Mapa de anomalia de temperatura da superfície do mar do começo desta semana mostra um grande aquecimento das águas nos litorais do Peru e do Equador - Foto: Reprodução Metsul

O fenômeno climático El Niño Costeiro, caracterizado por causar um rápido e intenso aquecimentos das águas superficiais, chegou à Costa Oeste da América do Sul, nos litorais do Peru e Equador, conforme previsões do MetSul Meteorologia e começa a impactar o clima.

Mas qual a diferença entre o El Niño Clássico e o El Niño Costeiro?

O El Niño traz um aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, mas pode se manifestar de formas diferentes. A principal diferença entre o fenômeno clássico e o El Niño Costeiro está onde ocorre o aquecimento das águas e os impactos associados.

Esse evento, que começa agora, é mais restrito geograficamente, com concentração principal na Costa do Peru e do Equador, sem abranger o Pacífico central de forma significativa.

Os efeitos atmosféricos do El Niño Costeiro são mais regionais e menos abrangentes globalmente, como é muito característico do El Niño Clássico.

Em resumo e na prática, o El Niño canônico traz repercussões globais e em grande escala, enquanto o El Niño Costeiro tem seus efeitos concentrados na costa Oeste da América do Sul, mais localizado e com menor influência no cenário mundial.

Como acontece os impactos climáticos?

Segundo dados da Comissão Multisetorial de Estudo Nacional do Fenômeno El Niño (ENFEN), o fenômeno climático deve se estender até novembro e vai ganhando intensidade com o passar dos meses.

Previsões da MetSul indicam que a intensidade do El Niño Costeiro fique muito forte no decorrer do outono.

Os impactos climáticos trazidos pelo fenômeno podem ocasionar chuvas intensas, enchentes, deslizamentos e colapso de infraestrutura em diferentes regiões. Tudo isso ocorre através do aquecimento anormal das águas do Pacífico próximo à costa, elevando a evaporação e intensificando as precipitações.

Paisagem do lago Tefé em setembro de 2024, durante seca histórica no Amazonas – Foto: Alessandro Falco / INCT Adapta

Quais os índices atuais do evento climático?

O último boletim do estado do Pacífico, apontou uma anomalia de temperatura da superfície do mar de +1,2°C na denominada região Niño 1+2, que monitora os litorais peruano e equatoriano, onde ocorre o fenômeno Costeiro.

Comparado a semana anterior, essa mesma região apresentava uma anomalia da temperatura da superfície do mar de +0,7°C, ou seja, em apenas uma semana aqueceu 0,5°C, o que é significativo.

Onde o El Niño já chegou e quais os impactos?

O litoral peruano foi o primeiro local impactado pelos efeitos do Niño Costeiro neste ano. O país já ativou alertas climáticos e registrou aumento sustentado da temperatura da superfície do mar.

Com temporais sucessivos e condições climáticas adversas, pai e filho morreram arrastados por uma enxurrada em Cayma, no Peru, totalizando quatro mortos nessa temporada de chuvas na região.

Ocorrências como alagamentos severos, transbordamento de rios, deslizamento, queda de pontes, veículos arrastados e destruição de áreas rurais foram registradas no território.

E quando chega o El Niño Clássico?

A previsão é de que o El Niño chegue ao longo do inverno e da primavera, com intensidade moderada a forte no segundo semestre deste ano. O pico de impacto deve acontecer no final de 2026 e início de 2027.

*Com informações de IG