psicologia ou acompanhamento pedagógico. “O que observamos é que o cuidado com o intestino potencializa os resultados dessas abordagens, favorecendo o desenvolvimento global da criança”, destaca.
A professora da Afya acrescenta que, além disso, a educação em saúde é fundamental para orientar pais e cuidadores sobre o reconhecimento de sinais não verbais de desconforto gastrointestinal, especialmente em crianças com dificuldades de comunicação. “Alterações no comportamento, no sono, no apetite ou na postura corporal podem ser sinais de dor ou desconforto intestinal. Por isso, ações educativas, materiais informativos acessíveis e orientações multiprofissionais são essenciais para apoiar as famílias no cuidado diário”, pontua.
Atendimento – Em Manaus, a Afya Educação Médica oferece atendimento gratuito em diversas especialidades, incluindo Nutrologia. O serviço integra as atividades práticas dos cursos de pós-graduação da instituição.
Os atendimentos são realizados mediante agendamento, na sede da Afya, localizada na avenida André Araújo, nº 2767, bairro Aleixo. “Com essa iniciativa, os médicos em formação conseguem atuar em casos reais, enquanto a comunidade é beneficiada com a oferta de atendimento especializado”, explica a diretora da unidade, Suelen Falcão.
A Afya de Manaus conta com uma estrutura premium, composta por sete salas de aula, 18 ambulatórios e duas salas para pequenos procedimentos. Os interessados podem entrar em contato pelo telefone (92) 99379-9297 para verificar a disponibilidade de vagas e realizar o agendamento.
Além de Nutrologia, há atendimento nas áreas de Dermatologia, Endocrinologia, Endocrinologia Pediátrica, Ginecologia Ambulatorial, Medicina Intensiva Adulta, Cardiologia, Gastroenterologia, Pediatria Geral, Psiquiatria e Ultrassonografia. Mais informações em https://educacaomedica.afya.com.br/.
Após cobrança de Roberto Cidade, DNIT inicia obra emergencial na BR-230, em Lábrea
O presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputado estadual Roberto Cidade (UB), destacou, nesta sexta-feira (13/3), o início das obras emergenciais nos trechos críticos da BR-230 (Transamazônica), que ameaçavam isolar o município de Lábrea (a 714 quilômetros de Manaus). A ação é uma resposta à cobrança do parlamentar, por meio de Requerimento nº 647/2026, que solicitou do órgão intervenção na rodovia diante de tantos atoleiros e sulcos profundos.
“Quero agradecer ao superintendente do DNIT, Orlando Fanaia, que esteve em Lábrea, para determinar medidas emergenciais diante do cenário crítico em que se encontra a rodovia. Ainda que seja um trabalho a curto prazo, a ação vai amenizar os transtornos enfrentados diariamente por motoristas, moradores e produtores de Lábrea”, disse o presidente.
No requerimento enviado ao DNIT, Roberto Cidade citou o ofício encaminhado pelo prefeito do município, Gerlando Lopes, que solicitou intermediação do parlamentar junto ao órgão federal para dirimir os pontos críticos da rodovia.
“Lábrea corria o risco de desabastecimento em razão das péssimas condições da estrada pelo relatório que foi enviado pelo prefeito. Produtores e moradores já estavam sendo prejudicados com as péssimas condições da BR. Lábrea é uma importante cidade de conexão no Sul do Amazonas com o Brasil. O povo amazonense não pode pagar o preço e ser penalizado por conta da falta de ação de um órgão público. A gente torce para que o problema seja resolvido definitivamente, com ótimas condições de trafegabilidade na rodovia, para o pleno desenvolvimento do município”, comentou Roberto Cidade.
Em entrevista a uma emissora de TV do Amazonas, o superintendente Orlando Fanaia disse que os trabalhos emergenciais iniciados na BR-230 vão diminuir a concentração de buracos ao longo da via.
“Os trabalhos tiveram início com a colocação de rachão (brita). Essas pedras que, primeiro, vão tratar os atoleiros. Serviços iniciais, para na sequência a gente fazer todo o tratamento, então, já no período mais da seca”, citou o gestor.
Os perímetros mais críticos da rodovia estão entre os municípios de Lábrea e Humaitá, dos quilômetros 20 e 25, do 59 ao 71, nas proximidades da balsa do rio Mucuim, e no quilometro 81.
Wilson Lima lança 59º Festival de Parintins e reforça impacto do espetáculo na economia e cultura do Amazonas

O governador Wilson Lima lançou oficialmente o 59º Festival de Parintins, nesta sexta-feira (13/03), no Teatro Amazonas, onde anunciou o aporte de R$ 10 milhões para a realização do evento. O governador destacou que a festa chega à edição de 2026 reunindo recorde de patrocinadores da iniciativa privada. O lançamento marca o início da contagem regressiva para um dos maiores espetáculos culturais do Brasil, responsável por movimentar a economia da Ilha Tupinambarana, gerar milhares de empregos e valorizar o trabalho de artistas e trabalhadores da cultura amazonense.
