Roberto Farias Thomaz foi resgatado com vida e passa bem - Foto: Reprodução

Roberto Farias Tomaz, que desapareceu durante uma trilha no Pico Paraná com uma amiga no dia 31 de dezembro, foi encontrado hoje vivo, após cinco dias de buscas.

A família informou que Roberto, 19, foi encontrado “vivo e bem”. A informação foi publicada às 10h50 de hoje no perfil oficial criado pelos familiares para atualizações sobre o caso e confirmada pelo Corpo de Bombeiros.

Roberto foi achado na região de Cacatu, na descida do Pico Paraná. A corporação explicou que ele conseguiu chegar a uma fazenda na cidade, para onde os militares foram acionados em seguida.

Ele caminhou mais de 20 km sozinho na mata até encontrar local seguro. “Felizmente, ele conseguiu superar as adversidades, descer as encostas e chegar sozinho lá”, falou o tenente coronel do Corpo de Bombeiros Ícaro Gabriel.

Roberto ligou para a irmã assim que chegou na fazenda. “Eu estou na fazenda CGH, na usina hidrelétrica Cacatua. Eu estou cheio de roxos pelo corpo, várias escoriações e estou sem enxergar, porque perdi meu óculos, sem bota, e só isso. Eu estou bem”, relatou durante uma videochamada gravada.

O jovem foi encaminhado ao hospital de Antonina e a família dele está a caminho para encontrá-lo. “A gente está indo para lá, estou em deslocamento. Obrigada, milagre existe, tem que ter fé e esperança”, falou a irmã dele.

Parentes agradeceram ainda o auxílio durante as buscas. “Obrigado a todos os anjos que vieram aqui nos ajudar. Obrigada pelas orações”, afirmaram na publicação.

Entenda o caso

Homem passou mal durante a subida, segundo Corpo de Bombeiros. Roberto começou a trilha com uma amiga por volta das 13h do dia 31 e passou mal algumas vezes durante o trajeto. A dupla chegou ao cume por volta de 4h do dia 1º de janeiro. O Pico Paraná tem 1.877 m de altitude e é considerado o ponto mais alto da região Sul.

Dupla encontrou outros grupos, mas o rapaz ficou para trás. No cume, Roberto e a amiga encontraram outros grupos e iniciaram a descida com um deles por volta das 6h30. Eles permaneceram juntos até um ponto antes de um acampamento, onde a amiga encontrou outros montanhistas e seguiu no ritmo deles, deixando o jovem para trás.

Outro grupo de trilheiros, que andava mais devagar, passou pelo ponto onde o jovem teria ficado, mas disseram que não o viram. De acordo com o Corpo de Bombeiros, Roberto não tinha experiência em montanhismo. Nas redes sociais, Roberto afirma ser técnico em segurança do trabalho e bombeiro civil.

Família afirmou que Roberto ficou para trás porque a amiga quis “seguir mais rápido”. Nas redes sociais, os familiares disseram também que a amiga foi avisada por outro rapaz que estava na trilha que ela e o jovem precisavam ficar juntos, já que ele estava passando mal.

Boletim de ocorrência foi registrado na Delegacia de Campina Grande do Sul. Ontem, investigadores estiveram no local, ouviram familiares e pessoas que fizeram a trilha.

Mulher que acompanhava o rapaz foi ouvida na delegacia. A Polícia Civil do Paraná não deu detalhes do depoimento, mas disse que não há indícios de crime até o momento.

O que diz o parque

Parque restringiu acesso de visitantes. Desde ontem, o Instituto Água e Terra, responsável pelo Parque Estadual Pico Paraná, atendeu a uma recomendação dos bombeiros e restringiu a entrada nas áreas entre os municípios de Campina Grande do Sul e Antonina. Os acessos aos morros Caratuva, Pico Paraná, Getúlio e Itapiroca estão fechados.

Montanhistas que queriam ajudar nas buscas tiveram que fazer cadastro. Uma base do Corpo de Bombeiros foi montada na sede do parque para voluntários fazerem registro no local.

Jovem desaparecido não fez cadastro obrigatório no parque. O Instituto Água e Terra afirma que, durante o Réveillon, o parque funcionou com horário especial, tendo sido fechado a partir do meio-dia de 31 de dezembro e reaberto no dia 2 de janeiro. O instituto diz que o Roberto não fez esse cadastro.

*Com informações de Uol