Tarifa 10 chega aos três anos como referência nacional em saneamento inclusivo

O acesso ao saneamento básico ainda enfrenta desafios importantes, especialmente no que diz respeito à expansão dos serviços em áreas vulneráveis e à adequação às condições socioeconômicas dessa população. Em Manaus, esses obstáculos vêm sendo superados por meio de adaptações à realidade regional e da criação de uma tarifa social voltada às famílias em situação de vulnerabilidade: a Tarifa 10. Lançado há três anos, o benefício já se tornou referência nacional e impactou a vida de mais de cem mil pessoas na capital amazonense.
Uma dessas histórias é a da moradora da comunidade de palafitas Beco União, no bairro Praça 14. Elaine Nunes conta que a transformação em sua rotina começou com a chegada dos serviços de água e esgoto, aliada à inclusão na Tarifa 10.
“Pouco antes da pandemia, recebemos água encanada, o que foi essencial para que tivéssemos os cuidados necessários naquele período. Depois, chegou a estrutura de esgoto, o que mudou completamente a nossa vida, inclusive com a conscientização dos moradores sobre o cuidado com o igarapé que passa pela comunidade. Junto com os serviços, veio também a Tarifa 10, que nos permite honrar nossos compromissos e ainda economizar para oferecer uma melhor qualidade de vida às nossas famílias”, relata Elaine, que vive no local há 40 anos.
No bairro Educandos, o cabeleireiro Geraldo Uchôa também é beneficiado pela tarifa social. Para ele, ter acesso à água regularizada após mais de quatro décadas morando no bairro representa cuidado e inclusão.
“A vida da gente é feita de muitos sacrifícios, e tudo o que conquistamos vem com muita luta. Hoje, posso abrir a torneira a qualquer hora e ter água, além de conseguir pagar por esse serviço. Com o valor de R$ 10, consigo manter minhas contas em dia. Sem contar o comprovante de residência — agora posso abrir um crediário, fazer planos e melhorar minha casa. Essa tarifa veio realmente para nos ajudar”, destaca.
Do outro lado da cidade, moradores da comunidade indígena Parque das Nações Indígenas, no bairro Tarumã, também vivenciam os benefícios do acesso regular à água. A dona de casa Celina dos Santos, que mora na comunidade há 14 anos com filhos e netos, reforça a importância da iniciativa.
“Demoramos muito tempo para ter água limpa nas torneiras. Desde que a Águas de Manaus chegou com esse serviço e com a tarifa social, nossa vida melhorou muito. Eu sempre oriento todos a não desperdiçarem água, porque precisamos cuidar desse bem tão precioso. A conta chega a R$ 10, e faço questão de priorizar o pagamento para garantir água de qualidade para tudo, desde o banho até o consumo”, afirma.
Na mesma comunidade, Valcimara da Silva ressalta que a Tarifa 10 trouxe melhorias concretas para dentro de casa. “Nossa renda é limitada, e pagar R$ 10 pela água permite que a gente economize e invista em outras necessidades. Já consegui colocar o piso no quarto da minha filha e sigo trabalhando para trazer mais conforto e dignidade para a minha família”, conta.

Adequação e planejamento
O programa Tarifa 10 é resultado de um estudo socioeconômico realizado pela Águas de Manaus, que identificou famílias em situação de extrema vulnerabilidade. A iniciativa foi lançada em 2023, com o objetivo de garantir o acesso regular e contínuo aos serviços de água e esgoto para esse público.
De acordo com o diretor-presidente da Águas de Manaus, Pedro Augusto Freitas, a responsabilidade social é um dos principais pilares da concessionária e garantir o acesso aos serviços de água e esgoto com adequação financeira dos moradores é o que movimenta a concessionária.
“O saneamento é um direito essencial, diretamente ligado à dignidade humana e à qualidade de vida. Garantir que populações em situação de vulnerabilidade tenham condições financeiras de acessar esse serviço de forma contínua significa promover impactos positivos em áreas como saúde, educação e bem-estar. Temos muito orgulho de contribuir para essa transformação. Após três anos da Tarifa 10, ao visitarmos essas comunidades e ouvirmos os relatos dos moradores, percebemos que os benefícios vão muito além do valor da tarifa e geram mudanças reais na vida dessas pessoas”, destaca.
