Roberto Farias, de 19 anos, foi encontrado após 5 dias de buscas - Foto: Reprodução / Corpo de Bombeiros do Paraná

Roberto Farias Tomaz, encontrado vivo após desaparecer durante uma trilha no Pico Paraná, detalhou o caminho que teve que percorrer até chegar em local seguro, e disse ter pensado que morreria.

“Pensei que era o fim”, contou. Em entrevista dada ontem à RPC, TV afiliada da Globo, o jovem de 19 anos relatou ter pensado que iria morrer e tido até alucinações ao longo dos cinco dias perdido.

Apesar da desesperança em alguns momentos, ele conta ter se concentrado na família e em Deus para continuar. “Mas pedi forças a Deus, para minha mãe, e pensei em toda minha família. Falei ‘pô, quero chegar em casa bem'”, relembra.

Jovem se perdeu assim que chegou em uma encruzilhada na trilha. “Cheguei em um caminho sem sinalização e outro com. Fui pelo com sinalização, mas acabei escorregando ladeira abaixo para uma parte da cachoeira, tentei subir com toda força, mas não consegui voltar para a trilha. Então decidi descer pela cachoeira”, explicou hoje no programa Encontro com Patrícia Poeta.

Além da cachoeira, ele diz ter passado por penhasco e ribanceira ao longo do caminho. “O rio me guiou bastante, consegui encontrar muitos desvios por ele. Seguindo o rio, consegui chegar até uma ribanceira, mas pensei que se eu pulasse ia morrer. Aí olhei para o lado e vi umas construções, aí falei ‘graças a Deus, tem pessoas para cá’.”

Roberto diz ter se afogado algumas vezes e batido seu corpo contra pedras. “Muita pressão, água, chuva, correnteza, inseto. Foi muita luta e muito milagre. Me afoguei, a correnteza me levava, quando eu conseguia voltar para superfície eu gritava ‘proteção, Pai’. Eu sabia que Deus estava lá comigo”, relatou ainda no programa.

Depois de andar por cerca de 20 km, ele chegou a uma fazenda na cidade de Antonina. No local, ele conseguiu pedir ajuda e entrar em contato com os familiares e o Corpo de Bombeiros.

“Mas eu estou grato por ter chegado bem, perto da minha irmã, que foi um anjo da minha família. Grato a todos que oraram por mim, prestaram ajuda, o que eu passei foi um milagre.” afirmou Roberto.

Roberto Farias Thomaz foi resgatado com vida e passa bem – Foto: Reprodução

O jovem ainda está internado no Hospital Municipal de Antonina, sem previsão de alta. Médicos pediram exames laboratoriais e de imagem para investigação complementar da saúde do paciente e ele seguirá internado sob observação enquanto espera os resultados.

Entenda o caso

Homem passou mal durante a subida, segundo Corpo de Bombeiros. Roberto começou a trilha com uma amiga por volta das 13h do dia 31 e passou mal algumas vezes durante o trajeto. A dupla chegou ao cume por volta de 4h do dia 1º de janeiro. O Pico Paraná tem 1.877 m de altitude e é considerado o ponto mais alto da região Sul.

Dupla encontrou outros grupos, mas o rapaz ficou para trás. No cume, Roberto e a amiga encontraram outros grupos e iniciaram a descida com um deles por volta das 6h30. Eles permaneceram juntos até um ponto antes de um acampamento, onde a amiga encontrou outros montanhistas e seguiu no ritmo deles, deixando o jovem para trás.

Outro grupo de trilheiros, que andava mais devagar, passou pelo ponto onde o jovem teria ficado, mas disseram que não o viram. De acordo com o Corpo de Bombeiros, Roberto não tinha experiência em montanhismo. Nas redes sociais, Roberto afirma ser técnico em segurança do trabalho e bombeiro civil.

Família afirmou que Roberto ficou para trás porque a amiga quis “seguir mais rápido”. Nas redes sociais, os familiares disseram também que a amiga foi avisada por outro rapaz que estava na trilha que ela e o jovem precisavam ficar juntos, já que ele estava passando mal.

Boletim de ocorrência foi registrado na Delegacia de Campina Grande do Sul. Ontem, investigadores estiveram no local, ouviram familiares e pessoas que fizeram a trilha.

Mulher que acompanhava o rapaz foi ouvida na delegacia. A Polícia Civil do Paraná não deu detalhes do depoimento, mas disse que não há indícios de crime até o momento.

O que diz o parque

Parque restringiu acesso de visitantes. Desde ontem, o Instituto Água e Terra, responsável pelo Parque Estadual Pico Paraná, atendeu a uma recomendação dos bombeiros e restringiu a entrada nas áreas entre os municípios de Campina Grande do Sul e Antonina. Os acessos aos morros Caratuva, Pico Paraná, Getúlio e Itapiroca estão fechados.

Montanhistas que queriam ajudar nas buscas tiveram que fazer cadastro. Uma base do Corpo de Bombeiros foi montada na sede do parque para voluntários fazerem registro no local.

Jovem desaparecido não fez cadastro obrigatório no parque. O Instituto Água e Terra afirma que, durante o Réveillon, o parque funcionou com horário especial, tendo sido fechado a partir do meio-dia de 31 de dezembro e reaberto no dia 2 de janeiro. O instituto diz que o Roberto não fez esse cadastro.

*Com informações de Uol