“Esse ano nós estamos lançando o festival com a certeza de que esse será o festival dos festivais. No ano passado foram 120 mil visitantes, movimentamos cerca de R$ 185 milhões na ilha e geramos 30 mil empregos. Mas Parintins não se mede só pelos números, se mede pela emoção e pela importância que o festival tem na vida de cada parintinense”, afirmou o governador.
Realizado pelo Governo do Amazonas, o lançamento do festival se consolidou como tradição nos últimos oito anos, reunindo autoridades, patrocinadores, dirigentes dos bois e torcedores para dar início à preparação do espetáculo. O festival deste ano será realizado nos dias 26, 27 e 28 de junho, no Bumbódromo de Parintins.
A cerimônia no Teatro Amazonas contou com a presença dos presidentes dos bois Caprichoso e Garantido, itens oficiais e torcedores das duas agremiações, além de autoridades como o vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza; o prefeito de Parintins, Matheus Assayag; e o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, deputado estadual Roberto Cidade.
Durante o lançamento, o governador destacou a importância do festival para a economia do município, para a valorização da cultura amazonense e para milhares de famílias que dependem diretamente da realização do evento.
Desde 2019, os investimentos do Governo do Amazonas relacionados ao festival e à infraestrutura da cidade ultrapassam R$ 2,4 bilhões, incluindo melhorias urbanas, logística, segurança, operacionalização do evento e a realização da tradicional Festa dos Visitantes. Desse total, R$ 96 milhões foram destinados diretamente aos bois Caprichoso e Garantido, fortalecendo a produção artística e a preparação das agremiações para o espetáculo.
Para a edição de 2026, o Governo do Amazonas também garantirá patrocínio de R$ 10 milhões, sendo R$ 5 milhões para cada boi, reforçando o apoio institucional à realização do festival e à preparação das apresentações.
O presidente do Boi Caprichoso, Rossy Amoedo, destacou a importância da parceria com o Governo do Amazonas para o fortalecimento do festival.

“Mais uma vez, o Governo do Estado, em nome do governador Wilson Lima, reafirma essa parceria que fez com a Nação Azul, fazendo com que o festival ganhasse uma nova visão e dimensão também em termos de espetáculo. Parintins ganha muito com isso. Todo investimento feito na cultura potencializa o turismo, deixa muita receita para a cidade e faz com que esse festival cresça”, afirmou.
Já o presidente do Boi Garantido, Fred Góes, ressaltou que o apoio tem sido fundamental para garantir a realização do espetáculo com a grandiosidade que caracteriza o festival.
“Hoje nós temos a certeza que vamos ter verba suficiente pra gente fazer o nosso espetáculo dentro da grandeza e da magnitude do Festival de Parintins. Queria agradecer principalmente ao governador Wilson Lima por ter feito isso diuturnamente, que realmente tem a mão firme do Estado no apoio às nossas atividades não apenas na Arena”, afirmou.
Movimentação econômica
O Festival de Parintins é um dos principais motores da economia criativa do Amazonas. Em 2025, o evento movimentou cerca de R$ 184 milhões na economia local. Para 2026, a expectativa é de crescimento de aproximadamente 5%, podendo alcançar R$ 193,2 milhões.
A festa também gera emprego e renda para milhares de pessoas. A previsão é de que a edição deste ano gere mais de 30 mil postos de trabalho, diretos e indiretos, em áreas como turismo, cultura, comércio e serviços.
No turismo, o festival também registra crescimento contínuo. Em 2025, cerca de 120 mil visitantes passaram por Parintins durante o período do evento. Para 2026, a estimativa é de aumento de 5%, podendo chegar a aproximadamente 126 mil turistas.
O evento também impulsiona a movimentação aérea na região. Durante o período do festival em 2025, foram registradas 1.038 operações aéreas em Parintins, sendo 190 voos comerciais da Azul e 848 operações de aeronaves particulares.
Apoio
O Festival de Parintins conta com patrocinadores oficiais, entre eles Governo do Amazonas, Coca-Cola Brasil, Petrobras, Bradesco, Assaí Atacadista, Tokio Marine Seguradora, Eneva, Natura, Mercado Livre, Prefeitura de Parintins, Bemol, Super Terminais, Samel Planos de Saúde e Maná Produções.
Um dos parceiros mais tradicionais do evento é a Coca-Cola Brasil, que completa 30 anos de apoio ao Festival de Parintins e anunciou patrocínio bianual para as edições de 2026 e 2027. Para Eduardo Dias, diretor sênior de Relações Governamentais da Coca-Cola Brasil, a parceria reforça o compromisso da empresa com o desenvolvimento das comunidades amazônicas.















