O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e o presidente dos EUA, Donald Trump - Foto: ATTA KENARE e CHARLY TRIBALLEAU / AFP

O Ministério das Relações Exteriores do Irã rejeitou na manhã de hoje as acusações feitas ontem pelo presidente dos EUA, Donald Trump, a respeito do programa nuclear iraniano.

O líder americano afirmou que o Irã já desenvolveu mísseis capazes de ameaçar a Europa. No chamado discurso anual sobre o Estado da União, ele declarou também que a nação trabalha para construir armas que “em breve poderão alcançar os EUA”.

Em resposta, o ministério iraniano rebateu dizendo que o republicano cria a “ilusão da verdade”. Em publicação nas redes sociais, o porta-voz Esmail Baghaei falou que os americanos fazem uma “sinistra campanha de desinformação e informações falsas contra o Irã”.

Baghaei chamou a gestão de Trump de “mentirosos profissionais”. “Repita uma mentira vezes suficientes e ela se tornará verdade, é uma lei da propaganda cunhada pelo nazista Joseph Goebbels. Essa lei é agora usada sistematicamente pelo governo dos EUA e pelos aproveitadores da guerra que o cercam”, acrescentou.

“Tudo o que alegam em relação ao programa nuclear iraniano, aos mísseis balísticos do Irã e ao número de vítimas durante os distúrbios de janeiro é simplesmente a repetição de grandes mentiras” afirmou Esmail Baghaei.

Oficialmente, Irã não possui armas nucleares. A Arms Control Association, organização norte-americana que monitora os arsenais nucleares pelo mundo desde 1971, divulga que apenas nove países possuem bombas nucleares. São eles: EUA, Rússia, China, França, Reino Unido, Paquistão, Índia, Israel e Coreia do Norte.

EUA vão avaliar decisão sobre ataque em até 10 dias

Na semana passada, Trump disse que o mundo deve saber em breve se os EUA tomarão medidas militares contra o Irã. As afirmações foram feitas durante a reunião inaugural do Conselho da Paz em Washington, D.C. “Vocês provavelmente descobrirão em 10 dias”, afirmou.

O republicano faz repetitivas pressões sobre o país iraniano para chegar a um consenso. “Talvez tenhamos que dar um passo adiante, ou talvez não. Talvez cheguemos a um acordo. Se não acontecer [um acordo], não aconteceu. Coisas ruins acontecerão se não acontecer”, ameaçou.

O presidente Donald Trump durante encontro com o israelense Binyamin Netanyahu, no Salão Oval da Casa Branca – Foto: Kevin Mohatt / Reuters

Os norte-americanos mandaram vários equipamentos para o Oriente Médio. O USS Gerald Ford —tido como o porta-aviões mais avançado—, por exemplo, chegou à região no fim de semana. Outros recursos, como aviões-tanque de reabastecimento e caças, já haviam sido enviados.

Mas os EUA também têm buscado expandir o escopo das negociações. O objetivo de Trump é levar para a mesa de discussões questões não nucleares, como o arsenal de mísseis iraniano. O Irã afirma estar disposto apenas a discutir restrições para o seu programa nuclear. Em troca, o alívio às sanções.

Casa Branca não está completamente satisfeita com negociações. A secretária de imprensa do governo Trump, Karoline Leavitt, disse aos repórteres que houve algum progresso em Genebra, mas que ainda estamos muito distantes em algumas questões.

Irã está reforçando instalações nucleares

Teerã descarta a possibilidade de abandonar completamente o enriquecimento de urânio. Os iranianos afirmaram que havia concordado com os Estados Unidos sobre “diretrizes gerais” em Genebra para um acordo que evitasse conflitos, mas descartou a chance de discutir o seu programa de mísseis.

Imagens de satélite mostram o país se movimentando. Os iranianos estariam usando concreto e grandes quantidades de terra para enterrar locais estratégicos, segundo a CNN.

Conversas sob a mediação de Omã buscava um acordo sobre o programa nuclear do Irã. Isso ocorreria em troca do levantamento das sanções americanas em um contexto de grave crise econômica, um dos fatores que desencadearam os protestos das últimas semanas.

O Irã reiterou suas ameaças de atacar bases dos EUA no Oriente Médio caso seja alvo de “uma agressão militar”. “Em tais circunstâncias, todas as bases americanas, infraestruturas e bens na região constituem alvos legítimos”, escreveu o embaixador iraniano na ONU em uma carta dirigida a António Guterres. Ao mesmo tempo, o líder supremo do Irã advertiu, em um discurso veemente, que o porta-aviões americano presente na região poderia ser afundado.

*Com informações de Uol