
A passagem de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, fechada desde maio de 2024, reabriu hoje nos dois sentidos para os moradores.
Nos primeiros dias, apenas cinquenta pessoas devem ser autorizadas a atravessar o posto na fronteira nos dois lados e as condições de acesso serão restritas.
Segundo a agência egípcia AlQahera News, ligada aos serviços de inteligência do país, 50 pessoas deixarão o Egito em direção a Gaza, e 50 virão do enclave.
De acordo com a emissora israelense Kan, que traz outros dados, no total 150 moradores deverão deixar Gaza hoje, entre elas 50 que estão à espera de atendimento médico.
Outras 50 deverão entrar no território vindo do Egito. A fronteira deverá abrir por cerca de seis horas por dia.
As autoridades israelenses não mencionaram até agora se haverá um aumento da ajuda destinada à Faixa de Gaza, que enfrenta uma grave crise humanitária.
Os mantimentos e outros produtos vindos do Egito tem, até o momento, transitado pelo posto fronteiriço israelense de Kerem Shalom, a poucos quilômetros de Rafah.
A reabertura do acesso estratégico entre Gaza e o Egito estava prevista no plano do presidente americano Donald Trump, que visa encerrar a guerra desencadeada em 7 de outubro de 2023 pelo ataque do movimento islamista palestino Hamas em território israelense.
A reabertura é uma “etapa positiva e concreta” do plano de paz, afirmou hoje a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas.
“Para os doentes e feridos de Gaza, a reabertura é uma tábua de salvação”, destacou ela no X, acrescentando que a missão civil da UE nesse posto fronteiriço está em operação “para monitorar as atividades de passagem”.
Antes da reabertura, as autoridades de Israel realizaram uma operação de teste neste domingo, em Rafah.

Imagens mostraram ambulâncias aguardando a abertura da fronteira, e pelo menos 200 pacientes esperavam no domingo obter autorização para entrar no Egito.
Cerca de 20 mil palestinos devem deixar o enclave para ter acesso a cuidados médicos, e milhares de pessoas têm esperança de retornar às suas casas.
Para cruzar o posto de Rafah, situado em uma área ocupada pelo Exército israelense, será necessária uma autorização prévia dos serviços de segurança do país.
A passagem será monitorada por sistemas de reconhecimento facial e os pacientes autorizados a deixar o enclave poderão ser acompanhados por dois familiares.
Para os doentes em busca de tratamento, a passagem segue um “procedimento extremamente difícil”, com “muito pouca visibilidade sobre quem será autorizado a sair e quando”, lamenta Claire Nicolet, da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), que está em Gaza.
“É um procedimento complexo, e é difícil quem vai deixar o enclave e quando”, declara.
Reencontro entre famílias
Quem voltar para Gaza poderá levar uma quantidade limitada de bagagens, sem objetos metálicos.
Muitos habitantes do território palestino também aguardam a reabertura na esperança de reunir suas famílias, algumas separadas desde o início da guerra.
Ahmad estava em viagem de negócios na Cisjordânia ocupada e deveria ter voltado a Gaza em 10 de outubro de 2023 e está bloqueado em Ramallah há mais de dois anos.
“Temos de voltar para nossa terra. Esperamos que a passagem abra de vez, para retornar e nos instalar em uma tenda, sobre as ruínas de nossa casa”, contou.
“Houve um momento em que fiquei 14 dias sem nenhum contato com minha esposa e meus filhos. Acabei deixando tudo nas mãos de Deus”, relata Ahmed.
Neste contexto, a reabertura dessa fronteira, ainda que limitada, é uma luz de esperança.
A falta de contato tinha se tornado insuportável para a família, conta Dalia, esposa de Ahmad, em uma chamada de vídeo.
“As crianças esperam pelo pai, elas sentem muita falta. Minha filha também, era muito pequena quando ele saiu. E eu também, claro, sinto muita falta do meu marido. Se Deus quiser, estaremos reunidos novamente.”













