Bombeiros combatem o fogo perto da cidade de Patras, na Grécia - Foto: Aris Messinis

Um estudo do grupo World Weather Attribution concluiu que as condições meteorológicas que impulsionaram os incêndios mortais na Turquia, Grécia e Chipre este ano ficaram 22% mais intensas devido às mudanças climáticas causadas pelo homem.

O ano já é o pior da história da Europa em termos de queimadas, com mais de 1 milhão de hectares destruídos. Pesquisadores alertam que incêndios mais intensos e incontroláveis se tornarão cada vez mais frequentes se a queima de combustíveis fósseis continuar. Incêndios simultâneos em toda a Europa estão pressionando os recursos de combate ao fogo, e eventos mais intensos já estão superando os esforços de adaptação.

O inverno na região registrou 14% menos chuva, deixando o solo mais seco no verão. As mudanças climáticas prepararam o terreno para os incêndios ao influenciar o clima nos meses, semanas e dias que os antecederam.

O calor seco intenso que deixou as plantas prontas para queimar antes dos incêndios foi cerca de 18% mais intenso por causa das mudanças climáticas. A combinação de calor, seca e ventos fortes que impulsionou a propagação dos incêndios foi cerca de 22% mais intensa devido às mudanças climáticas.

Impacto humano. Na Turquia, 17 pessoas morreram, incluindo 10 bombeiros. Chipre registrou 2 mortos, e a Grécia, 1. Mais de 80 mil pessoas tiveram que deixar suas casas.

O que dizem os especialistas

“Com apenas 1,3°C de aquecimento, já vemos extremos inéditos de comportamento do fogo. Se chegarmos a 3°C, o risco será muito maior.” afirmou Theodore Keeping, do Imperial College de Londres.

“Esses incêndios são um alerta. Enquanto países queimarem carvão, petróleo e gás, o risco de megafogo só vai crescer.” afirmou Friederike Otto, do Imperial College de Londres.

“Mesmo com reforços internacionais, os incêndios foram devastadores. Precisamos de estratégias de prevenção mais eficazes.” disse Maja Vahlberg, da Cruz Vermelha.

O que vem pela frente

Se o aquecimento global atingir 2,6°C neste século, episódios de fogo extremo poderão se tornar 9 vezes mais comuns e 25% mais intensos. Pesquisadores defendem que governos priorizem prevenção, como preparação comunitária, e não apenas combate, com aviões e bombeiros.

*Com informações de Uol