O ex-policial militar Ronnie Lessa, 54, que já havia confessado em delação ser o autor dos tiros que mataram Marielle Franco e Anderson Gomes, em 2018, afirmou, durante o julgamento na quarta-feira (30), que receberia R$ 25 milhões para assassinar a vereadora do PSOL.
Lessa detalhou como planejou e executou o duplo homicídio. Ao depor por 2h30 por meio de videoconferência ao 4º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, o ex-PM se disse arrependido e revelou a quantia milionária que lhe foi prometida pelos mandantes do crime.
“Infelizmente, não podemos voltar no tempo, mas hoje tento fazer o possível para amenizar. (…) Fiquei cego, fiquei louco. A minha parte era R$ 25 milhões. Eu reconheço. Não tenho vergonha hoje de falar isso. Tirei um peso das minhas costas confessando o crime. Vou cumprir o meu papel até o final e tenho certeza absoluta que a justiça vai ser feita.” afirmou Ronnie Lessa, em depoimento ao 4º Tribunal do Júri do Rio.
Ex-PM disse que, inicialmente, recebeu proposta milionária para matar Marcelo Freixo, então deputado estadual pelo PSOL. Lessa afirmou que, entre o fim de 2016 e o início de 2017, foi procurado com uma primeira oferta que poderia torná-lo milionário. Na ocasião, a proposta era matar Freixo, atual presidente da Embratur e que foi o relator da CPI das Milícias na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio).
“Eu achei inviável, uma loucura isso aí. Houve uma suspensão nessa questão. Em setembro [de 2017], surgiu a proposta em relação à Marielle. Não me falaram o nome dela, não sei nem se quem propôs sabia o nome dela.” disse Ronnie Lessa, em depoimento
Nome de Marielle teria sido citado pela primeira vez em encontro presencial com mandantes do crime. Lessa afirmou que teve uma primeira reunião, pessoalmente, com os mandantes, que não nomeou nos depoimentos. Na ocasião, teriam dito o nome da vereadora pela primeira vez. “Então, nós buscamos os meios necessários para dar prosseguimento nisso aí”, disse.
Lessa voltou a afirmar que vigiou a vereadora por meses antes do crime. A afirmação já constava em sua delação firmada com a Polícia Federal.
Ele não falou sobre os mandantes do assassinato da vereadora. A pedido do MP (Ministério Público), o ex-policial não citou os nomes de quem delatou como contratantes do crime para não influenciar no processo do STF (Supremo Tribunal Federal), que investiga quem mandou matar Marielle.