De acordo com o diretor-executivo da Águas de Manaus, Renee Chaveiro, essas iniciativas reforçam o compromisso da companhia com a população e dialogam diretamente com uma das pautas prioritárias da Organização das Nações Unidas (ONU). “Neste ano, a ONU propõe o tema ‘Água e Gênero’, destacando o direito das mulheres e a relação entre recursos hídricos e igualdade. Garantir o acesso à água tratada, ampliar a coleta e o tratamento de esgoto, além de oferecer uma tarifa social que proteja essa parcela da população, demonstra que estamos no caminho certo para atender às demandas globais”, afirma.
Como participar
A Tarifa 10 estabelece o valor fixo de R$ 10 nas contas de água e esgoto. O benefício é destinado a famílias inscritas no CadÚnico, com renda familiar mensal per capita de até R$ 105, conforme o Decreto Federal nº 10.852/2023. O desconto é aplicado para consumo de até 15 mil litros de água tratada (15 m³) por mês.
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Além disso, é necessário atender a pelo menos um dos seguintes critérios:
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Mulheres em exercício de chefe de família;
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Mulheres vítimas de violência doméstica;
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Pessoas com 60 (sessenta) anos ou mais;
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Ter, na família, crianças de até 12 (doze) anos incompletos;
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Benefício de Prestação Continuada (BPC) como principal fonte de renda familiar;
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Famílias residentes em áreas de moradias precárias.
Presidente David Reis recebe farmacêuticos e CMM articula apoio ao piso salarial da categoria

Na manhã desta segunda-feira (23 de março), o presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), vereador David Reis (Avante), recebeu representantes regionais e nacionais da categoria dos farmacêuticos, que buscam apoio para a aprovação do piso salarial da classe, proposta que atualmente tramita no Congresso Nacional.
De acordo com o presidente, a articulação local é fundamental para fortalecer a demanda da categoria. O objetivo é utilizar a força política do Legislativo Municipal para ampliar o alcance da pauta.
“Mesmo sendo um pleito de cunho nacional, que precisa ser trabalhado em Brasília para que isso se desdobre nos estados e nos municípios, o Conselho Federal, o Conselho Estadual e o sindicato vieram até a Câmara Municipal de Manaus, para que possam se utilizar dos vereadores, por meio de articulação, para que possamos, de forma unida, abraçar o pleito deles”, afirma David Reis.
A categoria foi recebida na Casa por intermediação do vereador Marcelo Serafim (PSB), farmacêutico de formação, que destacou a importância da mobilização política em diferentes esferas para garantir avanços concretos à categoria, ressaltando o papel dos legislativos municipais como ponte entre as demandas locais e o Congresso Nacional.
“A Câmara recebeu, hoje, representantes dos farmacêuticos de Manaus para que eles possam trazer essa demanda e utilizar a articulação política que os vereadores têm, para podermos chegar junto aos deputados federais e aprovarmos, o mais breve possível, o piso salarial farmacêutico, que vai valorizar o profissional e dar uma remuneração digna para quem está na ponta, fazendo a saúde no dia a dia”, relata o vereador.
Durante o encontro, o presidente do Conselho Regional de Farmácia do Amazonas, Reginaldo Costa, avaliou de forma positiva a abertura do diálogo com o Legislativo Municipal e destacou a importância da união institucional para fortalecer a pauta da categoria em nível nacional.
“É uma avaliação extremamente positiva, porque foi o momento em que conseguimos mostrar um pouco da demanda da nossa categoria, da angústia dos colegas farmacêuticos, e fomos muito bem recebidos por esta Casa. Agradeço ao colega farmacêutico e vereador Marcelo Serafim, ao presidente da Câmara, vereador David Reis, e a todos os colegas vereadores que nos ouviram. Foi um diálogo muito proveitoso, produtivo, com indicações de próximas articulações, e isso é muito vantajoso”, destaca.
Participaram da reunião representantes do Conselho Federal de Farmácia (CFF), do Conselho Regional de Farmácia do Estado do Amazonas (CRF-AM), do Sindicato dos Farmacêuticos no Estado do Amazonas (Sinfar-AM), além dos vereadores David Reis (Avante), Marcelo Serafim (PSB), Eduardo Assis (Avante), Sergio Baré (PRD) e Rodrigo Guedes (Progressistas).
