Após uma passagem prolongada entre 2020 e 2023, o La Niña volta a bater à porta. As perspectivas apontam para uma alteração pouco intensa nas temperaturas do Oceano Pacífico e impacto tímido no Brasil. Ainda assim, a baixa intensidade do fenômeno é aguardada de dedos cruzados para acabar com a pior seca da história nacional, auxiliar as lavouras e impedir um salto da inflação de alimentos.
La Niña começou oficialmente no último domingo (22). Marcado pelo resfriamento das temperaturas no Oceano Pacífico, o fenômeno climático altera o volume de chuva em diferentes regiões. “O La Niña tende a melhorar a situação das chuvas no Centro-Norte e no Sudeste do Brasil”, prevê Leandro Gilio, professor do Insper Agro.
Previsão mostra retorno gradual das chuvas em outubro. Segundo nota técnica do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) e do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a mudança climática contribui para as culturas de milho e soja. Entretanto, os órgãos defendem o acompanhamento constante do ambiente, especialmente nas regiões produtoras de grãos.
Expectativas sinalizam para La Niña menos expressivo. Gilio destaca que a confirmação das projeções permite uma análise positiva. A avaliação considera a possibilidade de uma maior intensidade de chuvas no Centro-Sul, que atravessa uma estiagem, e no Sul do país. “Com a incidência do La Niña, essas regiões normalmente ficam mais secas, trazendo um efeito direto nas safras”, relata Matheus Dias, economista do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas).
“Na Região Sul, a previsão de chuva abaixo da média pode prejudicar o início da safra de grãos nos estados do Paraná e Santa Catarina. Porém, o Rio Grande do Sul pode ser beneficiado por chuvas mais regulares, favorecendo as lavouras de inverno que ainda estão em campo, bem como o plantio da safra 2024/2025.” afirmou a Nota técnica conjunta do INMET/INPE.
Produtores temem por fenômeno como o que perdurou entre 2020 e 2023. “Caso haja uma intensidade como a dos anos anteriores, os prejuízos serão bastante consideráveis na produção leiteira e de grãos”, pondera Darlan Palharini, secretário-executivo do Sindilat (Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados). “Tivemos problemas bastante sérios”, recorda.
Fenômeno é caracterizado pela redução das temperaturas do Pacífico. O resfriamento das partes central e leste do Pacífico Equatorial (próxima ao Peru e Equador) altera a temperatura e o volume de chuva em várias partes do mundo. O La Niña ocorre em intervalos de tempo que variam de dois a sete anos e pode ter mais de um ano de duração.
Inflação
Ainda que o impacto estimado para La Niña seja brando, alterações nos preços são inevitáveis. “Irregularidades climáticas sempre têm potencial de elevar preços dos alimentos quando prejudicam a produção agrícola”, reconhece Gilio. A partir de então, o volume de chuvas surge como luz no fim do túnel para beneficiar as safras e impedir que a redução da oferta impulsione a inflação.
