
O cooperativismo de crédito é considerado uma das forças mais transformadoras da sociedade brasileira, capaz de unir desenvolvimento econômico e social. Em Mato Grosso e nos estados do Norte do país, o Sicredi tem desempenhado um papel fundamental nesse processo, promovendo oportunidades, fortalecendo comunidades e impulsionando o empreendedorismo nas comunidades onde atua, que geram impactos econômicos e sociais.
Tudo o que foi conquistado até agora é mérito de verdadeiros missionários dessa filosofia de vida, e cujo caminho continua sendo trilhado para que mais adeptos se juntem à essa legião. À frente desse movimento na região está o João Carlos Spenthof, presidente da Central Sicredi Centro Norte. Aos 61 anos, dedicou mais de metade de sua vida ao Sicredi, sendo 30 deles na presidência da Central – completos em 2025. Justamente por isso é reconhecido como uma das principais lideranças do cooperativismo do país.
Em sua jornada cooperativista testemunhou o avanço do cooperativismo na região e participou ativamente do processo de estruturação das cooperativas, sua expansão e a profissionalização da gestão no sistema cooperativista. Nesta entrevista especial, ele compartilha os bastidores, os desafios, as conquistas e as perspectivas para o cooperativismo.
O senhor está há 34 anos no cooperativismo de crédito, no Sicredi, sendo 30 deles como presidente da Central Sicredi Centro Norte. Conte-nos como o cooperativismo entrou na sua vida?
Desde menino, quando ainda morava no Sul do país, já conhecia cooperativas agropecuárias. Quando chegamos a Mato Grosso, na cidade de Água Boa, em 1976, a região contava com apenas 50 famílias, que formavam uma Agrovila, criada por obra da Coopercana – uma cooperativa agropecuária que havia instalado uma estrutura de armazenagem e comercialização de grãos em toda a região. Ela exercia um papel muito importante na comunidade, uma verdadeira organização social.
Por volta de 1980 meu primeiro emprego foi justamente na Coopercana. Trabalhei por dois anos, em diversas funções. Meu pai foi conselheiro de administração da Cooperativa, o que atiçou ainda mais a minha curiosidade, principalmente sobre as tais “reuniões do Conselho”.
Depois da Coopercana fui trabalhar, como concursado, no Banco do Estado de Mato Grosso. Mas, a cooperativa não saía da minha vida, e agora ela era cliente do Banco. Fiz carreira e logo me tornei gerente, aos 24 anos. Estava na gerência do banco em Água Boa e surgia a primeira Cooperativa de Crédito do Centro-Oeste do Brasil, justamente na minha cidade. Era uma coisa que pouca gente acreditava que pudesse ser uma concorrente do banco, afinal era um “grande” banco estadual. Contudo, em 1999, o banco foi liquidado pelo Banco Central.
Comente um pouco sobre sua trajetória no Sicredi. Como tudo começou? Como chegou à presidência da Central.
Entrei no Sicredi em fevereiro de 1991, aos 27 anos, sendo eleito presidente da Credilest (Cooperativa de Crédito Rural do Leste de Mato Grosso Ltda), que era ligada à Central COCECRER MT, que ainda não estava ligada ao Sicredi. Na época eu estava no Banco Estadual em Alto Araguaia-MT e fui convidado por diversos fundadores e conselheiros da Cooperativa para disputar a presidência. A cooperativa já tinha dois anos, com apenas cinco funcionários, e o presidente havia renunciado. Essas lideranças me convidaram para assumir essa missão, tendo em vista que eu poderia desempenhar dois papéis, o de presidente e de gerente ao mesmo tempo, e levar a Cooperativa ao rumo do crescimento.
Fizemos esse trabalho de resgate. Geramos credibilidade e reposicionamos a cooperativa no rumo do crescimento. Ali descobri que minha carreira no cooperativismo poderia estar relacionada à de um missionário (mais a frente falo mais disso), quase como um padre que precisa pregar inúmeras vezes até converter os fiéis. Menos de dois anos depois, a Credilest começou a se destacar.