Espetáculo “Nhê’êng Katu” leva ancestralidade indígena ao palco do Teatro Amazonas

O Teatro Amazonas recebe, nesta terça-feira (24/03), às 20h, o espetáculo “Nhê’êng Katu”, apresentado pelo Balé Folclórico do Amazonas (BFA). Com classificação livre e duração de 43 minutos, a obra convida o público a uma experiência sensorial inspirada na ancestralidade indígena. O espetáculo é promovido pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa.
Os ingressos estão disponíveis na bilheteria do teatro e pela plataforma shopingressos.com.br, com valores de R$10 para plateia e frisas, enquanto os demais lugares têm entrada gratuita.
“Nhê’êng Katu”, expressão que significa “palavra verdadeira” ou “palavra sagrada”, é um espetáculo inspirado nos ritos e na cosmovisão da etnia Dessana. A montagem valoriza o corpo, o som e o silêncio como elementos centrais para criar um ambiente que remete ao tempo mítico e à presença dos ancestrais.
Por meio da dança, o espetáculo celebra a tradição oral, os cantos xamânicos e os saberes transmitidos entre gerações, reafirmando a identidade, a resistência e a continuidade cultural dos povos originários da Amazônia.
Música, corpo e ancestralidade
A trilha sonora reúne cantos indígenas e composições contemporâneas que dialogam com a espiritualidade e os rituais tradicionais, incluindo obras de Marlui Miranda, além de cantos dos povos Huni Kuin e Tupi-Guarani.
Entre os destaques do repertório estão “Kworo Kango”, “Velho Pajé”, cantos sagrados do Nixi Pae e composições que utilizam instrumentos como flautas indígenas, tambores e chocalhos, criando uma atmosfera imersiva que conecta o público à dimensão espiritual da obra.
No palco, o corpo se transforma em linguagem viva, expressando histórias, memórias e saberes ancestrais. Com proposta estética sensível e potente, “Nhê’êng Katu” promete emocionar o público ao transformar o espaço cênico em um território de encontro entre tradição, arte e espiritualidade.
A apresentação reforça o compromisso do Governo do Amazonas com a valorização das culturas indígenas e com a difusão de produções artísticas que dialogam com as raízes amazônicas.
David Almeida inicia rede produtiva do café em Manaus e avança na diversificação econômica, além da Zona Franca
O prefeito de Manaus, David Almeida, iniciou, nesta segunda-feira, 23/3, no quilômetro 21 da BR-174, no ramal da Cooperativa, zona rural da capital, a implantação da primeira vitrine tecnológica do café no município. A iniciativa integra o programa “Manaus + Agro”, da Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semacc), e marca o início de uma nova cadeia produtiva voltada à agricultura familiar, inserindo o setor primário como alternativa econômica complementar à Zona Franca de Manaus.
Durante a agenda, o prefeito realizou o plantio da primeira muda de café, simbolizando o início da produção, estruturada com base técnica e alinhada às diretrizes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
“O café é uma commodity e nós precisamos avançar em alternativas, além da Zona Franca. Aqui nasce uma nova cultura produtiva para o Amazonas”, afirmou David Almeida.
A vitrine tecnológica funciona como unidade de aprendizado prático, onde agricultores recebem orientação sobre preparo do solo, correção, adubação, implantação e manejo da cultura. O modelo prioriza a capacitação antes do fomento, aumentando a eficiência do investimento público e reduzindo riscos produtivos.
“Isso aqui funciona como um laboratório. O produtor aprende na prática com a nossa equipe técnica para produzir mais, colher mais e faturar mais”, destacou.
O café integra uma cadeia global de alto valor e passa a ser estimulado em Manaus como eixo de diversificação produtiva. A estratégia municipal busca ampliar a matriz econômica, hoje concentrada na indústria, incorporando a agricultura como vetor de geração de renda e desenvolvimento sustentável.
Como o café leva entre um ano e meio e dois anos para iniciar a produção, a prefeitura adotou o consórcio com culturas de ciclo curto. Durante a agenda, foram entregues sementes de milho, coentro, couve, jerimum, quiabo e maxixe, com colheitas previstas entre 60 e 100 dias.
“Enquanto o café se desenvolve, o produtor já pode gerar renda com outras culturas. Esse é um modelo completo, que garante retorno desde o início”, explicou o prefeito.














