Tutores de pets brasileiros ocupam o segundo lugar de mais felizes do mundo, mostra estudo - Foto: Reprodução / freepik

Cada vez mais presentes nas casas brasileiras, os gatos seguem cercados por ideias equivocadas que podem comprometer tanto a saúde quanto a convivência com os tutores.

Especialistas chamam atenção para crenças antigas que ainda dificultam o cuidado adequado com a espécie, apesar de sua popularidade crescente no país.

Dados do Censo Pet IPB mostram que os felinos são a categoria que mais cresce entre os animais de estimação. Mesmo assim, muitos responsáveis ainda acreditam que o gato exige poucos cuidados ou que sua rotina doméstica dispensa acompanhamento veterinário.

Segundo a veterinária e coordenadora técnica da MSD Saúde Animal, Kathia Soares, esse pensamento representa um dos principais entraves na clínica felina.

“Muitas pessoas acreditam que, por não saírem à rua, os gatos precisam de menos cuidados médicos do que os cães. Esse pensamento pode atrasar a identificação de infecções silenciosas e comprometer medidas fundamentais de prevenção contra parasitas e patógenos, alguns deles com potencial de impacto também na saúde humana, devido ao seu potencial zoonótico”, afirma.

Entre os mitos mais comuns está a ideia de que gatos são frios ou desapegados. Na prática, o comportamento felino apenas se expressa de forma diferente.

O vínculo com humanos se manifesta por meio de gestos sutis, como a busca por proximidade, o ronronar, o contato visual e a preferência por rotinas estáveis. A ausência de estímulos e interação pode gerar estresse e refletir diretamente na saúde do animal.

Outra crença recorrente envolve a falsa segurança dos gatos que vivem exclusivamente dentro de casa. Mesmo sem acesso à rua, eles podem ser expostos a parasitas trazidos de forma indireta no ambiente doméstico, como por roupas, calçados e objetos. Por isso, o controle regular de pulgas e vermes é indispensável, independentemente do estilo de vida do animal.

Também é comum associar o comportamento reservado dos gatos à falta de sensibilidade. Especialistas explicam que, ao esconder sinais de dor ou desconforto, o felino age por instinto de autopreservação.

Mudanças discretas de hábito, como isolamento ou perda de apetite, podem indicar problemas de saúde e reforçam a importância das consultas periódicas e da medicina preventiva.

Entre as verdades consolidadas, a castração se destaca como uma aliada da longevidade. Além do controle populacional, o procedimento reduz riscos de doenças graves, como tumores mamários em fêmeas e alterações reprodutivas em machos, além de minimizar comportamentos que expõem o animal a brigas e infecções.

A convivência com gatos também traz benefícios aos humanos. Estudos apontam que o contato com felinos pode contribuir para a redução do estresse e até diminuir o risco de problemas cardiovasculares, reforçando o impacto positivo do vínculo entre pessoas e animais.

Outro ponto essencial é a hidratação. Por terem origem em ambientes áridos, os gatos tendem a ingerir pouca água, o que pode sobrecarregar os rins ao longo da vida. Estratégias simples, como o uso de fontes e a oferta de alimentos úmidos, ajudam a preservar a saúde do trato urinário.

“Ao unir ciência e tecnologia, nosso objetivo é oferecer ao médico-veterinário e ao responsável as ferramentas necessárias para que cada fase da vida do gato seja vivida com plenitude. A celebração do Dia Mundial do Gato é o momento perfeito para reforçarmos que, com prevenção correta e acompanhamento profissional, os felinos podem ter uma vida longa e com qualidade ao lado de suas famílias”, conclui Soares.

*Com informações de IG