Operação da PF, Funai e Força Nacional prendeu 22 invasores na Terra Yanomami (Foto: PF / Divulgação)

As operações contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami destruíram 48 pistas de pouso clandestinas, dentro e fora do território, em nove meses. Os dados são do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) e foram divulgados pela Casa de Governo.

Nesta semana as Forças Armadas explodiram de uma das pistas por meio da Operação Catrimani II. Conhecida como “pista do Mucuim”, a estrutura funcionava às margens do rio Uraricoera, uma das regiões mais atingidas pela atividade ilegal. Ao sobrevoar o local, é possível ver áreas de garimpo inativas próximas a pista.

O modo aéreo é a principal maneira de acessar o território, que é de difícil acesso. As pistas ilegais são construídas pelos garimpeiros no meio da floresta e são usadas para receber aeronaves clandestinas que transportam os invasores, suprimentos e os minérios extraídos da Terra Yanomami.

A pista destruída tinha 480 metros de extensão. Para destruir o local de pouso, foram usados cerca de 100 kg de explosivos em quatro pontos ao longo da estrutura. Além de realizar a explosão, os militares encontraram 10 sacos de cassiterita, somando uma tonelada, cinco carotes de combustível e um quadriciclo desmontado. Todo o material apreendido foi inutilizado no local.

O número de destruição de pistas é contabilizado desde a instalação da Casa de Governo, órgão criado para concentrar as operações de desintrusão do garimpo e de apoio aos indígenas Yanomami, que enfrentam uma crise devido à desassistência em saúde e avanço da atividade ilegal no território.

“A coordenação da operação se debruçou nessa discussão de fazer o sufocamento do apoio logístico dentro e fora da terra indígena e as pistas de pouso são pontos estratégicos. Então, a gente começou a mapear as de fora e também as dentro que são utilizadas. Com o tempo a gente foi refinando aquelas realmente ainda que continuam sendo utilizadas”, explicou Nilton Tubino, diretor do órgão.

Operações integradas

A Operação Catrimani II é uma iniciativa do Ministério da Defesa para combater o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, a maior do Brasil. Ela ocorre desde abril deste ano de forma conjunta entre órgãos de Segurança Pública, Agências e Forças Armadas, em coordenação com a Casa de Governo de Roraima.

Na ação, a Catrimani II mobilizou 11 engenheiros do 6º Batalhão do Sexto Batalhão de Engenharia de Construção (6º BEC), do Exército Brasileiro (EB). O efetivo foi levado ao local por uma aeronave H-15, da Marinha Brasileira.

Áreas de garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami vistas em sobrevoo ao longo do rio Mucajaí em Roraima – Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

Em operações de explosão de pista, os militares fazem buracos com um perfurador, depois instalam a estrutura dos explosivos e determinam uma distância de segurança. Isto porque com o impacto da explosão, partes do solo podem voar e atingir os agentes envolvidos. O trabalho no local dura em média uma hora, dependendo da extensão da pista.

Todos os militares envolvidos passam por instruções dias antes de ir à pista, quando são ambientados com o lugar onde deve ocorrer a explosão, além de outras orientações. O trabalho envolve as áreas de inteligência e planejamento das Forças Armadas, como explica o General de Brigada Luciano Bortoluzzi Garcia, Comandante da 1ª Brigada de Infantaria de Selva.

“Tudo começa com uma demanda. É passado para o Comando Conjunto, o comando conjunto é uma coisa militar e sob a ótica militar fazem um planejamento e a 1ª Brigada de Infantaria de Selva faz seu planejamento e passa a ser do Exército, mas não quer dizer que a gente não possa ir integrado [com outras forças de segurança] no terreno”.

Além de ações repressivas, a Catrimani II atua com ações de apoio as agências, de saúde, distribuição de cestas e voos de carga para o território. Atualmente, mais de 360 agentes atuam na operação.

“A gente contribui também não só com braço armado, mas também na ajuda aos povos indígenas. Têm outros órgãos responsáveis, mas a gente contribui com isso”, destacou o general.

A pista de mucuim era um importante ponto para a exploração de cassiterita. No local, há uma roça de mandioca plantada pelos Yanomami e é onde eles transitam para pescar. A pista estava sendo utilizada pelos invasores nos últimos dias, segundo relato dos próprios indígenas.

“Por relato das próprias comunidades indígenas, apesar de ter diminuído o número de garimpeiros, ela estava sendo muito utilizada. Então, dentro da lista de prioridades a gente tinha duas do Rangel, que foram explodidas semana passada, e a do Mucuim”.

Segundo um levantamento de inteligência da Casa de Governo, ainda restam 12 pistas de apoio ao garimpo ilegal para serem destruídas dentro da terra indígena Yanomami. O modo aéreo é o único dos invasores acessar o território, pois os rios estão bloqueados pelas forças de segurança.

Terra Yanomami

Com mais de nove milhões de hectares, a Terra Indígena Yanomami é a maior do Brasil, localizada entre os estados do Amazonas e Roraima, com cerca de 32 mil habitantes, entre os povos Yanomami e Yekwana, divididos em mais de 380 comunidades.

Equipe do SUS atende indígenas em território Yanomami, em 2023 – Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

O acesso às comunidades é de 98% via aérea e 2% terrestre. Na terra Yanomami, também existe um grupo de indígenas considerados isolados, os Moxihatëtëma.

O território é alvo de garimpeiros ilegais desde a década de 80, mas nos últimos anos enfrentou o aumento desenfreado da atividade, que causa malária e desnutrição entre os indígenas. Desde 2023, o governo federal implantou ações de combate ao garimpo e apoio a saúde dos indígenas, com forças de segurança na Terra Indígena e distribuição de cestas básicas nas comunidades.

*Com informações de G1